Seis estações de 60 kW serão instaladas no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, com 12 pontos simultâneos e distância média de 45 quilômetros entre carregadores
A BYD e a concessionária EPR Triângulo estruturaram um corredor de recarga rápida para veículos elétricos e híbridos plug-in no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. O projeto prevê seis estações de 60 kW distribuídas ao longo de rodovias estratégicas da região, com distância média de 45 quilômetros entre os pontos de carregamento.
A infraestrutura terá capacidade para atender simultaneamente até dois veículos por estação, totalizando 12 pontos de carregamento, e poderá ser utilizada por automóveis eletrificados de qualquer fabricante. A iniciativa busca ampliar a infraestrutura disponível para deslocamentos de média e longa distância, segmento em que a disponibilidade de recarga ainda representa uma barreira à expansão da mobilidade elétrica.
As estações serão instaladas em Bases de Serviços Operacionais (BSOs) da EPR Triângulo, em trechos das rodovias BR-365, BR-452, CMG-452, LMG-798 e MG-427.
Corredor conecta principais eixos rodoviários
Os seis equipamentos estão distribuídos pelos municípios de Perdizes, Patrocínio, Uberlândia, Estrela do Sul, Uberaba e Conceição das Alagoas. A localização foi definida em trechos com elevada circulação rodoviária e permite formar uma sequência de pontos de recarga ao longo da malha administrada pela concessionária.
Os carregadores estão posicionados nos seguintes locais:
- Perdizes: BR-452, km 258;
- Patrocínio: BR-365, km 481;
- Uberlândia: CMG-452, km 155;
- Estrela do Sul: BR-365, km 551;
- Uberaba: LMG-798, km 28;
- Conceição das Alagoas: MG-427, km 53.
A estrutura opera em padrão aberto, sem exclusividade para veículos da BYD. O gerenciamento das sessões e o faturamento estão integrados ao aplicativo Tupi Recarga, enquanto clientes da montadora também poderão utilizar o ecossistema BYD Recharge.
A estratégia busca reduzir um dos principais gargalos para a expansão dos veículos elétricos nas rodovias: a dificuldade de encontrar infraestrutura de recarga em intervalos compatíveis com viagens intermunicipais.
Concessionária eletrifica frota antes de ampliar serviço
A implantação da rede para usuários externos foi precedida pela eletrificação da própria operação da EPR Triângulo. Ao final de 2025, a concessionária concluiu a substituição de sua frota leve de apoio e inspeção por 39 veículos elétricos fornecidos pela BYD.
Os veículos são utilizados em regime contínuo, 24 horas por dia, sete dias por semana, e percorrem, em média, mais de 15 mil quilômetros mensais por unidade. A experiência serviu como teste operacional para a utilização da tecnologia em uma rotina de alta quilometragem antes da abertura da infraestrutura aos demais usuários.
O diretor-executivo da EPR Triângulo, Alejandro Radice, destaca que a experiência interna foi utilizada como base para ampliar a oferta de infraestrutura ao público: “As rodovias exercem um papel estratégico na transição para uma mobilidade mais sustentável. Iniciamos esse movimento dentro da nossa própria operação, eletrificando integralmente a frota leve da concessionária e validando essa tecnologia no dia a dia. Agora, ao lado da BYD, ampliamos essa infraestrutura também para os usuários e ajudamos a criar um ambiente cada vez mais favorável à adoção da mobilidade elétrica.”
A experiência também permite avaliar a infraestrutura de recarga sob condições reais de operação rodoviária, incluindo utilização intensiva dos veículos e necessidade de disponibilidade dos equipamentos.
Mercado de eletrificados amplia demanda por recarga
A expansão do corredor ocorre em um mercado de veículos eletrificados que vem aumentando sua participação nas vendas brasileiras. Dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) indicam que os automóveis leves eletrificados alcançaram 16% de participação no mercado no primeiro semestre de 2026.
Em junho, a participação chegou a 18%, mais que o dobro do percentual registrado no mesmo período de 2025. O avanço da frota amplia a necessidade de uma infraestrutura capaz de acompanhar a circulação desses veículos para além dos grandes centros urbanos. A expansão da rede rodoviária passa a ser, portanto, uma condição para que o crescimento das vendas seja acompanhado por maior disponibilidade de recarga em viagens de longa distância.
O vice-presidente sênior e head de Comercial e Auto da BYD Brasil, Alexandre Baldy, relaciona a expansão dos veículos à necessidade de aumentar a capilaridade da infraestrutura: “Expandir a mobilidade elétrica no Brasil significa olhar para toda a jornada do motorista. De um lado, precisamos de veículos cada vez mais eficientes e tecnológicos. Do outro, de uma rede de recarga que dê confiança para que esses veículos possam circular por distâncias cada vez maiores. A BYD já conta com mais de 150 carregadores rápidos em todo o país, e queremos seguir ampliando essa infraestrutura e conectando novos destinos. Essa parceria com a EPR Triângulo mostra como a união entre tecnologia e infraestrutura pode acelerar essa transformação.”
Operação deve reduzir emissões
Além da infraestrutura destinada aos usuários, a eletrificação da frota da concessionária cria uma frente adicional de redução do consumo de combustíveis fósseis. A estimativa das empresas é que a substituição de veículos movidos a combustíveis fósseis, considerando tanto a operação própria quanto o atendimento aos usuários do corredor, resulte em uma redução anual de 600 a 1.000 toneladas de CO₂.
O resultado dependerá do nível de utilização da infraestrutura e da substituição efetiva de combustíveis fósseis por eletricidade nas viagens realizadas pelos veículos. A combinação entre a frota elétrica da concessionária e a rede pública de carregamento cria, assim, uma estrutura que atende simultaneamente à operação da empresa e à circulação de veículos eletrificados pela região.
Com seis estações de 60 kW e 12 pontos de carregamento simultâneo, o corredor amplia a disponibilidade de recarga em uma das principais áreas rodoviárias de Minas Gerais. A iniciativa também sinaliza uma mudança na infraestrutura de transporte: a expansão da mobilidade elétrica passa a depender não apenas da oferta de veículos, mas da formação de uma rede capaz de sustentar viagens intermunicipais com previsibilidade de abastecimento.



