Quarto avanço mensal consecutivo foi puxado por residências e comércio; mercado livre respondeu por 46,6% do consumo nacional e ampliou em 19,7% a base de consumidores
O consumo nacional de energia elétrica alcançou 46.841 GWh em julho de 2026, alta de 3,7% em relação ao mesmo mês de 2025, informou a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) na Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica. O resultado representa o quarto crescimento consecutivo do consumo mensal e foi impulsionado principalmente pelas classes residencial e comercial.
Todas as classes consumidoras registraram expansão no período. O consumo residencial avançou 7,0%, enquanto o comercial cresceu 6,3%. A indústria teve alta de 0,8% e a categoria outros, que reúne as demais classes, avançou 0,9%. No acumulado de 12 meses até julho, o consumo nacional chegou a 572.154 GWh, crescimento de 1,0% ante o período equivalente anterior.
Norte lidera expansão regional
O aumento do consumo foi disseminado por todas as regiões brasileiras. O Norte apresentou a maior taxa de crescimento, de 7,1%, seguido pelo Centro-Oeste, com 5,0%; Nordeste, com 3,9%; Sul, com 3,5%; e Sudeste, com 2,8%.
A liderança do Norte também aparece na evolução do mercado livre. Na região, o consumo no Ambiente de Contratação Livre (ACL) cresceu 7,4% em julho, enquanto o número de consumidores livres aumentou 30,4% na comparação anual.
No mercado regulado, o Norte registrou crescimento de 6,9% no consumo e de 3,3% na quantidade de consumidores cativos, os maiores avanços entre as regiões nessa modalidade.
Mercado livre amplia participação
O mercado livre de energia respondeu por 21.849 GWh em julho, equivalente a 46,6% do consumo nacional. Na comparação com julho de 2025, o consumo no ACL aumentou 4,0%, enquanto a quantidade de consumidores avançou 19,7%.
O mercado regulado das distribuidoras permaneceu responsável pela maior parcela do consumo, com 24.992 GWh, ou 53,4% do total. O segmento registrou crescimento de 3,4% no consumo e de 2,0% no número de consumidores. A diferença entre a expansão do consumo e a abertura da base de consumidores no ACL mostra a continuidade do movimento de entrada de novos agentes no ambiente livre, em um cenário de ampliação do acesso à contratação bilateral de energia.
Migração ganha força após abertura do ACL
A expansão do mercado livre ocorre na esteira da abertura do segmento para todos os consumidores do Grupo A, de alta tensão, iniciada em janeiro de 2024 a partir da Portaria MME nº 50/2022. Desde então, mais de 25 mil consumidores migraram para o Ambiente de Contratação Livre em 2024, enquanto outros 22 mil fizeram o movimento em 2025.
O avanço da base de consumidores livres em julho reforça a trajetória de crescimento do ACL e aumenta sua participação no consumo nacional. A expansão também amplia o universo de consumidores que podem negociar diretamente suas condições de contratação de energia, dentro das regras estabelecidas para o mercado.
Residências e comércio sustentam alta
O desempenho das classes residencial e comercial foi determinante para o resultado de julho. O avanço de 7,0% nas residências e de 6,3% no comércio ficou significativamente acima do crescimento observado na indústria, de 0,8%.
A diferença entre os segmentos indica que o aumento da carga no mês esteve mais associado ao comportamento do consumo das famílias e das atividades comerciais do que à demanda industrial. A indústria, apesar da expansão mais moderada, manteve trajetória positiva, enquanto as demais classes apresentaram crescimento de 0,9%.


