Memorando prevê nova rota de abastecimento de gás natural a partir do Porto de Rio Grande e busca ampliar a oferta para a indústria gaúcha
A Edge, empresa do grupo Compass, e o Governo do Rio Grande do Sul assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para estruturar uma nova rota de abastecimento de gás natural no Estado a partir do Porto de Rio Grande. O projeto prevê a implantação de um terminal de gás natural liquefeito (GNL) e tem potencial de movimentar até R$ 1 bilhão em investimentos, segundo as empresas.
A proposta busca diversificar as fontes de suprimento do mercado gaúcho e criar capacidade adicional para acompanhar a expansão da demanda. O modelo será modular e escalável, permitindo ampliar a oferta conforme a entrada de novos consumidores.
Terminal cria nova rota de suprimento
O empreendimento deverá operar integrado à estratégia da Edge de ampliar sua atuação na infraestrutura e comercialização de gás natural. A solução prevê sinergia com o Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP), operado pela companhia em Santos, e acrescentaria uma alternativa de entrada de GNL no Sul do país.
A definição do projeto ainda depende de estudos sobre infraestrutura, logística, suprimento e demanda. Também serão avaliados aspectos técnicos, regulatórios e econômicos antes da implantação do terminal.
Gás entra na estratégia industrial do Estado
A ampliação da oferta é considerada pelo governo gaúcho uma frente para reduzir restrições de suprimento energético e melhorar as condições para investimentos industriais. O Estado possui polos nos setores metalmecânico, petroquímico, papel e celulose, alimentos e bebidas, fertilizantes e agronegócio, segmentos com diferentes perfis de consumo de gás.
Na avaliação do governador Eduardo Leite, a política energética estadual vem sendo estruturada para criar condições de competitividade no longo prazo. Ele relaciona a ampliação do gás natural à maior segurança de abastecimento e à capacidade de atração de novas indústrias, dentro de uma estratégia que também inclui o biometano.
O secretário-geral de Governo, Artur Lemos, destacou que a construção de um ambiente regulatório considerado mais previsível pelo Estado é parte da estratégia para atrair investimentos. Ele também apontou a integração entre gás natural e biometano como componente da política de expansão da oferta energética.
Projeto depende de aprofundamento técnico
A assinatura do MoU marca o início de uma etapa de estruturação do empreendimento. Os estudos deverão dimensionar a infraestrutura necessária, as condições logísticas para movimentação do GNL e o potencial de demanda dos consumidores gaúchos.
Para Demétrio Magalhães, CEO da Edge, o terminal poderá ampliar as alternativas de suprimento e dar maior capacidade ao mercado para acompanhar o crescimento do consumo de gás no Estado. O executivo também associa o projeto à busca por maior competitividade e à redução de emissões nas cadeias produtivas.
A iniciativa integra o plano da Edge de desenvolver o mercado brasileiro de gás por meio da combinação de suprimento, infraestrutura, logística e comercialização. O modelo considera diferentes fontes de gás natural e biometano para atender perfis distintos de demanda.



