Motiva acelera descarbonização de rodovias com energia solar em parceria de GD com FIT Energia

Contrato prevê abastecimento de 293 unidades consumidoras em SP e PR via geração distribuída e reforça estratégia de eficiência operacional e transição energética do grupo de infraestrutura

A expansão da geração distribuída solar segue ganhando espaço entre grandes consumidores corporativos de infraestrutura. A Motiva fechou um acordo estratégico de dois anos com a FIT Energia, comercializadora digital controlada pelo Banco Santander, para abastecer ativos rodoviários em São Paulo e Paraná com energia solar fotovoltaica no modelo de autoconsumo remoto.

O contrato contempla inicialmente o fornecimento de créditos de energia renovável para 293 unidades consumidoras em baixa tensão e deve gerar uma redução média de 22% nos custos operacionais associados ao consumo de eletricidade das concessões rodoviárias envolvidas.

A iniciativa amplia o uso da geração distribuída como ferramenta de eficiência energética, gestão de custos e descarbonização para concessionárias de infraestrutura intensivas em consumo elétrico. O escopo do acordo inclui praças de pedágio, bases operacionais, edifícios administrativos, sistemas de iluminação viária e estruturas de monitoramento rodoviário.

- Advertisement -

Modelo de GD prevê expansão gradual da carga contratada

A engenharia contratual da operação foi desenhada para atender, em uma primeira fase, cerca de 2.636 MWh anuais em créditos de compensação energética. O fornecimento será realizado por meio de um conjunto de usinas fotovoltaicas da FIT Energia distribuídas em clusters regionais nos estados de São Paulo e Paraná.

No território paulista, a geração está concentrada nos municípios de Bebedouro, Altair, Limeira, Pacaembu, Lorena, Cubatão e Sorocaba. Já no Paraná, as plantas estão localizadas em Campo Mourão, Capanema e Colorado. Os créditos gerados pelas usinas serão compensados diretamente nas contas de energia das concessionárias, dentro das regras regulatórias da MMGD estabelecidas pela Aneel.

O contrato também possui cláusula de expansão progressiva da carga contratada. O volume poderá alcançar 11.231 MWh por ano, atendendo até 350 pontos de consumo à medida que a operação rodoviária avance e novas demandas de eletrificação sejam incorporadas às concessões.

Rodovias, pedágios e frota elétrica entram na agenda de energia limpa

Entre os ativos integrados ao acordo estão concessões consideradas estratégicas para a logística nacional, incluindo a Motiva AutoBan, operadora do Sistema Anhanguera-Bandeirantes, e a RioSP, responsável pela Rodovia Presidente Dutra e pelo trecho fluminense da Rio-Santos.

- Advertisement -

A parceria também contempla o Sistema Castello Branco-Raposo Tavares, operado pela ViaOeste e pela Motiva Sorocabana, além da malha rodoviária da Motiva Paraná. Outro componente relevante do projeto envolve a eletrificação operacional das concessões. Parte da energia solar contratada será utilizada para abastecer as frotas de veículos elétricos das operações rodoviárias, incluindo veículos leves de apoio operacional.

A vice-presidente de Pessoas, Desenvolvimento Organizacional e Sustentabilidade da Motiva, Raquel Cardoso, destacou a importância estratégica da iniciativa dentro da política climática da companhia: “Como um dos 50 maiores consumidores de energia elétrica do País, operar os nossos ativos com 100% de energia renovável é um dos pilares da nossa estratégia de transição energética. Essa parceria com a FIT Energia fortalece a nossa liderança em sustentabilidade no setor de infraestrutura de mobilidade e amplia a nossa eficiência operacional ao permitir a diminuição dos nossos custos e, ao mesmo tempo, reduzir a pegada de carbono das concessões.”

FIT Energia amplia atuação em soluções corporativas renováveis

A operação também reforça o movimento de consolidação de novos modelos de comercialização de energia voltados a grandes consumidores corporativos, especialmente em segmentos de infraestrutura, logística e mobilidade.

O CEO da FIT Energia, Bruno Menezes, afirmou que a parceria amplia a presença da companhia no mercado de soluções renováveis para empresas: “Expandir o acesso a uma solução que combina energia limpa com vantagens econômicas é um dos nossos pilares centrais. O projeto com a Motiva fortalece o compromisso das empresas com a sustentabilidade. A iniciativa abre caminho para novas colaborações e modelos de negócio, consolidando a FIT como uma das principais opções do mercado de energia renovável no Brasil.”

O avanço desse tipo de contrato evidencia a maturidade crescente do mercado de geração distribuída compartilhada, que passou a ocupar papel relevante na estratégia energética de grandes grupos empresariais diante da necessidade de redução de emissões e racionalização de despesas operacionais.

Motiva antecipa metas climáticas e amplia autoprodução renovável

O acordo com a FIT Energia funciona como complemento à estratégia mais ampla de transição energética da Motiva. A companhia encerrou 2024 com 100% do consumo elétrico de suas operações de rodovias, trilhos e aeroportos abastecido por fontes renováveis. Para antecipar suas metas climáticas, o grupo estruturou um modelo híbrido baseado em autoprodução de energia, migração para o Ambiente de Contratação Livre (ACL) e aquisição de certificados internacionais de energia renovável (I-RECs).

Na frente de autoprodução por equiparação, a empresa participa de três parques eólicos localizados no Piauí, responsáveis pelo atendimento energético das Linhas 4-Amarela, 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda do sistema metroferroviário paulista. A companhia também administra 6,3 MWp em usinas solares próprias instaladas nas concessões ViaCosteira, ViaLago e ViaSul.

Com esse portfólio, a Motiva afirma ter alcançado uma redução consolidada de 61% nas emissões de escopos 1 e 2 em comparação aos níveis de 2019, superando com oito anos de antecedência as metas validadas pela Science Based Targets initiative.

Eletrificação de frotas passa a ser próximo desafio climático

Com o consumo de energia elétrica praticamente descarbonizado, a companhia agora concentra esforços na redução das emissões diretas ligadas ao uso de combustíveis fósseis e sistemas de refrigeração.

Atualmente, combustíveis móveis representam 59% das emissões diretas da empresa, enquanto gases fugitivos associados a equipamentos de climatização respondem por outros 35%. Entre as medidas em análise estão a ampliação da frota elétrica operacional, adoção de biocombustíveis avançados e modernização de sistemas de refrigeração na operação metroferroviária.

O avanço dessas metas ocorre em paralelo a um forte ciclo de expansão da companhia. Nos últimos dois anos, a Motiva incorporou novas concessões rodoviárias, incluindo Motiva Paraná, Motiva Sorocabana e Fernão Dias, enquanto prepara a entrada em operação da Linha 17-Ouro do monotrilho em São Paulo e a expansão de sistemas metroferroviários em São Paulo e na Bahia.

Destaques da Semana

TCU pressiona ANEEL e impasse sobre LRCAP amplia tensão regulatória no setor elétrico

Representação do MPTCU cobra homologação imediata do leilão de...

MME confirma leilão de baterias em 2026 e promete publicar portaria em até 20 dias

Governo acelera regulamentação inédita para sistemas de armazenamento no...

ANEEL delimita fronteira regulatória e reage à pressão do TCU sobre preços e demanda do LRCAP

Sandoval Feitosa sustenta que definição de preços-teto e volume...

MPF recomenda suspensão imediata de homologação e exige AIR à ANEEL

Ministério Público Federal estipula prazo de 48 horas para...

Artigos

Últimas Notícias