Alinhado às diretrizes da ANEEL, projeto substitui 355 luminárias obsoletas por tecnologia LED, reduzindo o consumo em 342 MWh/ano e aliviando o orçamento público municipal.
Os investimentos em modernização de ativos urbanos e eficiência energética ganham tração no Espírito Santo, consolidando-se como ferramentas estratégicas de gestão para concessionárias e municípios. A EDP Espírito Santo, distribuidora de energia elétrica do estado, concluiu a reestruturação do parque de iluminação pública de Santa Leopoldina. O projeto, viabilizado por meio do Programa de Eficiência Energética (PEE), demandou um aporte de R$ 484 mil para introduzir tecnologia LED na infraestrutura viária, elevando os índices de luminosidade e otimizando a demanda de carga na rede de distribuição local.
A transição tecnológica abrangeu a substituição de 355 pontos de iluminação obsoletos, que operavam com lâmpadas de vapor metálico e vapor de sódio, tecnologias de alta potência e baixa eficiência luminosa (lúmen/Watt). A modernização projeta uma redução de consumo de 342,53 MWh por ano, volume equivalente ao suprimento energético anual de aproximadamente 142 residências com padrão médio de consumo de 200 kWh/mês. Para o município, o impacto reflete-se diretamente na redução da Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP), liberando capacidade orçamentária.
Engenharia de iluminação e uniformidade da rede viária
A reconfiguração técnica do parque luminoso de Santa Leopoldina baseou-se em critérios de engenharia de iluminação para assegurar a correta distribuição do fluxo luminoso e o conforto visual. O novo arranjo operativo foi dimensionado com diferentes potências para atender às hierarquias das vias públicas, distribuindo-se em 41 unidades de LED de 160W, 145 unidades de LED de 160W e 169 unidades de LED de 120W.
A adoção de luminárias de estado sólido (LED) assegura um maior Índice de Reprodução de Cor (IRC) e maior vida útil aos ativos, reduzindo drasticamente os custos operacionais com manutenção corretiva e substituição de reatores e lâmpadas queimadas.
Ao analisar o impacto socioeconômico e o retorno institucional do investimento para a gestão urbana, o gestor da EDP, Adilson Herzog, enfatiza os desdobramentos práticos da iniciativa nas cidades: “Projetos como este demonstram como a eficiência energética pode gerar benefícios concretos para os municípios, com economia de recursos públicos, melhoria dos serviços urbanos e mais segurança para a população.”
Capacitação técnica e governança municipal
A consolidação do projeto em Santa Leopoldina não se restringiu à instalação física dos equipamentos. Como parte dos requisitos de sustentabilidade e transferência de tecnologia, a distribuidora promoveu um treinamento técnico voltado aos servidores da prefeitura local. A capacitação, realizada no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), contou com a participação institucional do prefeito Fernando Rocha, culminando na entrega de uma placa de reconhecimento ao município.
Os módulos de treinamento abordaram desde fundamentos sobre a matriz de geração e o funcionamento técnico do Programa de Eficiência Energética até diretrizes práticas de consumo consciente e segurança em instalações elétricas. Essa governança é parte mandatória do arranjo regulatório que rege os investimentos das concessionárias de distribuição.
A estruturação e o financiamento dessas iniciativas seguem um rito de conformidade estrito, submetido ao crivo do órgão regulador federal: “A iniciativa é regulada pela Agência Nacional de Energia Elétrica e integra o Programa de Eficiência Energética da EDP, que tem como objetivo fomentar práticas mais sustentáveis no consumo de energia. Os projetos inscritos são avaliados por uma comissão técnica, com base em critérios como viabilidade técnica, economia de energia e impacto social.”
Chamada Pública da EDP injeta R$ 2,86 milhões no Espírito Santo
A modernização realizada em Santa Leopoldina integra um portfólio de investimentos mais amplo da distribuidora, ancorado na sua Chamada Pública de Eficiência Energética. No total, o ciclo de investimentos somou mais de R$ 2,86 milhões aplicados em diversas frentes de otimização de ativos no território capixaba, diversificando os projetos entre infraestrutura de iluminação, eficiência em climatização e microgeração distribuída.
| Município / Instituição | Escopo do Projeto Técnico | Tecnologia Implantada |
| Santa Leopoldina | Modernização de Iluminação Pública | 355 luminárias LED (120W e 160W) |
| Rio Novo do Sul | Modernização de Iluminação Pública | Substituição de pontos eficientes nas vias |
| Bom Jesus do Norte | Modernização de Iluminação Pública | Eficientização do parque luminoso municipal |
| Marechal Floriano | Modernização de Iluminação Pública | Substituição de lâmpadas de vapor por LED |
| Santa Casa de Cachoeiro | Eficiência Energética em Climatização | Substituição de 84 condicionadores de ar |
| Vargem Alta | Eficiência em Prédios Públicos e GD | 24 luminárias LED + Usina Solar (100 módulos) |
O avanço desse pipeline de projetos evidencia a consolidação do PEE como um mecanismo catalisador de transição energética na ponta do consumo. Ao associar a substituição de cargas obsoletas por LED com projetos de autoprodução fotovoltaica e modernização de refrigeração hospitalar, o setor de distribuição demonstra como a gestão de demanda ativa atua para aliviar a pressão de carga no SIN, reduzindo perdas técnicas e postergando a necessidade de investimentos pesados em expansão de redes de transmissão e subestações.



