Brasil e Turquia firmam acordo de cooperação nuclear para integrar cadeias de suprimentos e tecnologia civil

Memorando assinado entre a ABDAN e a turca NIATR busca expandir o comércio bilateral, atrair investimentos internacionais e fomentar projetos conjuntos em SMRs e medicina nuclear.

A Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN) e a Nuclear Industry Association of Türkiye (NIATR) formalizaram um Memorando de Entendimento (MoU) com o objetivo de impulsionar o desenvolvimento tecnológico e comercial voltado ao uso pacífico da energia nuclear. Com vigência inicial de três anos, o acordo estratégico foi concebido para estreitar a colaboração entre as cadeias de suprimentos de ambos os países, fomentar negócios bilaterais e estruturar parcerias industriais em frentes avançadas, incluindo o segmento de radioisótopos para medicina nuclear.

A estruturação operacional do pacto internacional prevê a criação de um grupo de coordenação (steering group) dedicado a desenhar planos de ação específicos. O intuito é converter o intercâmbio de conhecimento técnico e a comunicação institucional em entregas práticas de mercado para o setor privado brasileiro e turco.

Missões internacionais e inserção global da indústria

A formalização da parceria ocorreu no âmbito de uma série de missões diplomáticas e empresariais conduzidas pela ABDAN em fóruns setoriais na Europa ao longo de setembro. A comitiva reúne autoridades governamentais, especialistas técnicos e representantes de operadoras para debater eixos cruciais para a transição energética global, como a segurança de suprimento, a mineração de insumos estratégicos, o avanço dos pequenos reatores modulares (SMRs) e a imprescindibilidade da matriz atômica na descarbonização industrial.

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A relevância da cooperação bilateral para o posicionamento da cadeia produtiva nacional foi destacada pelo presidente da entidade brasileira, Celso Cunha: “A parceria com a Turquia conecta nossos mercados e abre canais diretos para novos negócios, fortalecimento da cadeia produtiva e troca de inovação. Integrar o Brasil a esse ecossistema internacional é necessário para transformar potencial tecnológico em oportunidades concretas para a nossa indústria.”

Oportunidades em SMRs e novos mercados

O acordo abre espaço para que fornecedores nacionais de componentes, serviços de engenharia e tecnologia nuclear ganhem capilaridade em mercados externos de alta exigência regulatória. Com a expansão do interesse global em fontes firmes e de baixa emissão de carbono para complementar matrizes altamente renováveis, a cooperação em SMRs e projetos industriais conjuntos consolida-se como um vetor estratégico para a inserção competitiva do Brasil no comércio exterior de alta tecnologia.

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