Iniciativa “Educar para Energizar” substitui gastos logísticos da delegação por investimento em educação técnica voltada à transição energética, com apoio de instituições brasileiras e alemãs
A Siemens Energy anunciou uma reorientação estratégica em sua participação na COP30, que será sediada em Belém em novembro de 2025. Em vez de alocar a maior parte de seus recursos em estrutura de hospitalidade e logística para sua delegação no evento, a empresa irá investir em educação técnica para jovens da Amazônia por meio do programa “Educar para Energizar”, voltado à capacitação profissional em temas ligados à transição energética.
Com investimento inicial de R$ 1,4 milhão, o projeto-piloto oferecerá 160 vagas para cursos técnicos com duração de dois anos a jovens em situação de vulnerabilidade social que já concluíram o ensino médio. A formação será gratuita, com bolsas de estudo e infraestrutura de ponta para aulas práticas. O conteúdo abrange desde instalações elétricas e manutenção de redes até temas estratégicos como energia solar, eólica, mobilidade elétrica, hidrogênio verde e armazenamento de energia.
Mudança de paradigma: da visibilidade institucional ao legado educacional
O redirecionamento de mais de 80% dos custos tradicionais da participação da Siemens Energy na COP30 sinaliza uma nova abordagem no engajamento do setor privado com as agendas climáticas. A empresa compromete-se a manter esse novo modelo para esta e futuras edições da Conferência das Partes.
“A representatividade do setor privado na COP é fundamental para acelerar a implementação de soluções climáticas em larga escala e, dessa forma, estaremos presentes na COP30 e em futuras edições da Conferência. No entanto, entendemos que o nosso compromisso com a transição energética só faz sentido se for inclusivo, e com essa abordagem queremos gerar um impacto que vá além dos discursos, e inspire mudanças reais na vida das pessoas”, afirma André Clark, Vice-Presidente Sênior da Siemens Energy para a América Latina.
Parcerias institucionais fortalecem a governança do projeto
O “Educar para Energizar” é fruto de uma articulação entre a Siemens Energy e instituições com experiência em educação técnica e desenvolvimento sustentável. A Agência de Cooperação Técnica Brasil-Alemanha (GIZ) contribuirá com o planejamento pedagógico. A execução dos cursos ficará sob responsabilidade do Instituto Federal do Pará (IFPA), e a FUNETEC – Fundação de Apoio ao IF da Paraíba atuará na gestão administrativa do programa.
“O apoio da Siemens Energy para abertura desses cursos de capacitação está totalmente alinhado aos nossos objetivos de impulsionar a formação de pessoas nessa área tão importante para a redução de emissões do país, na cidade sede da COP30. O formato modular dos cursos torna o programa muito mais dinâmico e o fornecimento de bolsas de estudo é fundamental para evitarmos a evasão escolar de alunos em situação de vulnerabilidade social”, destaca Julia Giebeler Santos, diretora do projeto Profissionais do Futuro da GIZ.
Além dos módulos técnicos, o projeto também irá viabilizar a montagem de laboratórios equipados com tecnologia de última geração, garantindo formação prática e alinhada às demandas da nova matriz energética brasileira.
Capacitação para a transição energética em regiões remotas
A iniciativa é também uma resposta direta a desafios estruturais enfrentados pela Amazônia. Estimativas da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que mais de 2,7 milhões de brasileiros vivem em regiões atendidas por Sistemas Isolados (SISOL), que em grande parte ainda dependem de usinas a diesel e não estão integradas ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
Para mudar esse cenário, a Siemens Energy tem atuado junto ao governo e autoridades reguladoras pela inclusão de soluções híbridas nos leilões de geração, como a combinação de térmicas a diesel com energia solar e baterias – uma alternativa que reduz a emissão de gases de efeito estufa e melhora a confiabilidade do suprimento elétrico. No entanto, um dos gargalos é a escassez de mão de obra local qualificada para instalar e operar essas tecnologias.
Formação profissional com impacto socioambiental direto
O conteúdo dos cursos será organizado em módulos progressivos, totalizando 1.200 horas ao longo de dois anos. A formação começa por temas introdutórios, como eletricista instalador e manutenção de linhas elétricas, e avança para áreas de alta demanda no setor energético, como instalação de sistemas fotovoltaicos, eficiência energética, armazenamento de energia e hidrogênio verde.
Além de ampliar a empregabilidade dos jovens da região, a proposta visa alinhá-los às novas exigências da economia de baixo carbono, preparando profissionais para atuar em projetos tanto na Amazônia quanto em outros polos energéticos do Brasil.
Compromisso com legado climático e inclusão social
A ação da Siemens Energy na COP30 evidencia uma nova visão empresarial sobre o papel do setor privado em grandes eventos climáticos: não apenas como voz nas negociações, mas como agente ativo na transformação dos territórios onde esses eventos acontecem. Ao substituir estruturas temporárias por investimento social permanente, a empresa se alinha aos princípios defendidos pela presidência da COP30 de deixar um legado duradouro.
Com o projeto “Educar para Energizar”, a Siemens Energy demonstra que a transição energética inclusiva passa necessariamente pela educação técnica, pela valorização do capital humano local e pela articulação com instituições públicas e internacionais.



