SAGE Monitorador de Rede acompanha comunicação em tempo real, identifica anomalias em redes IEC 61850 e integra diagnóstico ao ambiente operacional do SAGE
O Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) lançou o SAGE Monitorador de Rede, ferramenta voltada ao monitoramento da infraestrutura de comunicação de subestações digitais. Integrada ao Sistema Aberto de Gerenciamento de Energia (SAGE), a solução acompanha o tráfego de dados em tempo real, identifica anomalias e emite alertas para apoiar o diagnóstico de falhas e a manutenção das instalações.
De acordo com o Cepel, a tecnologia tem potencial para reduzir entre 70% e 80% os custos de implantação e operação em comparação com soluções tradicionais de mercado. O desenvolvimento ocorre em um momento de maior digitalização das subestações e de expansão da utilização do padrão IEC 61850, que estabelece protocolos para a comunicação entre equipamentos e sistemas de automação elétrica.
A proposta é ampliar a supervisão para além dos ativos físicos, permitindo acompanhar também a rede responsável pelo intercâmbio de informações críticas entre os dispositivos da subestação.
Monitoramento amplia visibilidade sobre a rede
Em uma subestação digital, falhas na comunicação podem afetar a operação mesmo quando não existe um defeito elétrico aparente nos equipamentos. A identificação desses eventos exige o tratamento de grandes volumes de registros e informações técnicas, o que pode prolongar o diagnóstico e elevar custos de manutenção.
O SAGE Monitorador foi desenvolvido para automatizar parte desse processo. A plataforma identifica comportamentos fora do padrão e transforma os registros da rede em indicadores, alarmes e informações organizadas para as equipes de operação e engenharia.
O líder de Produtos e P&D da Gerência de Controle e Operação do Cepel, Denys Lellys, explica como a ferramenta pretende reduzir o tempo necessário para localizar anomalias: “Na prática, isso significa mais visibilidade sobre a operação e resposta mais rápida a eventuais problemas. Ao invés de analisar milhares de registros para descobrir onde está a falha, operadores passam a contar com alarmes, indicadores e painéis que apontam rapidamente comportamentos fora do esperado.”
IEC 61850 aumenta exigência sobre infraestrutura de comunicação
A adoção do padrão IEC 61850 tornou a comunicação entre dispositivos um componente central das subestações digitais. A norma estabelece uma arquitetura de comunicação voltada à automação de subestações e permite a troca de informações entre equipamentos inteligentes de diferentes funções.
Nesse ambiente, a confiabilidade da rede passa a ter impacto direto sobre a operação. O monitoramento precisa considerar não apenas a disponibilidade dos equipamentos, mas também aspectos como fluxo de mensagens, sincronismo, atrasos e integridade das informações transmitidas. O tema também ganhou relevância com novas exigências relacionadas à operação do sistema elétrico e aos Procedimentos de Rede do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Para o gerente executivo de Controle da Operação do Cepel, Guilherme Soares do Amaral, a digitalização precisa ser acompanhada por mecanismos capazes de identificar rapidamente problemas na infraestrutura de comunicação: “Para uma operação que garanta a segurança do fornecimento não basta digitalizar a subestação, é preciso enxergar rapidamente e interpretar o que acontece na rede que conecta todos esses equipamentos. Os sistemas nem sempre geram um defeito elétrico visível, mas podem comprometer a operação, aumentar o tempo de diagnóstico e elevar os custos de manutenção. O Cepel então evoluiu suas ferramentas já implementadas no sistema para uma nova plataforma que se conecta com a operação e demais dados de forma inteligente, inovadora e assertiva.”
Solução combina monitoramento ativo e passivo
O SAGE Monitorador utiliza duas abordagens para acompanhar o comportamento das redes: monitoramento passivo e ativo.
No modo passivo, a ferramenta observa o tráfego sem interferir na operação da rede. A análise permite identificar eventos como perda ou duplicação de mensagens, atrasos na comunicação, fluxos não previstos e inconsistências. Já o monitoramento ativo consulta diretamente os dispositivos eletrônicos inteligentes (IEDs) instalados na subestação. A partir dessas informações, a plataforma verifica o estado interno dos equipamentos, estabelece diagnósticos e disponibiliza os dados para supervisão.
A combinação dos dois métodos amplia a capacidade de identificação de problemas que poderiam permanecer ocultos em uma análise convencional de registros.
Testes reproduzem condições de subestações digitais
O desenvolvimento do SAGE Monitorador foi submetido a testes em ambientes de laboratório do Cepel e da Axia Energia, nas regiões Sul e Nordeste. Os ensaios utilizaram tráfego IEC 61850 real e simulado, arquivos de engenharia de subestações digitais e cenários controlados de falhas.
Os testes permitiram avaliar o comportamento da solução diante de diferentes situações operacionais. Entre os eventos identificados estão ausência de fluxos esperados, mensagens não previstas, atrasos de publicação, inconsistências de configuração, falhas de sequência e problemas de sincronismo.
Os resultados indicam potencial para reduzir o tempo necessário ao diagnóstico e ampliar a visibilidade sobre a infraestrutura de comunicação das subestações.
Automação reduz etapas de implantação
Outro elemento da solução é a automação do processo de configuração. O SAGE Monitorador consegue processar os arquivos de configuração da subestação, preparar os parâmetros necessários ao acompanhamento da rede e organizar os dados em dashboards e painéis.
Com isso, informações que normalmente ficam distribuídas entre diferentes registros e ferramentas podem ser consolidadas em um ambiente de supervisão. Operadores e equipes de manutenção passam a ter acesso a históricos, indicadores de desempenho e alarmes para acompanhar a evolução dos eventos.
A arquitetura também aproxima o diagnóstico técnico da operação, permitindo que ocorrências identificadas na infraestrutura de comunicação sejam incorporadas ao processo de tomada de decisão.
Manutenção preditiva ganha espaço
Além da resposta a falhas já ocorridas, o monitoramento contínuo cria condições para uma abordagem mais preditiva da manutenção. A identificação de padrões anormais pode antecipar problemas e permitir que as equipes atuem antes que uma degradação da comunicação afete a operação da subestação.
Para o setor elétrico, o avanço é particularmente relevante à medida que a digitalização aumenta a dependência de redes de comunicação para proteção, automação, supervisão e controle dos ativos.
O SAGE Monitorador amplia, nesse contexto, a função do SAGE ao incorporar uma camada específica de análise da infraestrutura de comunicação. A combinação entre monitoramento em tempo real, diagnóstico automatizado e integração com o ambiente operacional busca reduzir custos e aumentar a confiabilidade das subestações digitais.



