Projeto na Subestação Recife II visa garantir a estabilidade e o controle de tensão na Região Metropolitana diante do avanço das fontes renováveis intermitentes.
O avanço da transição energética e a crescente inserção de fontes renováveis intermitentes no Nordeste brasileiro têm imposto severos desafios operacionais à estabilidade da rede básica de transmissão. Diante desse cenário, a Voith Hydro assinou um contrato com a AXIA Energia para a modernização dos compensadores síncronos da Subestação Recife II, localizada em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco. O projeto contempla uma atualização digital e tecnológica dos sistemas elétricos, mecânicos e de instrumentação originalmente instalados na década de 1980.
A iniciativa ataca diretamente o gargalo da obsolescência tecnológica em ativos críticos de controle de tensão e estabilidade sistêmica. O fornecimento marca, ainda, a terceira entrega da Voith para a companhia envolvendo digitalização por meio dos sistemas HyCon — soluções proprietárias da Voith desenvolvidas para aumentar a confiabilidade, disponibilidade e eficiência operacional de ativos de geração e transmissão de energia.
O papel estratégico de Recife II no controle de tensão regional
Considerada a principal subestação da região, Recife II é responsável pelo fornecimento de energia elétrica e potência reativa para toda a Região Metropolitana do Recife, atendendo aproximadamente 3,7 milhões de pessoas. O controle do fluxo de potência reativa e o suporte de curto-circuito na área são vitais para evitar episódios de afundamento de tensão e garantir a qualidade do suprimento industrial e residencial.
A intervenção imediata justifica-se pelo esgotamento da vida útil regulatória e física de componentes eletromecânicos fundamentais. O contrato inclui a modernização dos sistemas de dois compensadores síncronos de 150 MVAr, cujos componentes se tornaram obsoletos devido à indisponibilidade de peças de reposição para equipamentos em operação há mais de quatro décadas.
Ao analisar o impacto estratégico da parceria no gerenciamento do ciclo de vida dos ativos da transmissora, o Diretor de Vendas de Serviços da Voith Hydro na América do Sul, Leandro Lucas, enfatizou a importância do fornecimento contínuo e preventivo: “A entrega para Recife II reforça nosso compromisso em atuar como parceiro da AXIA Energia em projetos de modernização padronizada e preditiva, sempre com foco em garantir a máxima disponibilidade dos ativos.”
Escopo técnico: Engenharia reversa e soluções integradas
A complexidade do projeto exige uma abordagem integrada que combine a substituição de equipamentos pesados de alta tensão com o refino da automação digital. Entre os principais sistemas e equipamentos que serão modernizados pela Voith estão as soluções de controle, proteção, excitação, monitoramento de vibração e instrumentação.
O escopo de infraestrutura elétrica primária e secundária é abrangente, incluindo também sistemas elétricos auxiliares de alta, média e baixa tensão, como disjuntores, seccionadoras, transformadores de partida e auxiliares, reatores, painéis de distribuição, sistemas de iluminação e tomadas elétricas.
Na vertente de engenharia mecânica associada aos grandes equipamentos girantes, a fabricante alemã implementará melhorias voltadas à segurança operacional e ao arrefecimento das máquinas de grande porte. A Voith também realizará atualizações em sistemas auxiliares mecânicos, como os de purga de hidrogênio, circulação de água e circulação de óleo.
Ao detalhar a sinergia entre as engenharias aplicadas e o impacto dos novos sistemas na segurança operativa do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) na região, o Gerente de Engenharia de Aplicação para Automação e Digital da Voith Hydro na América Latina, Guilherme Gonçalves, pontuou os benefícios da modernização periférica: “Com o fornecimento integrado de sistemas elétricos e mecânicos, a Subestação Recife II contará com soluções de última geração para atualização tecnológica e modernização de equipamentos auxiliares, contribuindo para a confiabilidade do sistema elétrico da região.”
O cronograma de campo deverá compatibilizar as janelas de manutenção e desligamentos programados com a necessidade de manter o suporte de potência reativa na região metropolitana, mitigando riscos de restrições de escoamento no subsistema Nordeste.


