BNDES garante Fundo Clima para financiar baterias no LRCAP 2026

Banco terá até R$ 34 bilhões disponíveis no fundo e prepara linhas de crédito com taxas atrativas para impulsionar a cadeia nacional de sistemas de armazenamento

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) confirmou que dispõe de capacidade financeira para apoiar os projetos de sistemas de armazenamento por baterias (BESS, na sigla em inglês) que forem contratados no Leilão de Reserva de Capacidade na forma de Potência (LRCAP) de 2026. A sinalização do banco reduz uma das principais incertezas em torno da viabilização econômica dos empreendimentos e fortalece as perspectivas de consolidação do mercado de armazenamento em larga escala no Brasil.

Previstos pelo Ministério de Minas e Energia (MME) para os dias 2 and 4 de dezembro, os certames marcarão a entrada estruturada das baterias na matriz elétrica brasileira, em um momento de crescente necessidade de flexibilidade operativa e reforço da confiabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Além de ampliar a segurança energética, a iniciativa busca criar condições para o desenvolvimento de uma cadeia industrial local voltada ao armazenamento de energia, combinando financiamento de longo prazo, estímulos à inovação e requisitos graduais de conteúdo nacional.

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Fundo Clima será principal fonte de financiamento

A estratégia do BNDES prevê a combinação de diferentes instrumentos financeiros para apoiar os investimentos em armazenamento de energia. O principal mecanismo de fomento será o Fundo Clima, que atualmente opera com taxas reembolsáveis de 6,5% ao ano.

Durante encontro com jornalistas na sede do banco, no Rio de Janeiro, o diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, destacou a robustez do orçamento disponível para sustentar a expansão dos investimentos em tecnologias de descarbonização e infraestrutura energética: “Temos R$ 27 bilhões no orçamento deste ano, que pode chegar a R$ 34 bilhões se o governo assim quiser e se o Congresso aprovar. Para o ano que vem, também haverá recursos.”

Embora o volume de recursos esteja assegurado, o dimensionamento definitivo das linhas de crédito dependerá da capacidade de armazenamento a ser contratada no leilão e das definições regulatórias que ainda estão em análise pelo MME. O executivo ressaltou que a modelagem financeira dos projetos está sendo construída com foco na sustentabilidade econômica dos investimentos e na criação de um ambiente favorável à expansão do setor.

LRCAP inaugura mercado de baterias em larga escala no Brasil

O LRCAP 2026 é considerado um marco para o setor elétrico brasileiro por criar um modelo de contratação específico para sistemas de armazenamento. A proposta do governo prevê a realização de dois certames independentes:

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  • LRCAP de 2026 – Armazenamento Nacional: Destinado a projetos que atendam aos requisitos mínimos de conteúdo local.
  • LRCAP de 2026 – Armazenamento: Aberto à ampla concorrência entre os proponentes, independentemente da origem dos equipamentos.

A estrutura busca equilibrar dois objetivos estratégicos: garantir competitividade na contratação de capacidade para o sistema elétrico e estimular a instalação de novos elos industriais no país. Especialistas do setor avaliam que o desenho do leilão poderá acelerar a inserção dos sistemas BESS em aplicações voltadas ao deslocamento de carga, suporte à operação do SIN e integração de fontes renováveis intermitentes, como a geração solar e eólica.

Linhas de inovação buscam atrair fabricantes globais

Além do Fundo Clima, o BNDES pretende utilizar a linha BNDES Mais Inovação para fomentar o desenvolvimento tecnológico e incentivar a nacionalização gradual da cadeia produtiva.

O diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do banco, José Luis Gordon, afirmou que o modelo desenhado para o LRCAP tem despertado o interesse de fabricantes internacionais: “Temos visto empresas europeias e mesmo empresas chinesas, em função do conteúdo local, demonstrando interesse de vir para cá, porque estão querendo descentralizar a produção e desenvolver as tecnologias aqui. O Brasil, hoje, é uma bola da vez.”

De acordo com o executivo, as condições oferecidas pela linha de inovação poderão ser um diferencial competitivo para atrair investimentos produtivos: “Para quem quiser desenvolver tecnologia aqui, a linha do Mais Inovação é a nossa linha mais barata, que é a TR [Taxa Referencial], em torno de 2% ao ano, mais os spreads.”

Conteúdo local será implementado de forma gradual

Os critérios definitivos de nacionalização ainda estão em avaliação pelo BNDES, mas a expectativa é que os projetos tenham de atender a um percentual mínimo inicial de conteúdo local para acessar as linhas de financiamento. A proposta em discussão prevê um índice de aproximadamente 15%, com aumento progressivo nos anos seguintes.

Na visão de Nelson Barbosa, a construção da cadeia nacional de armazenamento ocorrerá de forma gradual, permitindo que as empresas definam as estratégias mais adequadas para cumprir as exigências regulatórias: “O conteúdo local começa pequeno e vai crescendo. Tem maneiras de você cumprir esse conteúdo local com várias atividades. O mercado vai resolver isso. Não precisa, por exemplo, produzir a célula de bateria imediatamente. Tem que montar a bateria aqui até 2028.”

A diretriz indica que o processo de nacionalização deverá priorizar, em um primeiro momento, a montagem de sistemas, a integração de componentes e o desenvolvimento de soluções de gerenciamento e controle, antes de avançar para etapas mais complexas da cadeia produtiva, como a fabricação de células.

Armazenamento ganha protagonismo na transição energética

O avanço do armazenamento em baterias é considerado fundamental para enfrentar os desafios operacionais decorrentes da expansão acelerada das fontes renováveis variáveis no Brasil. Com o crescimento da geração eólica e solar, aumenta a necessidade de soluções capazes de oferecer flexibilidade e serviços ancilares ao sistema elétrico.

Nesse contexto, a atuação do BNDES tende a desempenhar um papel decisivo para reduzir o custo de capital dos projetos e criar as bases para a formação de um mercado doméstico de armazenamento de energia, considerado estratégico para a segurança energética e para a competitividade da indústria nacional.

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