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Vestas e SENAI criam curso inédito de eletromecânica para suprir gargalo eólico no RN

Vestas e SENAI criam curso inédito de eletromecânica para suprir gargalo eólico no RN

Parceria entre Vestas e SENAI forma primeira turma de eletromecânica voltada exclusivamente ao setor eólico, enquanto fabricante amplia carteira de projetos e fortalece operação no Brasil

A retomada dos investimentos em energia eólica no Brasil começa a evidenciar um desafio que acompanha a expansão das fontes renováveis: a disponibilidade de profissionais qualificados para atender à crescente demanda por implantação, operação e manutenção de parques. Em resposta a esse cenário, a Vestas e o SENAI concluíram, em Lagoa Nova (RN), a primeira turma brasileira de um curso técnico em Eletromecânica desenvolvido exclusivamente para a indústria eólica.

A iniciativa reúne formação técnica e aprendizagem prática dentro da operação da fabricante dinamarquesa, criando um modelo voltado às necessidades específicas do segmento. Ao todo, 28 jovens, com idades entre 18 e 24 anos, concluíram um ciclo de dois anos de capacitação enquanto atuavam como aprendizes da empresa.

O programa foi estruturado pelo SENAI Nacional, pelo SENAI-RN e pelo Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (CTGAS-ER), com foco na preparação de profissionais aptos a atuar desde o comissionamento até a manutenção de aerogeradores de última geração.

Formação acompanha novo ciclo de investimentos

A criação do curso ocorre em um momento de recuperação gradual do mercado eólico brasileiro. Depois de um período marcado pela desaceleração na contratação de novos empreendimentos, resultado da combinação entre sobreoferta de energia, aumento dos custos financeiros e desafios na cadeia global de suprimentos, o setor volta a registrar investimentos relevantes em novos parques.

Nesse contexto, a formação de profissionais especializados passa a ser considerada um elemento estratégico para sustentar a expansão da capacidade instalada e garantir maior eficiência operacional ao longo da vida útil dos ativos.

A diretora do SENAI/CTGAS-ER, Amora Vieira, destaca que a proposta busca aproximar a formação técnica da realidade encontrada nos parques eólicos: “A parceria entre o SENAI e a Vestas na formação de Técnicos em Eletromecânica representa uma iniciativa estratégica para fortalecer a educação profissional e contribuir para o desenvolvimento de talentos preparados para atender às demandas da indústria. Para o SENAI, o grande desafio é levar uma formação técnica de qualidade até onde os alunos estão, promovendo uma aprendizagem que una conhecimento teórico e experiência prática.”

Novos contratos ampliam demanda por profissionais

A necessidade de ampliar a oferta de mão de obra especializada acompanha a expansão recente da carteira da Vestas na América Latina. A fabricante confirmou recentemente contratos que somam aproximadamente 1,1 GW de capacidade instalada em novos projetos no Brasil. Entre eles estão o Complexo Dom Inocêncio, no Piauí, desenvolvido pela Casa dos Ventos, e o Complexo Esquina do Vento, no Rio Grande do Norte, atualmente pertencente à Equinor após aquisição do portfólio da Rio Energy.

Os empreendimentos representam uma das maiores contratações de aerogeradores anunciadas no mercado brasileiro desde 2023 e deverão ampliar a demanda por técnicos qualificados para montagem, comissionamento e serviços de operação e manutenção.

Ao avaliar esse novo ciclo, o CEO da Vestas para a América Latina, Eduardo Ricotta, ressalta que o crescimento da indústria dependerá da capacidade de desenvolver profissionais especializados. “O Brasil já demonstrou sua competitividade na geração de energia renovável. O próximo ciclo de crescimento da energia eólica dependerá não apenas de novos investimentos, mas também da capacidade de desenvolver talentos e preparar pessoas para os empregos que essa transição energética vai gerar. Iniciativas como esta mostram que a transição energética também é uma transição social, capaz de criar oportunidades reais de desenvolvimento para as comunidades e fortalecer a competitividade do setor no longo prazo.”

