Acordo envolvendo 49% de sete ativos permite à companhia fortalecer balanço e assumir controle majoritário da Neoenergia Transmissão; portfólio conjunto alcança 6,7 mil km de linhas.
A Neoenergia (NEOE3) anunciou, nesta terça-feira (28), um novo avanço em sua estratégia de reciclagem de capital e fortalecimento patrimonial. Por meio de acordo com o Unique Power FIP, fundo ligado à GIC (fundo soberano de Singapura), a companhia selou a venda de 49% de participação em sete ativos de transmissão pelo valor de R$ 2,4 bilhões.
A operação marca a terceira transação entre as empresas desde 2023 e consolida a Neoenergia Transmissão como uma plataforma de escala relevante no Sistema Interligado Nacional (SIN). Os ativos contemplados no novo acordo são: Guanabara, Vale do Itajaí, Potiguar Sul, Morro do Chapéu, Estreito, Alto Paranaíba e Paraíso.
Protagonismo e Controle Societário
Um dos pontos centrais da transação é o rearranjo na governança da plataforma conjunta. O acordo prevê que a Neoenergia adquira 1% adicional de participação na Neoenergia Transmissão, elevando sua fatia para 51%. Esse movimento garante à companhia o controle e a consolidação contábil da plataforma, reforçando seu protagonismo na gestão técnica e no desenvolvimento de novos projetos.
Ao analisar a profundidade do relacionamento com o fundo soberano e os objetivos de longo prazo da geradora e transmissora, o CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui, destacou a maturidade da parceria: “A evolução da parceria iniciada em 2023, que chega agora à sua terceira transação com a GIC em transmissão, demonstra a força dessa relação e a consistência da nossa estratégia. Estamos construindo uma plataforma de transmissão robusta, eficiente e de longo prazo, combinando disciplina financeira, parcerias estratégicas e foco permanente na criação de valor.”
Eficiência Operacional e Geração de Receita
Com a conclusão do negócio, a plataforma passará a deter 16 ativos de transmissão, totalizando aproximadamente 6.710 km de linhas. A Receita Anual Permitida (RAP) estimada para este portfólio é de cerca de R$ 1,8 bilhão, posicionando a joint venture entre as cinco maiores transmissoras do país.
A estratégia por trás do movimento é clara: rotação de ativos para desalavancagem e otimização de portfólio. Ao alienar participações minoritárias em ativos operacionais, a Neoenergia libera caixa para novos investimentos em leilões de transmissão e expansão de renováveis, mantendo a operação técnica e a disciplina de capital.
Reforçando a visão de simplificação da estrutura societária e foco em resultados, o executivo Eduardo Capelastegui reiterou os pilares da gestão: “A operação reforça a estratégia de parcerias de longo prazo da companhia em transmissão, com foco na otimização do portfólio com geração de valor, seguindo a disciplina de capital e simplificação da estrutura.”
Trâmite Regulatório e Condições de Mercado
O valor de R$ 2,4 bilhões tem como data-base 30 de setembro de 2025, estando sujeito aos ajustes usuais até o fechamento financeiro (closing). Para que a transação seja efetivada, é necessário o cumprimento de condições precedentes, incluindo o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).



