Startup alemã H2 Core Systems utiliza plataforma Siemens Xcelerator para padronizar engenharia, ampliar customização e acelerar entrega de soluções modulares de geração e armazenamento de energia limpa
A expansão global do hidrogênio verde começa a deslocar o debate da escala piloto para o desafio industrial da produção em massa. Em um mercado pressionado por metas de descarbonização, segurança energética e eletrificação de sistemas isolados, fabricantes de infraestrutura energética buscam reduzir custos e acelerar o tempo de implementação de projetos sem comprometer flexibilidade operacional.
Nesse contexto, a digitalização da engenharia passou a ocupar posição estratégica na cadeia de desenvolvimento de sistemas energéticos modulares. A alemã H2 Core Systems anunciou avanços relevantes nesse processo ao integrar sua operação à plataforma Siemens Xcelerator, movimento que permitiu reduzir pela metade o tempo de fabricação de soluções compactas baseadas em hidrogênio verde.
A empresa atua no desenvolvimento de ecossistemas modulares de geração descentralizada, integrando eletrólise, armazenamento de hidrogênio, células de combustível e sistemas híbridos alimentados por fontes renováveis como solar e eólica.
Segundo a companhia, a adoção de ferramentas de gêmeos digitais (digital twins), automação industrial e colaboração em nuvem acelerou em 20% os ciclos de customização dos projetos e contribuiu para uma expansão corporativa de 70%.
Engenharia digital ganha protagonismo na transição energética
O avanço das soluções de hidrogênio verde depende diretamente da capacidade de industrializar sistemas complexos sem perder flexibilidade de adaptação para diferentes aplicações energéticas. Na prática, fabricantes precisam integrar variáveis como perfil de carga, intermitência renovável, capacidade de armazenamento, compressão do gás e estabilidade operacional em ambientes conectados ou isolados da rede elétrica.
A H2 Core Systems estruturou esse processo utilizando os softwares Designcenter™ X Solid Edge® e Teamcenter® Share, ambos integrados ao ecossistema Siemens Xcelerator. A arquitetura digital permite que equipes de engenharia, vendas, manufatura e documentação trabalhem simultaneamente em ambiente compartilhado e totalmente virtualizado.
O diretor-presidente da H2 Core Systems, Ulf Jörgensen, destacou que a digitalização se tornou peça central para ampliar velocidade de resposta ao mercado global de energia limpa: “Em nosso papel como aceleradores da transição energética, precisamos responder rapidamente às exigências individuais com sistemas de energia modulares e escaláveis.
O CEO apontou que a agilidade exigida pelo mercado depende diretamente da sinergia digital entre as diferentes áreas da companhia: “Essa aceleração é baseada em uma colaboração totalmente digitalizada, dinâmica e eficiente entre vendas, engenharia, produção e documentação. O Siemens Xcelerator possibilita essa colaboração e reduz significativamente nosso tempo de chegada ao mercado”.
A integração digital também reduz falhas de montagem e permite antecipar ajustes estruturais antes da fabricação física dos equipamentos, diminuindo custos operacionais e retrabalho industrial.
Gêmeos digitais reduzem custos e ampliam eficiência operacional
O uso de modelagem tridimensional e simulação virtual vem ganhando espaço em projetos de energia justamente por permitir validações técnicas antes da construção física dos ativos. No caso dos sistemas de hidrogênio verde, a tecnologia se torna ainda mais relevante devido à elevada complexidade dos processos de eletrólise, armazenamento pressurizado e reconversão energética.
O vice-presidente executivo de Produtos PLM da Siemens Digital Industries Software, Joe Bohman, ressaltou que a digitalização reduz etapas críticas de desenvolvimento e acelera a entrega de soluções sustentáveis: “O Siemens Xcelerator, incluindo Designcenter e Teamcenter, foi desenvolvido para ajudar empresas como a H2 Core Systems a projetarem e colaborarem de forma mais eficiente; ao permitir que visualizem o produto completo em 3D e colaborem perfeitamente com stakeholders de qualquer lugar e em qualquer dispositivo, elas conseguem realizar alterações de design fundamentadas antes do início da produção, economizando tempo e dinheiro. Isso acelera o desenvolvimento de novas soluções, permite maior inovação e viabiliza a personalização com base nas necessidades dos clientes”.
O executivo concluiu associando a eficiência dos softwares ao fornecimento célere de infraestrutura para regiões isoladas: “As tecnologias da Siemens ajudam a reduzir etapas complexas e entregar rapidamente sistemas de energia sustentáveis às comunidades que precisam deles”.
A tendência reflete um movimento mais amplo da indústria energética, que vem incorporando inteligência artificial, automação avançada e análise preditiva para reduzir CAPEX, aumentar eficiência e encurtar cronogramas de implantação.
Sistemas off-grid ampliam potencial do hidrogênio verde
Além da digitalização do desenvolvimento industrial, a H2 Core Systems vem utilizando automação da Siemens para operação dinâmica de plantas híbridas de hidrogênio verde.
Os sistemas utilizam controladores lógicos programáveis (PLCs) S7 1200 e a plataforma TIA Portal para gerenciar em tempo real o equilíbrio entre geração renovável, armazenamento energético e consumo elétrico. Essa arquitetura permite operar tanto conectada ao sistema elétrico convencional quanto em aplicações totalmente isoladas da rede.
Um dos exemplos apresentados pela empresa foi a implantação de uma planta autônoma no Níger para abastecimento energético de uma instituição de ensino. O sistema utiliza geração solar fotovoltaica para alimentar o processo de eletrólise, produzir hidrogênio verde e armazenar energia para utilização posterior por meio de células de combustível.
A solução elimina a dependência de geradores a diesel e reduz vulnerabilidades logísticas em regiões com infraestrutura elétrica limitada.
O chefe de engenharia mecânica da H2 Core Systems, Thorsten Claussen, afirmou que a combinação entre modularidade e automação será determinante para ampliar o acesso global à energia limpa descentralizada: “Ao combinar sistemas modulares de energia a hidrogênio com os avançados softwares e hardwares de automação da Siemens, podemos continuar oferecendo soluções sustentáveis de energia no mundo inteiro, adaptando-nos rapidamente às necessidades dos clientes e ampliando nosso impacto”.
O engenheiro detalhou como a modelagem virtual impactou diretamente o fluxo de trabalho das equipes de desenvolvimento: “Utilizamos o Designcenter X Solid Edge para digitalizar completamente nosso planejamento dinâmico de produtos e produção. Graças às soluções inovadoras para equipes distribuídas e alta variabilidade, conseguimos acelerar significativamente nossos processos de desenvolvimento e preparação da produção e, assim, reduzir consideravelmente o tempo de chegada ao mercado de nossos sistemas de energia baseados em hidrogênio”.
Escalabilidade será decisiva para consolidação do hidrogênio
O avanço da indústria de hidrogênio verde dependerá não apenas da queda no custo da eletrólise, mas também da capacidade de fabricantes entregarem sistemas padronizados, escaláveis e economicamente viáveis.
A integração entre automação industrial, digital twins e plataformas colaborativas tende a se consolidar como um dos principais pilares da nova infraestrutura energética global, especialmente em aplicações descentralizadas, microrredes e projetos off-grid.
Com a aceleração da demanda por soluções flexíveis de armazenamento energético e descarbonização industrial, empresas capazes de reduzir tempo de implantação e ampliar modularidade devem ganhar vantagem competitiva na nova economia do hidrogênio.



