Estratégia de gestão energética em parceria com a Prime Energy reduziu em 10% os custos com eletricidade da maior fabricante de bicarbonato de sódio do país.
A energia elétrica deixou de ser apenas um componente operacional da estrutura de custos industriais para assumir posição estratégica na tomada de decisões corporativas. Em um cenário marcado pela volatilidade dos preços, pela abertura gradual do mercado e pela busca constante por eficiência, a gestão especializada do suprimento elétrico tem se consolidado como um diferencial relevante para indústrias de médio e grande porte.
O movimento acompanha a rápida expansão do Mercado Livre de Energia no Brasil. A abertura do Ambiente de Contratação Livre (ACL) para consumidores conectados em média tensão ampliou significativamente o universo de empresas aptas a escolher fornecedores, negociar prazos e estruturar contratos alinhados ao perfil produtivo de cada operação.
Um exemplo desse processo pode ser observado na experiência da TOTALMIX, maior fabricante de bicarbonato de sódio do país. A empresa acumulou economia superior a R$ 700 mil desde 2021 após migrar parte de suas operações para o mercado livre em parceria com a Prime Energy, comercializadora responsável pela distribuição das soluções da Shell Energy no Brasil. A iniciativa proporcionou uma redução média anual de aproximadamente 10% nos gastos com eletricidade e garantiu maior previsibilidade orçamentária para as operações do grupo no Paraná.
Gestão ativa reduz exposição à volatilidade do setor elétrico
O projeto envolveu quatro plantas industriais localizadas no território paranaense, responsáveis por um consumo médio conjunto próximo de 350 MWh mensais. Além da migração contratual, a estratégia contemplou uma análise detalhada do perfil de carga das unidades, gestão contínua de contratos, monitoramento das condições de mercado e aquisição de energia incentivada, modalidade que assegura descontos sobre as tarifas de uso dos sistemas de distribuição (TUSD).
Três unidades industriais passaram pelo processo completo de transição do mercado regulado para o ACL, enquanto uma quarta planta, que já operava no ambiente livre, teve sua carteira contratual reestruturada para otimizar custos e mitigar riscos.
O modelo permaneceu em operação entre junho de 2021 e abril de 2026, período marcado por forte volatilidade no setor elétrico brasileiro, incluindo oscilações expressivas do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) e mudanças frequentes nas bandeiras tarifárias. Para a indústria, mitigar essas oscilações representa maior segurança para definir investimentos e gerir o capital de giro.
Energia integrada à estratégia de sustentabilidade
A estratégia ganha relevância sobretudo em segmentos eletrointensivos, nos quais a energia pode ditar a competitividade final do produto. Entre as unidades beneficiadas pelo projeto está a planta de Sais Sustentáveis, localizada em São Carlos do Ivaí (PR), considerada a principal operação da companhia e dedicada à produção de bicarbonatos a partir de processos circulares de reaproveitamento de dióxido de carbono (CO2).
A iniciativa também envolve a unidade Dry Mixes, em Nova Esperança (PR), voltada ao envase de produtos em pó; a planta de Gás Sustentável, em Jandaia do Sul (PR), especializada na liquefação de CO2. Além da operação de Missal (PR), voltada ao atendimento do agronegócio regional.
Ao avaliar os impactos da estratégia sobre o desempenho operacional da companhia, o administrador da TOTALMIX, João Celso Sordi, destaca a sinergia entre sustentabilidade e controle de custos: “A busca por eficiência faz parte da nossa cultura. Encontrar soluções que tragam competitividade, previsibilidade e sustentabilidade para o negócio é fundamental para garantir nosso crescimento de forma responsável e preparada para o futuro.”
O papel do ACL na neoindustrialização brasileira
O processo de abertura de mercado tem sido acompanhado por uma mudança cultural. O insumo elétrico passou a ser gerenciado sob a mesma ótica aplicada a câmbio ou matérias-primas críticas. Essa transformação ocorre em paralelo ao avanço das certificações de energia renovável e dos compromissos ESG, impulsionando a busca por contratos de fontes limpas associados a certificados de rastreabilidade, como o I-REC.
A diretora de Relacionamento da Prime Energy, Bianca Andrade, pontua que a evolução do mercado livre reposicionou o papel da contratação de energia no planejamento corporativo: “A energia deixou de ser apenas um insumo operacional para se tornar uma variável estratégica dos negócios. Empresas com perfil industrial intensivo buscam cada vez mais previsibilidade para planejar investimentos e sustentar sua competitividade. Uma gestão estruturada no Mercado Livre permite transformar esse custo em um fator de eficiência e de geração de valor para a operação.”
Com os resultados consistentes obtidos ao longo de quase cinco anos, a TOTALMIX já avalia expandir o modelo de contratação livre para futuras unidades do grupo, consolidando a gestão de energia como um pilar essencial para o crescimento industrial de longo prazo.



