BRICS unem energia nuclear e computação quântica para blindar reatores

Declaração conjunta apresentada em Moscou prevê o uso de supercomputação para otimizar processos logísticos, desenvolver novos materiais e gerenciar o forte crescimento de capacidade instalada do bloco até 2030.

Os países membros da Plataforma de Energia Nuclear dos BRICS formalizaram uma estratégia conjunta para acelerar a integração entre a computação quântica e o desenvolvimento da geração termonuclear. Durante o Fórum de Tecnologias Quânticas dos BRICS, realizado em Moscou, as delegações defenderam a intensificação dos esforços de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) no segmento de supercomputação. O objetivo central é converter o processamento quântico em um pilar de sustentação para os sistemas energéticos do futuro, ampliando as margens de confiabilidade e a eficiência do parque gerador de base do bloco.

O movimento ocorre em um momento de forte expansão da fonte atômica entre as economias que integram o mecanismo intergovernamental. Projeções internas indicam que o bloco deve capitanear cerca de dois terços do crescimento da capacidade nuclear global até 2030. Nesse panorama de expansão da infraestrutura e busca por metas agressivas de descarbonização (ESG), a computação quântica passa a ser tratada como ferramenta de soberania tecnológica e segurança de suprimento.

Modelagem computacional e a engenharia de novos materiais

A complexidade técnica que envolve a engenharia nuclear, desde o comportamento físico-químico dos combustíveis em reatores até a simulação de cenários de estresse severo, exige uma capacidade de processamento que desafia os limites da computação clássica. A adoção de algoritmos quânticos visa preencher esse gap, otimizando os fluxos logísticos de suprimento e o desenvolvimento de ligas metálicas mais resilientes.

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A posição unânime dos signatários quanto ao papel disruptivo desse ecossistema digital foi consolidada no manifesto técnico emitido pela governança da entidade: “Reconhecemos o potencial significativo da computação quântica para os usos pacíficos da energia nuclear na resolução de uma ampla gama de desafios de modelagem e engenharia, na otimização de processos produtivos e logísticos e ao desenvolvimento de novos materiais e tecnologias destinados a ampliar ainda mais a eficiência, a segurança e a confiabilidade da energia nuclear como um todo.”

Compartilhamento de know-how e o papel da Rosatom

A governança do bloco pretende criar um ecossistema de inovação aberta para evitar assimetrias tecnológicas entre os países parceiros. O plano prevê que os avanços obtidos pelas potências nucleares do grupo sejam compartilhados para acelerar a formação de engenheiros e cientistas nos demais mercados do bloco.

A coordenadora-chefe da Plataforma de Energia Nuclear dos BRICS, Elsie Pule, aponta a computação quântica como um vetor de transformação socioeconômica de longo prazo e detalha as metas colaborativas da cooperação: “Nossa missão é garantir que as tecnologias nucleares avançadas contribuam para melhorar a qualidade de vida da humanidade. As primeiras aplicações da computação quântica na indústria nuclear russa já demonstraram o potencial significativo dessa tecnologia para tornar a geração de energia nuclear mais eficiente e confiável. O conhecimento e a experiência acumulados nessa área devem estar acessíveis a todos os participantes da Plataforma de Energia Nuclear dos BRICS. Esperamos que, com o apoio da Rosatom, sejam desenvolvidas em breve iniciativas voltadas ao compartilhamento de conhecimento em computação quântica e ao avanço de pesquisas colaborativas, ajudando-nos a cumprir nossa missão de servir tanto ao progresso tecnológico quanto à humanidade.”

A inserção do Brasil no cenário nuclear global

A Plataforma de Energia Nuclear dos BRICS foi concebida para atuar no fomento da fonte termonuclear como energia limpa, estimulando novos modelos de negócios e a difusão de melhores práticas regulatórias. O arranjo institucional teve o Brasil como um de seus membros fundadores em outubro de 2024, representado ativamente pela Associação Brasileira para Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN).

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O colegiado original, composto por empresas e órgãos da Rússia, China, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Irã, Etiópia e Bolívia, expandiu seu escopo político em 2025. O fortalecimento institucional do grupo ganhou tração com o ingresso da Autoridade de Usinas Nucleares do Egito (NPPA) e da holding brasileira Nucleo Brasil Energia Participações Ltda. (NBEPar).

Atualmente, o consórcio de cooperação congrega corporações globais de alta relevância no mercado de downstream e upstream nuclear, incluindo a estatal russa Rosatom, a chinesa CNNC, as sul-africanas NECSA e Eskom, além da iraniana NPPD e da boliviana ABEN, desenhando uma nova geografia de investimentos e inovação tecnológica para o setor elétrico global.

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