Angra 3: CNPE apoia suspensão de dívida da Eletronuclear e define novas regras para combustível nuclear

Resolução abre caminho para que BNDES e Caixa Econômica Federal aprovem moratória de R$ 800 milhões anuais; conselho também define diretrizes para monitorar preços de combustíveis nucleares através da ENBPar.

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, nesta terça-feira (14), uma medida de forte impacto para a saúde financeira e a governança do programa nuclear brasileiro. O colegiado reconheceu formalmente o interesse público no pedido de suspensão temporária dos pagamentos das dívidas contraídas pela Eletronuclear para o financiamento das obras da usina de Angra 3.

Embora a chancela regulatória e política do conselho confira sustentação ao pleito, a decisão final de congelamento das parcelas dos empréstimos cabe exclusivamente aos bancos credores públicos da operação: a Caixa Econômica Federal e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O pedido formulado pela Eletronuclear visa a suspensão das amortizações até dezembro deste ano. A estatal de geração nuclear argumenta que o serviço dessa dívida impõe uma saída de caixa de aproximadamente R$ 800 milhões ao ano. Esse montante asfixia a liquidez da companhia, especialmente sob o atual cenário de incerteza e indefinição regulatória sobre as tarifas de referência e a data efetiva para a retomada e conclusão do empreendimento de 1.405 MW de capacidade.

- Advertisement -

Combustível nuclear: Diretrizes para monitoramento e transparência tarifária

Além do equacionamento da estrutura de capital de Angra 3, o CNPE aprovou uma resolução que introduz novos mecanismos de controle econômico sobre os insumos da cadeia de geração térmica nuclear. A medida estabelece diretrizes formais para a realização de estudos comparativos periódicos sobre os preços do combustível nuclear praticados no mercado brasileiro em relação aos parâmetros internacionais de referência.

A iniciativa visa mitigar assimetrias de informação e estabelecer critérios de transparência técnica na formação de custos do setor. A responsabilidade por capitanear esse mapeamento econômico foi delegada à holding estatal Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar), que supervisionará a paridade dos preços de enriquecimento de urânio e fabricação de elementos combustíveis.

O novo arranjo regulatório confere à ENBPar uma função fiscalizadora ativa para alinhar as práticas nacionais aos benchmarks internacionais, conforme determina a resolução aprovada pelo conselho: “Caso sejam identificadas diferenças em relação aos parâmetros internacionais, a ENBPar deverá apresentar justificativa técnica e, quando aplicável, elaborar plano voltado à convergência dos preços.”

A decisão desta terça-feira ocorre em um momento em que agentes de mercado cobram definições sobre o modelo de contratação da energia de Angra 3 e o preço final de venda da energia (kWh) necessário para amortizar os investimentos bilionários remanescentes no empreendimento fluminense.

Destaques da Semana

Senado define relatores para projetos de data centers e minerais críticos

Cid Gomes comandará análise do ReData, enquanto Eduardo Braga...

Governo de MG decide trocar comando da Cemig três meses após posse de CEO

Mateus Simões inicia transição na estatal; Marcio Nunes e...

ONS vê desequilíbrio entre excesso de energia durante o dia e déficit à noite

Alexandre Zucarato defende leilões anuais de térmicas para acompanhar...

TCU aprova renovação antecipada de seis concessões de distribuição por 30 anos

CPFL Paulista, Coelba, Energisa MT, Cosern, Elektro e Energisa...

Artigos

Últimas Notícias