ABGD e UNIFEI buscam referências internacionais para modernizar redes e ampliar MMGD no Brasil

Missão técnica passará por Europa, Ásia e Estados Unidos para avaliar DSO, armazenamento, digitalização e modelos regulatórios aplicados à integração de recursos energéticos distribuídos

A Associação Brasileira dos Recursos Energéticos Distribuídos (ABGD) e a Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), por meio do Centro de Excelência em Eficiência Energética (EXCEN) e da Fundação Theodomiro Santiago (FTS), vão realizar uma missão internacional para avaliar soluções voltadas à modernização das redes elétricas e à expansão da micro e minigeração distribuída (MMGD) no Brasil.

O roteiro será dividido em três etapas e passará por França, Inglaterra, Alemanha, China e Estados Unidos, com agendas em Paris, Londres, Colônia, Pequim, Shenzhen, San Diego e Los Angeles. A iniciativa pretende aproximar instituições brasileiras de experiências internacionais relacionadas à integração de recursos energéticos distribuídos (DER), armazenamento em baterias (BESS), digitalização das redes e atuação do Distribution System Operator (DSO).

A programação começa no fim de agosto de 2026, com participação no Distribution Day do CIGRÉ 2026, em Paris, e será concluída em março de 2027, na Califórnia.

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Crescimento da MMGD pressiona evolução das redes

A expansão da geração distribuída altera o fluxo tradicional de energia nas redes de distribuição e aumenta a necessidade de ferramentas para monitoramento, controle e gestão de recursos conectados em diferentes pontos do sistema. Nesse cenário, a missão pretende avaliar como mercados que já convivem com maior presença de geração distribuída estão adaptando suas redes, modelos de operação e estruturas regulatórias.

Para Christino Áureo da Silva, conselheiro e vice-presidente de Relações Institucionais e Governamentais da ABGD, o intercâmbio internacional pode contribuir para aproximar o setor brasileiro de soluções utilizadas em outros mercados: “É uma grande satisfação para a ABGD construir essa agenda internacional com a UNIFEI. O intercâmbio de conhecimento é fundamental para aproximar o Brasil das melhores práticas globais e fortalecer soluções alinhadas aos desafios do nosso setor elétrico, especialmente para garantir que a rede esteja pronta para absorver o crescimento da geração distribuída.”

Além da expansão da MMGD, a agenda inclui discussões sobre flexibilidade, digitalização, armazenamento e novos modelos de operação das redes de distribuição.

DSO e flexibilidade entram no foco regulatório

A transformação das redes coloca em debate a evolução do papel das distribuidoras e a possibilidade de adoção de modelos mais próximos do conceito de DSO, nos quais a operação da distribuição incorpora maior capacidade de coordenação de recursos energéticos distribuídos.

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A agenda europeia terá como principal referência o Distribution Day do CIGRÉ 2026, em Paris. O programa também contempla reuniões em Londres e Colônia para analisar mecanismos regulatórios, flexibilidade e novas formas de gestão das redes.

O diretor-presidente da ABGD, Luiz Fernando Leone Vianna, destaca que a experiência internacional pode subsidiar discussões sobre a evolução do mercado brasileiro: “O crescimento acelerado da MMGD no Brasil traz oportunidades, mas também exige redes mais inteligentes, flexíveis e bem reguladas. Essa missão vai trazer aprendizados práticos de mercados que já estão lidando com alta penetração de recursos energéticos distribuídos e vai ajudar o Brasil a construir regulações e modelos de negócio mais eficientes e seguros para os consumidores e para o sistema.”

A avaliação de modelos estrangeiros também deverá abranger a relação entre distribuidoras, consumidores, recursos energéticos distribuídos e agentes responsáveis pela operação do sistema.

China concentra tecnologias de rede e armazenamento

A segunda etapa da missão ocorrerá em novembro de 2026, com visitas a Pequim e Shenzhen. O foco será a aplicação de tecnologias de rede, integração da geração distribuída, armazenamento de energia e soluções digitais relacionadas ao conceito de DSO.

A programação prevê contato com empresas e instituições que atuam no desenvolvimento de equipamentos, sistemas digitais e tecnologias para redes elétricas. O objetivo é observar aplicações em escala e identificar soluções que possam ser adaptadas às características técnicas, regulatórias e econômicas do sistema brasileiro.

Califórnia reúne inovação e experiência das concessionárias

A terceira etapa está prevista para março de 2027, com uma agenda de cinco dias em San Diego e Los Angeles. A programação terá como foco a integração entre tecnologia, regulação e inovação, além de experiências de concessionárias que operam redes com elevada participação de MMGD e DER.

A Califórnia tem relevância para a agenda brasileira por concentrar discussões sobre integração de geração distribuída, armazenamento, flexibilidade e digitalização das redes. A escolha dos destinos considera características específicas de cada mercado.

O vice-presidente da ABGD explica os critérios utilizados na elaboração do roteiro: “Cada destino foi escolhido por uma característica específica. O CIGRÉ traz a visão global dos desafios das redes; a Inglaterra é referência em regulação e flexibilidade para geração distribuída; a Alemanha e a China demonstram aplicação em larga escala de tecnologia e digitalização; e a Califórnia reúne casos avançados de integração entre mercado, concessionárias e inovação com foco em DER.”

Missão terá participação de diferentes agentes

Além da agenda institucional, o programa prevê reuniões com concessionárias, fabricantes, universidades, centros de pesquisa e formuladores de políticas públicas. A intenção é combinar referências internacionais com demandas específicas do mercado brasileiro. Entre os temas previstos estão redes elétricas inteligentes, modernização da distribuição, MMGD, BESS, DER, DSO e regulação para integração de novos recursos à rede.

Para Raquel Rocha, diretora de Assuntos Regulatórios e Tributários da ABGD, a antecipação dos desafios regulatórios é necessária diante da transformação das redes de distribuição: “A expansão da MMGD exige uma nova visão sobre planejamento, operação e regulação das redes de distribuição. Queremos acompanhar de perto mercados que já enfrentam esses desafios e trazer referências que contribuam para remover barreiras e viabilizar o crescimento sustentável da geração distribuída no Brasil.”

A proposta é transformar os resultados das agendas internacionais em conhecimento aplicável ao ambiente regulatório e empresarial brasileiro. A diretora destaca essa etapa como um dos objetivos da iniciativa: “Queremos transformar esse intercâmbio em conhecimento aplicado, com recomendações que apoiem empresas, reguladores e agentes públicos na construção de um ambiente mais eficiente, seguro e sustentável para a geração distribuída.”

Curadoria técnica ficará com a Thymos Energia

A curadoria técnica da missão será conduzida pela Thymos Energia, sob coordenação de João Carlos Mello. A participação da consultoria terá como objetivo estruturar a agenda técnica, aproximar os participantes dos principais atores dos mercados visitados e organizar os aprendizados obtidos ao longo do roteiro.

A iniciativa ocorre em um momento em que a expansão da MMGD exige novas respostas do setor elétrico brasileiro. O aumento da geração conectada à distribuição, associado à disseminação de baterias e outros recursos energéticos distribuídos, amplia a necessidade de redes capazes de operar com maior flexibilidade e visibilidade.

Ao buscar experiências internacionais em diferentes estágios de desenvolvimento, a ABGD e a UNIFEI pretendem reunir referências para subsidiar a evolução tecnológica e regulatória da distribuição no Brasil, com foco na integração segura dos novos recursos ao sistema elétrico.

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