Rosatom prevê 38 novos blocos nucleares na Rússia e amplia ofensiva internacional

Expansão inclui cerca de 30 GW de nova capacidade até 2045, pequenos reatores, tecnologias de quarta geração e projetos em nove países

A Rússia planeja ampliar de forma significativa sua capacidade de geração nuclear nas próximas duas décadas. A Rosatom prevê a construção de 38 novos blocos nucleares no país, dos quais 18 já estão em obras, enquanto mantém outros 28 projetos em construção no exterior. O plano foi apresentado nesta quinta-feira (20) pelo diretor-geral da companhia, Alexey Likhachev, durante reunião sobre o desenvolvimento da energia nuclear com o presidente russo, Vladimir Putin.

A estratégia prevê a entrada em operação de aproximadamente 30 GW adicionais de capacidade nuclear e a elevação da participação da fonte na matriz elétrica russa de cerca de 20% atualmente para 25% até 2045. A expansão ocorre em paralelo à necessidade de substituir parte do parque existente.

A Rússia conta hoje com 34 unidades distribuídas por 11 usinas nucleares e registrou geração superior a 218 bilhões de kWh em 2025. Nos próximos dez anos, 13 blocos, com mais de 10 GW de capacidade combinada, deverão ser retirados de operação por atingirem o fim de sua vida operacional.

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Nova capacidade acompanha crescimento da demanda elétrica

O programa nuclear russo também está associado à perspectiva de aumento estrutural do consumo de eletricidade. Durante a reunião, Putin citou segmentos de elevada intensidade energética, como inteligência artificial, centros de armazenamento e processamento de dados, transporte elétrico e automação industrial.

A avaliação reforça uma tendência observada em diferentes mercados: a expansão de cargas digitais e industriais aumenta a necessidade de fontes capazes de fornecer energia de forma contínua e previsível, ao mesmo tempo em que os sistemas elétricos incorporam volumes crescentes de geração variável.

Ao tratar da posição da Rússia no mercado global, Putin destacou a necessidade de combinar expansão da capacidade com avanço tecnológico e segurança operacional: “A concorrência na energia nuclear mundial é elevada e precisamos fortalecer nossa liderança tecnológica nessa área, aumentar continuamente a segurança da geração nuclear e sua eficiência econômica.”

A expansão planejada deverá alcançar diferentes regiões do território russo, incluindo os Urais, a Sibéria e o Extremo Oriente. Parte dos novos empreendimentos terá, portanto, a função de recompor a capacidade retirada do sistema, enquanto outra parcela contribuirá para atender ao crescimento da demanda.

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Pequenos reatores ampliam alternativas de geração

Além dos grandes projetos convencionais, a Rosatom aposta no desenvolvimento de pequenos reatores modulares e em soluções destinadas a aplicações em regiões remotas. Um dos principais projetos é o RITM-200, tecnologia desenvolvida a partir da experiência russa com reatores utilizados em aplicações navais. O modelo foi adaptado para instalações terrestres e flutuantes e tem como um dos focos o atendimento a localidades isoladas ou de difícil acesso.

De acordo com Likhachev, 15 reatores RITM-200 já foram fabricados e outros 13 estão em construção. A tecnologia amplia o leque de aplicações da geração nuclear ao permitir projetos de menor escala e potencialmente adequados a sistemas elétricos com demanda inferior à de grandes centros consumidores.

A companhia também mantém uma frente de pesquisa voltada aos chamados reatores de quarta geração e ao ciclo fechado do combustível nuclear. O conceito busca aumentar o aproveitamento dos recursos de urânio, possibilitar a reutilização de materiais nucleares e reduzir a quantidade de resíduos radioativos de longa duração.

BREST-300 concentra aposta em ciclo fechado

Um dos projetos centrais dessa estratégia está em Seversk, onde a Rosatom constrói um complexo experimental e demonstrativo baseado no reator rápido BREST-300. Com potência de 300 MW e sistema de refrigeração a chumbo, o empreendimento foi concebido para integrar em um mesmo complexo a geração de eletricidade, o processamento do combustível nuclear utilizado e a fabricação de novo combustível.

A previsão é que a instalação entre em operação até 2030 e sirva como referência para o desenvolvimento posterior de unidades industriais de maior potência.

A Rosatom também trabalha no BN-1200, reator rápido refrigerado a sódio, além de pesquisas envolvendo reatores de sais fundidos e fusão termonuclear. A diversificação tecnológica indica que a estratégia russa não está restrita à expansão do parque convencional, mas busca desenvolver alternativas para diferentes estágios do ciclo nuclear.

Rosatom mantém 28 blocos em construção no exterior

No mercado internacional, a companhia mantém 28 blocos nucleares de diferentes escalas em construção em nove países. A carteira inclui projetos na Índia, China, Turquia, Egito, Irã, Bangladesh e Hungria.

A expansão internacional também alcança novos mercados. No Uzbequistão, a previsão é instalar uma usina que combinará dois reatores de pequena potência e dois de grande porte. No Cazaquistão, os estudos para a implantação de duas unidades VVER-1200 estão em fase final.

Além dos empreendimentos em construção, a Rosatom possui acordos para outros 17 blocos nucleares em seis países. Segundo Likhachev, a companhia ainda negocia projetos com 15 países, com potencial estimado em aproximadamente 50 novos reatores de diferentes capacidades.

A estratégia internacional não se limita à geração de eletricidade. A empresa também desenvolve Centros de Ciência e Tecnologia Nuclear baseados em reatores de pesquisa, com projetos em implementação na Bolívia e no Vietnã.

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