Mercosul articula plano regional de minerais críticos para blindar transição energética

Alinhados pelo MME, países-membros debatem em Assunção a criação de cadeias de valor integradas para competir com blocos econômicos globais.

O avanço da transição energética global e a corrida por segurança industrial deslocaram o eixo das discussões geopolíticas para o suprimento de matérias-primas essenciais. Diante desse panorama, o Ministério de Minas e Energia (MME) liderou a comitiva brasileira na Reunião do Subgrupo de Trabalho de Mineração e Geologia do Mercosul (SGT-15), realizada em Assunção, no Paraguai. O objetivo central do encontro foi a articulação de políticas públicas conjuntas e o fortalecimento da cooperação regional voltada aos minerais críticos e estratégicos, insumos mandatórios para a fabricação de baterias, turbinas eólicas e infraestrutura de redes elétricas.

Ao longo de dois dias de agendas técnicas, os representantes dos países-membros estruturaram as bases para a elaboração do Plano Regional de Minerais Estratégicos do Mercosul. A iniciativa conta com o suporte técnico do Fórum Intergovernamental sobre Mineração, Minerais, Metais e Desenvolvimento Sustentável (IGF) e visa unificar dados geológicos e regulatórios para transformar o bloco sul-americano em um polo receptor de investimentos globais de longo prazo.

Integração produtiva contra gargalos globais de suprimento

A criação de um plano unificado reflete a necessidade de o Mercosul se posicionar de forma competitiva perante as estratégias de verticalização já adotadas por outros blocos econômicos, como a União Europeia, a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e a União Africana. Para os formuladores de políticas públicas, o fracionamento das cadeias de suprimento na América do Sul reduz o poder de barganha internacional e atrasa o desenvolvimento de indústrias de refino de alto valor agregado no continente.

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O coordenador-geral de Minerais Estratégicos e Transição Energética no Setor Mineral do MME, Gustavo Masili, expôs os projetos estruturantes do governo brasileiro para alinhar a governança socioambiental à atração de capital privado, ressaltando o papel da diplomacia regional na geopolítica das novas fontes de energia: “Os minerais estratégicos desempenham papel central na transição energética global. O fortalecimento da cooperação regional é fundamental para que os países do Mercosul avancem de forma integrada, sustentável, soberana e competitiva nesse cenário.”

Geopolítica de minerais e poder de negociação internacional

Além do potencial mineral geológico do continente, que detém reservas massivas de lítio, cobre, níquel e terras raras, o subgrupo técnico focou na superação de barreiras alfandegárias, no intercâmbio de conhecimento de mapeamento geológico e na criação de fluxos comerciais que reduzam a dependência de fornecedores asiáticos. A meta é criar cadeias de valor regionais que comecem na lavra e passem pelo processamento, abastecendo a cadeia industrial do próprio bloco.

A necessidade de robustecer a infraestrutura e mitigar riscos de desabastecimento sistêmico foi detalhada pela coordenadora-geral de Planejamento Mineral do MME, Mariana Fontineli, que apontou os ganhos de escala proporcionados pela união dos mercados locais: “A integração regional pode ampliar oportunidades para o desenvolvimento dos países-membros do Mercosul em matéria de minerais estratégicos, fortalecendo capacidades de negociação, promovendo maior segurança de suprimento e contribuindo para a construção de cadeias de valor mais sustentáveis e competitivas.”

A participação ativa do Brasil nas negociações do SGT-15 sinaliza um esforço para liderar a agenda de neoindustrialização verde na América do Sul. Ao conciliar o planejamento mineral com as metas de descarbonização do setor elétrico e de mobilidade, o país busca estruturar um ambiente regulatório previsível que converta a riqueza mineral em estabilidade econômica e segurança energética para todo o bloco.

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