Dados do PMO apontam cenário confortável para o SIN, liderado pelo armazenamento nas regiões Norte e Nordeste; CMO converge para R$ 240,20 na maior parte do país
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgou as novas projeções operacionais para o fechamento do mês, indicando um cenário de segurança hidroenergética confortável para a travessia do período seco no Sistema Interligado Nacional (SIN). De acordo com os dados do boletim do Programa Mensal de Operação (PMO) para a semana operativa entre os dias 20 e 26 de junho, três dos quatro subsistemas do país devem encerrar o mês com níveis de Energia Armazenada (EAR) superiores a 60%.
O subsistema Norte apresenta a perspectiva mais favorável do país, com previsão de atingir 97,0% de sua capacidade máxima de armazenamento. Na sequência, o Nordeste desponta com uma projeção de 89,5% de EAR, enquanto a região Sudeste/Centro-Oeste, principal caixa d’água do sistema, deve consolidar 65,6%. O subsistema Sul, embora ligeiramente abaixo da linha dos demais, mantém patamar resiliente com estimativa de alcançar 59,0% de energia armazenada ao final de junho.
Monitoramento estratégico e garantia de suprimento
A manutenção de níveis elevados de armazenamento no encerramento do primeiro semestre reflete a estratégia de otimização dos recursos hidráulicos adotada pelo operador, mitigando a necessidade de acionamento precoce de parques térmicos de alto custo e preservando a modicidade tarifária.
O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, reforça o compromisso institucional com a governança dos recursos hídricos face às oscilações sazonais: “O Operador mantém o monitoramento dos níveis dos reservatórios, preservando recursos para a travessia do período seco e avaliando a evolução dos cenários para adotar as medidas operativas adequadas, garantindo a segurança e a confiabilidade do SIN, com pleno atendimento à sociedade.”
Em termos de Energia Natural Afluente (ENA), o Sudeste/Centro-Oeste, que concentra cerca de 70% da capacidade de armazenamento do SIN, tem previsão de fechar o mês com afluências em 89% da Média de Longo Termo (MLT). Para os demais subsistemas, as estimativas de ENA indicam 64% da MLT no Sul, 59% da MLT na região Norte e 57% da MLT no Nordeste.
Comportamento da carga e convergência de preços no mercado
O relatório do ONS também mapeia o comportamento da demanda por energia no fechamento do mês, traçando um comparativo de junho de 2026 em relação ao mesmo período de 2025. Para o cômputo geral do SIN, a projeção indica uma expansão sutil de 0,9% na carga, totalizando 77.774 MWmed.
Esse crescimento é tracionado marcadamente pelos vetores regionais do Norte e do Nordeste. O subsistema Norte projeta uma elevação substancial de 5,5% na demanda (8.530 MWmed), seguido de perto pelo Nordeste, com alta estimada de 5,3% (13.441 MWmed). Em contrapartida, as regiões de maior peso econômico dão sinais de estabilização ou retração: o Sudeste/Centro-Oeste aponta estabilidade com recuo marginal de 0,1% (42.641 MWmed), enquanto o Sul prevê uma retração de 1,7% na carga (13.349 MWmed).
Quanto às variáveis de preço, o Custo Marginal de Operação (CMO) demonstrou forte convergência regulatória em quase todo o país. Os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Nordeste compartilham do mesmo patamar de preço, fixado em R$ 240,20/MWh. A exceção operacional fica por conta da região Norte, cujo CMO projetado se posiciona em R$ 289,25/MWh, refletindo as restrições de interconexão e as especificidades do despacho local.



