Operação estruturada via subsidiária Gerais Saneamento marca nova fronteira de expansão de ativos da holding de infraestrutura; liquidação financeira ocorre nesta terça-feira e exercício de direitos políticos aguarda aval do Cade.
A Equatorial S.A. consolidou um avanço estratégico central na diversificação de seu portfólio de ativos regulados no Brasil. Em fato relevante divulgado ao mercado, a holding de infraestrutura e utilidades públicas confirmou que sua subsidiária integral, a Gerais Saneamento S.A., obteve a alocação final de 114.075.921 ações ordinárias da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa MG). O lote, que estava sob a titularidade do Estado de Minas Gerais, representa exatamente 30% do capital social votante da estatal mineira de saneamento.
O montante totalizado pela transação alcançou a marca de R$ 5.593.142.406,63. A consolidação da operação financeira cumpre o cronograma complementar de avisos ao mercado iniciados no começo do mês de junho e insere de forma robusta o grupo multisserviços na governança do mercado de saneamento da Região Sudeste. A liquidação física e financeira do volume de ações na bolsa está programada para ocorrer nesta terça-feira, 16 de junho de 2026.
Governança transitória e rito de conformidade concorrencial
Embora o aporte bilionário garanta a titularidade imediata das ações após a liquidação, o fechamento integral do negócio e a consequente influência na gestão da estatal mineira dependem de trâmites regulatórios federais. O direcionamento legal do investimento submete a operação ao crivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Até que o órgão antitruste avalie as estruturas de mercado afetadas e publique sua homologação definitiva, as prerrogativas de voto da nova acionista minoritária relevante seguirão suspensas, conforme aponta o documento oficial da holding: “O Investimento está sujeito à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), sendo que o exercício dos direitos políticos inerentes às ações adquiridas permanecerá suspenso até que o CADE aprove a operação.”
Com o cumprimento desse rito documental e legal, as estruturas financeiras da Equatorial passarão a contabilizar a equivalência patrimonial de uma das maiores operadoras de água e esgoto do país, repetindo o modelo de consolidação multisserviços que o grupo já realiza em concessões estaduais de energia elétrica, transmissão e ativos de saneamento no Amapá.
A estratégia de expansão da Equatorial em ativos regulados
A entrada no capital da Copasa corrobora a tese de investimento da Equatorial focada na captura de valor em ativos de infraestrutura com receitas previsíveis e indexadas à inflação. Analistas de mercado apontam que a expertise do grupo em eficiência operacional e saneamento financeiro, testada no turn-around de diversas distribuidoras de energia do Norte e Nordeste, além da recente entrada na Sabesp via investidor de referência, servirá como vetor para maximizar as margens de rentabilidade e os planos de investimento da Copasa em solo mineiro.
Por se tratar de uma transação via oferta secundária (block trade de ações detidas pelo próprio Estado), o capital aportado entra diretamente nos cofres do Tesouro mineiro. No entanto, a presença da Equatorial na estrutura de controle compartilhado ou de bloco de referência tende a acelerar os cronogramas de metas de universalização previstos pelo Novo Marco Legal do Saneamento, tema que a diretoria do grupo acompanhará de perto junto ao mercado em geral para os desdobramentos subsequentes.



