Justiça rejeita pedido de compensação integral por curtailment de eólicas e solares

Sentença mantém metodologia da Aneel para tratar cortes de geração e afasta obrigação de repasse integral das perdas aos consumidores

A Justiça Federal indeferiu o pedido da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) e da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) para que a Aneel estabelecesse compensação integral aos geradores pelos cortes de geração renovável, conhecidos como curtailment. A decisão foi proferida na última sexta-feira (11/9) pela 13ª Vara Federal Cível do Distrito Federal e mantém, nesta instância, a metodologia regulatória adotada pela agência para classificar e tratar as restrições de geração no Sistema Interligado Nacional (SIN).

A ação foi apresentada em 2023 pelas entidades, que questionavam os limites da atuação normativa da Aneel e sustentavam que a regulamentação poderia restringir direitos assegurados pela legislação a geradores de fontes incentivadas.

A juíza federal Edna Márcia Silva Medeiros Ramos entendeu que a existência de previsão legal para mecanismos destinados a mitigar os efeitos das restrições não implica, automaticamente, que todo o custo dos cortes deva ser transferido aos consumidores ou a outros agentes do setor por meio de encargos tarifários.

- Advertisement -

Decisão preserva regra da Aneel

Na avaliação da magistrada, o marco legal e regulatório concede à Aneel espaço para definir tecnicamente a distribuição dos riscos associados às restrições de geração, considerando também os impactos sobre a operação do sistema e a modicidade tarifária. Com isso, a sentença não reconheceu fundamento para afastar as normas vigentes ou determinar judicialmente o pagamento integral pleiteado pelas associações.

O entendimento adotado pela Justiça também considera que não foi demonstrada ilegalidade inequívoca nos critérios utilizados pela agência para classificar e contabilizar os cortes relacionados à segurança operacional e à capacidade de escoamento da transmissão.

Curtailment segue como risco para renováveis

O curtailment ocorre quando uma usina deixa de produzir ou de injetar na rede toda a energia que teria condições técnicas de gerar. No sistema brasileiro, as restrições ganharam relevância com a expansão acelerada das fontes eólica e solar, sobretudo em regiões onde a capacidade de geração avançou mais rapidamente que a infraestrutura de transmissão.

Para os empreendedores, os cortes representam perda de receita potencial e aumentam a incerteza sobre o retorno dos investimentos. A discussão sobre quem deve absorver esse impacto — geradores, consumidores ou demais agentes da cadeia — permanece, portanto, central para a expansão das renováveis.

- Advertisement -

A decisão da 13ª Vara Federal Cível do DF reforça, ao menos neste momento e em primeira instância, a prevalência da estrutura regulatória da Aneel para definir o tratamento econômico das restrições.

Disputa envolve expansão da rede

O avanço do curtailment está diretamente relacionado ao desafio de compatibilizar a expansão da geração renovável com a disponibilidade de capacidade de transmissão. O problema se torna mais sensível em períodos de elevada produção eólica e solar, quando limitações de escoamento podem exigir restrições mesmo diante da disponibilidade do recurso energético.

A controvérsia judicial acrescenta uma dimensão econômica ao problema de planejamento do SIN. Enquanto os geradores defendem mecanismos capazes de preservar a receita associada à energia que deixou de ser produzida por restrições sistêmicas, a regulação precisa considerar o impacto de eventuais compensações sobre os demais agentes e sobre as tarifas.

Destaques da Semana

IEA propõe reservas e maior flexibilidade para reduzir risco de choques no mercado de gás

Agência recomenda combinação de estoques físicos, contratos flexíveis e...

TCU dá 120 dias para ANEEL revisar dados da Enel RJ e trava renovação da concessão

Tribunal aponta omissão da agência na fiscalização dos indicadores...

Cemig troca comando e elege Marco Aurélio Vasconcelos para presidência

Alexandre Ramos Peixoto assume o Conselho de Administração; mudanças...

Artigos

Últimas Notícias