Aneel aprova reajuste da Sulgipe com efeito médio de 12,87% e forte impacto na alta tensão

Novas tarifas da distribuidora que atende municípios de Sergipe e da Bahia entram em vigor nesta sexta-feira; alta tensão registra salto de 22,91%.

A diretoria colegiada da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) homologou o reajuste tarifário anual da Companhia Sul Sergipana de Eletricidade (Sulgipe). O reposicionamento das tabelas de tarifas entra em vigor de forma imediata nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026. O processo regulatório resultou em um efeito médio para o consumidor de 12,87%, índice impulsionado sobretudo pelo forte incremento verificado nos contratos de suprimento industrial.

Com sede executiva localizada no município de Estância (SE), a concessionária desempenha um papel estratégico na infraestrutura regional, sendo responsável pelo fornecimento de energia elétrica para 177.060 unidades consumidoras. A área de concessão da Sulgipe abrange 12 municípios no estado de Sergipe e duas localidades situadas no estado da Bahia, totalizando uma base de clientes majoritariamente concentrada nos segmentos residencial e comercial de baixa tensão.

Assimetria entre classes e o forte incremento na alta tensão

Os percentuais autorizados pelo órgão regulador demonstram uma assimetria acentuada entre as diferentes classes de consumo atendidas pela distribuidora. Para os consumidores residenciais enquadrados na modalidade de faturamento B1, o reajuste homologado foi fixado em 9,71%. Ao considerar o conjunto de todos os clientes atendidos nas redes de baixa tensão em média, o índice médio de correção ficou estabelecido em 10,13%.

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O grande vetor de pressão sobre o efeito médio da distribuidora concentrou-se na classe de alta tensão em média, composta majoritariamente por indústrias e clientes comerciais de grande porte atendidos no regime de contratação cativa. Para este segmento, o reajuste alcançou a marca de 22,91%. Esse salto nas tarifas do mercado industrial reflete o peso dos componentes de custo estruturais que oneram os contratos de suprimento de energia nessa modalidade de entrega.

Encargos setoriais e custos de transporte pressionam tarifas

A engenharia tarifária que definiu a revisão anual da Sulgipe foi fortemente influenciada por variáveis macroeconômicas e setoriais externas à gestão operacional da distribuidora (custos de Parcela A). Na prestação de contas do processo, a agência reguladora pontuou os principais indexadores que atuaram como geradores de pressão inflacionária sobre o custo final do quilowatt-hora na região: “Os índices foram impactados pela alta dos encargos setoriais, custos com transportes e financeiros.”

A escalada da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), que financia subsídios e políticas públicas do setor elétrico nacional, figura como um dos componentes centrais para o avanço dos encargos setoriais reportados. Adicionalmente, o custo com o transporte da energia, que engloba o pagamento das Receitas Anuais Permitidas (RAP) às transmissoras de energia e o uso da rede básica do Sistema Interligado Nacional (SIN), sofreu reajustes que acabaram repassados diretamente para o cálculo final do reajuste das tarifas cativas da concessionária sul-sergipana.

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