Decisão da 6ª Vara Empresarial do RJ concede proteção de 60 dias ao grupo de geração distribuída, que aponta atrasos de conexão por distribuidoras e juros altos para crise de liquidez
O Grupo Thopen, um dos maiores nomes no segmento de Geração Distribuída (GD) e gestão de energia no país, obteve na Justiça do Rio de Janeiro uma medida cautelar de urgência que suspende a execução de suas dívidas pelo prazo de 60 dias. A companhia alegou um quadro agudo de escassez de liquidez, mas sustentou que a situação é reversível mediante uma renegociação estruturada com seus principais credores.
A decisão foi proferida pelo juiz Victor Agustin Cunha Jaccoud Diz Torres, da 6ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro. A tutela antecipada visa garantir a preservação dos ativos do grupo e criar um ambiente seguro para a elaboração e apresentação de um plano de recuperação judicial formal.
Dada a complexidade da estrutura corporativa e a abrangência das operações, o magistrado nomeou conjuntamente os escritórios Pinto Machado Advogados e VPJ Administração Judicial para atuarem como administradores judiciais. Torres ressaltou a dimensão do grupo, composto por 54 empresas e com papel relevante no atendimento a clientes no mercado livre e na GD, para fundamentar a medida de urgência: “Os impactos de uma eventual interrupção das operações recaem sobre serviços essenciais prestados à população.”
Combinação de falhas de gestão e gargalos regulatórios no setor
Na petição inicial, o grupo expôs que o déficit acumulado em seu capital de giro é fruto da combinação entre decisões estratégicas equivocadas tomadas por gestões anteriores e vetores conjunturais adversos do mercado elétrico brasileiro.
No âmbito operacional e regulatório, a Thopen apontou como obstáculo determinante os atrasos recorrentes de distribuidoras de energia elétrica em efetivar a conexão à rede de usinas que já se encontram prontas para gerar. Essa retenção no fluxo de comissionamento impediu a entrada de receitas operacionais previstas no planejamento financeiro de médio prazo.
Além dos gargalos de infraestrutura, a empresa destacou a presença de ativos no portfólio que ainda não atingiram o estágio operacional ou que operam abaixo da margem esperada para cobrir o serviço da dívida. Esse cenário foi agravado pela elevação expressiva das taxas de juros no país, que encareceu a estrutura de capital e encareceu os custos de rolagem do passivo.
Impacto no ecossistema de geração distribuída
O caso da Thopen acende o alerta no mercado de geração distribuída e comercialização de energia, setor que passou por um forte ciclo de consolidação e alavancagem nos últimos anos. A paralisação temporária das cobranças buscará viabilizar um plano de reestruturação de dívida sem interromper a prestação dos serviços às milhares de unidades consumidoras vinculadas à sua plataforma.
Os próximos dois meses serão decisivos para que a administração judicial e os assessores do grupo apresentem o plano de recuperação e estabeleçam os termos de repactuação com fornecedores, investidores e instituições financeiras.



