Operador ajusta estimativas de afluência e aponta crescimento de 1,2% na demanda do Sistema Interligado Nacional em relação ao ano anterior.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revisou para cima suas projeções para o comportamento da carga e o cenário hidroenergético do Sistema Interligado Nacional (SIN) no fechamento de maio de 2026. De acordo com o mais recente Informe do Programa Mensal de Operação (PMO) para a semana operativa de 23 a 29 de maio, a demanda de energia no país deve registrar uma expansão de 1,2% na comparação com o mesmo período de 2025.
O novo panorama aponta para uma carga média de 79.634 MWmed no SIN. O indicador demonstra uma aceleração frente à estimativa divulgada na semana anterior, que previa um crescimento mais tímido, de 0,4%.
Recuperação nas afluências da região Sul é o destaque do mês
O principal vetor de mudança nas projeções hidroenergéticas foi o subsistema Sul. O ONS revisou significativamente as expectativas de chuvas para a região, elevando a Previsão Mensal da Energia Natural Afluente (ENA) para 101% da Média Longo Termo (MLT), equivalente a 8.897 MWmed. Na revisão passada, o índice esperado para o Sul era de 87%.
Os demais subsistemas também passaram por calibrações em seus modelos de previsão de vazões:
- Sudeste/Centro-Oeste: Teve sua ENA mensal ajustada para 85% da MLT (33.646 MWmed), contra os 83% previstos anteriormente.
- Nordeste: Apresentou leve oscilação positiva, passando de 52% para 54% da média histórica (3.685 MWmed).
- Norte: Caminhou no sentido oposto, com redução na expectativa de afluências, recuando de 81% para 78% da MLT (15.987 MWmed).
- Níveis dos reservatórios e comportamento da carga regional
Apesar da melhora marginal nas afluências do principal bioma de armazenamento do país, a estimativa para o nível das barragens no Sudeste/Centro-Oeste ao final de maio foi levemente reduzida para 66,3% da Energia Armazenada Máxima (% EARmáx), ante os 66,6% da leitura anterior. Nos demais subsistemas, o fechamento do mês deve consolidar estoques confortáveis: o Norte lidera com 97,6%, seguido pelo Nordeste com 92,6% e pelo Sul com 57,3%.
Pelo lado do consumo, o crescimento consolidado de 1,2% reflete dinâmicas distintas entre as regiões geográficas. A maior variação positiva foi identificada no subsistema Norte, com alta de 2,6% (8.304 MWmed). O Nordeste avançou 2,2% (13.476 MWmed) e o Sudeste/Centro-Oeste registrou incremento de 1,6% (44.867 MWmed). Em contrapartida, o Sul manteve a tendência de retração observada no período, com queda de 2,0% na demanda, fechando em 12.988 MWmed.
CMO e custos de despacho térmico no SIN
A configuração operativa resultou em um Custo Marginal de Operação (CMO) equalizado em R$ 248,40/MWh para a média semanal nos subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Nordeste. A região Norte, influenciada por restrições locais e menor afluência no mês, fixou o CMO médio em R$ 289,25/MWh para todos os patamares de carga.
Para garantir o atendimento e a estabilidade do sistema, o planejamento do ONS indicou uma programação de despacho termelétrico total de 7.806 MWmed no SIN para a semana em curso. Desse montante, 4.985 MWmed decorrem de inflexibilidade declarada pelos agentes e 2.821 MWmed por ordem de mérito. Com essa configuração, o custo de operação esperado para a semana operativa atual foi precificado em R$ 355 milhões , com projeção de recuo para a média de R$ 171,3 milhões por semana no restante do mês.



