Rio transforma aterro sanitário em polo de energia limpa: Solário Carioca inaugura nova era na transição energética municipal

Com investimento privado de R$ 45 milhões e geração de 5 MW de potência, usina fotovoltaica instalada em Santa Cruz vai economizar R$ 2 milhões por ano aos cofres públicos e evitar 40 mil toneladas de CO₂ anuais

O Rio de Janeiro acaba de transformar um dos símbolos de passividade ambiental em um marco da transição energética urbana. No último domingo (2/11), a prefeitura inaugurou o Solário Carioca, uma usina solar fotovoltaica de 5 megawatts (MW) construída sobre o terreno de um antigo aterro sanitário em Santa Cruz, na Zona Oeste.

O projeto, viabilizado em parceria com a rede C40 Cities e a agência alemã GIZ, por meio do programa Cities Finance Facility (CFF), promete uma economia anual de cerca de R$ 2 milhões aos cofres públicos e redução de 40 mil toneladas de CO₂, o equivalente à retirada de 25 mil veículos das ruas.

Com 15 hectares de área total e 9.240 painéis solares de 700 watts cada, o empreendimento tem potencial para abastecer 100 escolas municipais por dia, além de inaugurar um modelo de reaproveitamento sustentável de áreas degradadas.

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Eduardo Paes: “Uma escolha acertada ambiental e economicamente”

Em seu discurso na cerimônia de inauguração, o prefeito Eduardo Paes ressaltou a importância do projeto como um momento único para a agenda energética e climática do município. Ele enfatizou a transformação do local de um aterro sanitário subutilizado em um polo de geração de energia limpa.

“O lançamento de hoje representa um momento único para celebrar a participação municipal na implementação de soluções climáticas concretas, mostrando que é viável transformar uma ideia ousada e inovadora em um projeto tangível e eficiente. A inauguração de hoje é um marco. Transformamos um aterro sanitário subutilizado em um polo de geração de energia limpa. Essa transição para a energia renovável gera uma redução significativa na emissão de gases de efeito estufa e uma economia de mais de R$ 2 milhões por ano para a cidade. Além disso, também gera 234 empregos diretos e 60 empregos indiretos, priorizando a população local. Ou seja, é uma escolha acertada do ponto de vista ambiental, mas também do ponto de vista econômico, uma decisão que impulsiona nossa economia e reduz o uso de combustíveis fósseis”, afirmou Paes.

O projeto foi estruturado como uma Parceria Público-Privada (PPP) pela Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar), em colaboração com as secretarias municipais de Fazenda e Planejamento e de Coordenação Governamental.

Investimento privado e concessão de 25 anos

A construção do Solário Carioca foi conduzida pelo Consórcio Rio Solar, vencedor da licitação pública, que investiu R$ 45 milhões sem custo para o município. A prefeitura cedeu o terreno e garantiu a compra de energia limpa a 20% abaixo do valor convencional, reforçando o compromisso de reduzir gastos e emissões simultaneamente.

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O contrato de concessão prevê 25 anos de operação, manutenção e fornecimento de energia, e o cronograma de implantação impressiona: apenas cinco meses de obras, iniciadas em junho de 2025.

Iniciativa de impacto global: C40 e o financiamento climático urbano

A inauguração teve a presença de autoridades internacionais e representantes de organismos multilaterais que participaram da concepção e financiamento do projeto.

O diretor-executivo da C40 Cities, Mark Watt, ressaltou a relevância global da iniciativa, destacando que seus modelos estão sendo replicados em 30 cidades ao redor do mundo, com investimentos significativos direcionados a esses projetos.

“Tive a oportunidade de acompanhar este projeto de perto. A grandiosidade de sua escala é verdadeiramente impressionante. O Solário Carioca representa uma iniciativa cujos modelos estão sendo replicados em 30 cidades ao redor do mundo, totalizando 38 projetos distintos que beneficiam diretamente mais de 1,2 milhão de pessoas e, indiretamente, dezenas de milhões. Com mais de 2 bilhões de dólares em investimentos direcionados a esses projetos, fortalecendo a liderança no setor público municipal e, consequentemente, fomentando parcerias privadas.”

O projeto tem forte simbolismo político e histórico, já que o CFF foi lançado na COP21, em Paris, pelo próprio Eduardo Paes, quando presidia a rede C40. O programa é implementado em parceria entre a C40 e a GIZ, com financiamento do governo alemão (BMZ) e do governo britânico (FCDO).

Parceria internacional e modelo replicável

O representante do governo britânico, Simon Stevens, enfatizou o papel crucial das parcerias público-privadas como instrumento para a transição energética e a inclusão social. Stevens ainda destacou o Solário Carioca como um modelo inspirador e um exemplo prático de uma estratégia de transição justa.

“O Reino Unido foi um pioneiro no modelo de parceria público-privada no início da década de 1990. Por essa razão, temos orgulho em apoiar empreendimentos como este, que empregam estratégias financeiras inteligentes para mobilizar capital climático e recursos públicos. O Solário Carioca é um modelo inspirador e um exemplo prático de uma estratégia de transição justa. Seu impacto não se restringe à mitigação de emissões, mas abrange a criação de 3.500 oportunidades para jovens e o apoio a comunidades marginalizadas. Gostaria de expressar minha gratidão à cidade do Rio por sua ambição e pelo convite que tornou esta ideia uma realidade.”

O evento contou ainda com o cônsul-geral da Alemanha no Brasil, Jan Freigang, e o diretor da GIZ no país, Jochen Quinten, reforçando a cooperação internacional que viabilizou o projeto.

Reutilização de áreas degradadas e novas metas até 2028

O terreno escolhido para o Solário Carioca, por décadas usado como aterro sanitário, agora cumpre um papel estratégico na geração de energia renovável. Além de revitalizar uma área degradada, o projeto inspira a expansão do modelo para outros terrenos ociosos na cidade, com a meta de atingir 20 MW de potência instalada até 2028.

O mecanismo CFF deve ser utilizado novamente para estruturar novos projetos de energia solar e infraestrutura verde, consolidando o Rio como referência em planejamento urbano sustentável e captação de capital climático.

Sustentabilidade com impacto econômico e social

Além da contribuição ambiental, o projeto promove impactos socioeconômicos locais. Os 234 empregos diretos e 60 indiretos gerados durante a construção e operação priorizam a mão de obra da região de Santa Cruz, movimentando a economia local e incentivando o desenvolvimento de fornecedores em segmentos como segurança, alimentação e construção civil.

O Solário Carioca se torna, assim, um exemplo concreto de transição energética justa, integrando sustentabilidade ambiental, eficiência econômica e inclusão social, pilares fundamentais para o futuro das cidades inteligentes e resilientes.

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