Varejo adota baterias para conter perdas com apagões e fugir da alta tarifária

Com foco em supermercados, farmácias e redes de fast-food, Brasol expande oferta de sistemas BESS sob o modelo de locação, mirando resiliência energética do segmento comercial.

A instabilidade na rede de distribuição e o avanço contínuo das tarifas elétricas no mercado brasileiro estão forçando o setor varejista a buscar novas soluções tecnológicas para garantir a continuidade de suas operações. Nesse cenário, o armazenamento de energia por baterias (BESS, na sigla em inglês) começa a ganhar escala no comércio de rua e de shopping centers, impulsionado por redes de supermercados, farmácias e cadeias de fast-food, segmentos cuja receita depende diretamente de refrigeração constante e sistemas de ponto de venda (PDV) ininterruptos.

Acompanhando essa movimentação de mercado, a Brasol, desenvolvedora e operadora de infraestrutura voltada à transição energética, anunciou a expansão de seu portfólio de sistemas BESS direcionado especificamente ao varejo. A estratégia da companhia aposta no modelo de leasing operacional ou energy as a service (EaaS), formato que elimina a barreira do investimento inicial (Capex) por parte do estabelecimento comercial.

Estratégia mitiga perdas operacionais no comércio de alimentos e fármacos

Ao contrário da indústria pesada, que utiliza os sistemas de armazenamento majoritariamente para o chamado peak shaving (redução do consumo nos horários de pico), o varejo busca nas baterias de íon-lítio uma blindagem contra microinterrupções e apagões prolongados na rede de distribuição. Para estabelecimentos que lidam com produtos perecíveis e medicamentos termolábeis, as falhas no suprimento elétrico acarretam prejuízos financeiros imediatos.

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O diretor da Unidade de Negócios de Armazenamento de Energia da Brasol, Diogo Zaverucha, chama a atenção para o novo papel que o insumo energético desempenha no planejamento das grandes redes comerciais: “A energia deixou de ser apenas um custo operacional para se tornar um pilar estratégico no varejo. Instabilidade na rede elétrica não significa apenas uma inconveniência, mas perdas reais de faturamento, de produtos e danos a equipamentos, especialmente para supermercados, farmácias e redes de fast-food. Desenvolvemos uma solução inovadora de baterias no formato de leasing que atende a essa vulnerabilidade, oferecendo proteção e confiança no suporte energético sem que o varejista precise investir mais ou se preocupar com a operação.”

Modelo ‘As a Service’ substitui geradores a diesel e foca em metas ESG

Historicamente dependente de geradores a diesel para o suporte de backup, o varejo enfrenta restrições crescentes para a expansão dessa tecnologia tradicional devido a barreiras de ruído em áreas urbanas adensadas, custos de manutenção elevados e, fundamentalmente, pelas diretrizes de descarbonização corporativa (ESG). Os sistemas BESS operam sem emissões locais de gases de efeito estufa e dispensam o armazenamento de combustíveis fósseis no local.

Na modelagem de negócios estruturada para o varejo, a integradora assume integralmente a responsabilidade pela engenharia, instalação, monitoramento preventivo e manutenção dos ativos de armazenamento. O formato contratual transfere o risco tecnológico do cliente para o operador, garantindo a qualidade da energia que alimenta equipamentos eletrônicos sensíveis e sistemas de automação predial.

Ao analisar a viabilidade financeira e operacional dessa transição tecnológica para os clientes da ponta, Diogo Zaverucha aponta as vantagens da centralização de escopo em um contrato de prestação de serviços: “Nossa proposta representa uma convergência rara. Ao mesmo tempo em que resolve uma dor operacional concreta do varejo, de eficiência energética, oferece um modelo que elimina barreiras financeiras para o cliente. O varejista não investe a mais e não opera. Ele recebe energia de qualidade, proteção contra interrupções e, em muitos casos, redução na conta de luz, tudo em um único contrato de serviço.”

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A consolidação de projetos BESS no ambiente comercial de baixa e média tensão sinaliza o amadurecimento das tecnologias de armazenamento no Brasil. À medida que o mercado de capitais e os operadores estruturam contratos de longo prazo baseados em performance, as baterias deixam o nicho de projetos-piloto e passam a integrar a infraestrutura básica de competitividade e gestão de risco do varejo de alta performance.

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