Currículo foi desenvolvido para a realidade dos parques eólicos

Ao contrário dos cursos tradicionais de eletromecânica, o programa foi estruturado com foco nas atividades executadas diariamente pelas equipes de campo. Durante os dois anos de formação, os alunos participaram de módulos voltados à segurança em altura, sistemas hidráulicos e mecânicos, automação industrial, manutenção de aerogeradores e diagnóstico de falhas, competências consideradas essenciais para equipamentos que incorporam níveis crescentes de digitalização e monitoramento remoto.

Para o vice-presidente de Pessoas e Cultura da Vestas para a América Latina, João Guilherme Alves, aproximar o ambiente educacional da indústria é uma condição para acompanhar a evolução tecnológica do setor: “Formar talentos é uma agenda estratégica para o futuro do setor eólico no Brasil. Por isso, buscamos construir, junto ao SENAI, um programa pioneiro capaz de aproximar educação e indústria, preparando profissionais para responder às demandas de um mercado cada vez mais tecnológico e sofisticado.”

Programa amplia impacto nas comunidades locais

Além da formação dos aprendizes, a iniciativa incorporou uma frente voltada ao desenvolvimento social das comunidades próximas aos parques eólicos. Uma segunda turma, composta por 38 moradores da região de Lagoa Nova, recebeu capacitação direcionada para atividades de apoio operacional, logística e serviços ligados à cadeia de fornecimento da indústria.

A estrategista de Marketing Communications & ESG da Vestas para a América Latina, Luciana Leite, observa que a iniciativa representa a evolução de uma parceria construída ao longo dos últimos anos: “Nossa parceria com o SENAI começou há mais de cinco anos, por meio de diferentes iniciativas voltadas ao desenvolvimento social e à formação de talentos. Ao longo dessa trajetória, já impactamos mais de 250 pessoas. Este programa representa uma evolução natural dessa colaboração ao aproximar ainda mais educação e mercado de trabalho, criando oportunidades concretas para jovens e fortalecendo o desenvolvimento das regiões onde atuamos.”

Mercado de serviços amplia necessidade de qualificação

A formação de profissionais também acompanha a expansão da atividade de operação e manutenção (O&M), segmento que vem assumindo papel cada vez mais relevante para os fabricantes de aerogeradores. Nos últimos cinco anos, a carteira de ativos atendidos pela área de serviços da Vestas no Brasil passou de 1,6 GW para mais de 12 GW em contratos de longo prazo.

Essa expansão exige equipes técnicas distribuídas nas regiões onde os parques estão instalados, capazes de manter elevados índices de disponibilidade das turbinas e reduzir o tempo de resposta para intervenções corretivas e preventivas.

Para o head da LATAM Vestas Academy, Maycon Silva, a iniciativa demonstra que o desenvolvimento do setor depende da construção conjunta entre indústria e instituições de ensino: “Este programa nasceu do entendimento de que o crescimento sustentável da indústria eólica passa necessariamente pela formação de pessoas. O resultado que celebramos hoje só foi possível graças ao comprometimento extraordinário das equipes da Vestas e do SENAI, que se dedicaram além do esperado para construir um modelo pioneiro no país. Mais do que formar profissionais, estamos contribuindo para preparar a próxima geração de talentos que apoiará o desenvolvimento do setor eólico brasileiro.”

A combinação entre novos investimentos, expansão da base instalada e crescimento do mercado de serviços reforça que a formação de mão de obra especializada deixou de ser apenas uma agenda de responsabilidade social para se consolidar como um fator estratégico para a competitividade da energia eólica no Brasil. À medida que o setor retoma seu ritmo de crescimento, iniciativas voltadas à qualificação profissional tendem a ganhar protagonismo na sustentação da cadeia produtiva das fontes renováveis.