Projeto Encosta Verde converteu solo vulnerável no Morro da Boa Vista em planta solar de 2,7 mil módulos, gerando alívio fiscal anual de R$ 1,6 milhão para a administração municipal.
A Prefeitura de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, inaugurou um empreendimento que une transição energética, mitigação de riscos climáticos e infraestrutura urbana sustentável. Localizado no Morro da Boa Vista, o novo parque solar desponta como a primeira usina fotovoltaica de grande porte instalada em uma comunidade do município. O diferencial do projeto reside na engenharia de ocupação territorial: o complexo foi implantado em uma vertente que historicamente registrava riscos severos de deslizamentos de terra e incêndios em vegetação, convertendo um solo vulnerável em um ativo estratégico de geração de energia limpa.
A usina funciona como o projeto-piloto do programa “Encosta Verde”, iniciativa transversal voltada à reestruturação de encostas urbanas vulneráveis por meio da recuperação ambiental, segurança de solo e implantação de fontes renováveis. Sob as regras da Micro e Minigeração Distribuída (MMGD), toda a energia gerada no local será injetada na rede de distribuição da concessionária local para compensação de créditos. A estratégia mitiga de forma direta as despesas de custeio com eletricidade da máquina pública e as emissões de gases de efeito estufa vinculadas às atividades administrativas da cidade.
Sinergia entre Engenharia Fotovoltaica e Defesa Civil
A coordenação geral do empreendimento ficou sob a governança da Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Civil, que condicionou o desenho técnico da planta às necessidades de estabilização do terreno. Ao todo, o parque solar ocupa uma poligonal superior a 35 mil m² de área útil.
Para a conversão da radiação solar em energia elétrica, foram instalados mais de 2,7 mil módulos fotovoltaicos de alta eficiência. A disposição das estruturas de fixação e das placas foi planejada para funcionar de maneira sinérgica com o sistema de drenagem de águas pluviais da encosta. Essa configuração minimiza a força de escoamento superficial da água sobre o solo do Morro da Boa Vista e mitiga os riscos associados a eventos climáticos extremos, comuns em áreas de relevo acentuado.
Viabilidade Regulatória e Retorno do Investimento em MMGD
A modelagem do projeto não seguiu apenas parâmetros puramente técnicos, mas também de inclusão comunitária. A proposta foi desenvolvida em conjunto com moradores de cinco comunidades da região periférica do Morro da Boa Vista. A administração municipal conduziu um processo participativo para que a inserção da usina solar funcionasse como um indutor de revitalização urbana, gerando emprego local durante as obras e promovendo uma ocupação ordenada e segura do território.
Do ponto de vista econômico-financeiro, os indicadores operacionais da planta confirmam a viabilidade regulatória do modelo de autoconsumo remoto para a gestão pública:
| Indicador Financeiro e Operacional | Dados Oficiais do Empreendimento |
| Investimento Total (CAPEX) | R$ 7,7 milhões |
| Geração Estimada | 150 mil kWh / mês |
| Economia Projetada | R$ 1,6 milhão / ano em faturamento de energia |
| Destinação dos Créditos | Prédios públicos e autarquias municipais de Niterói |
Considerando os números oficiais fornecidos pela prefeitura, o payback estimado do investimento inicial deve ocorrer em menos de cinco anos. O retorno financeiro de longo prazo será revertido em novos investimentos sociais dentro das próprias comunidades integradas ao projeto, mitigando a exposição do município às oscilações de bandeiras tarifárias e reajustes homologados pela Aneel.



