Valter Cardeal e Hugo Dantas assumem diretorias estratégicas do operador do sistema elétrico em um ciclo marcado por expansão da geração intermitente, digitalização e novos desafios operacionais
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) iniciou oficialmente um novo ciclo de governança em meio à crescente complexidade operacional do sistema elétrico brasileiro. Em cerimônia realizada nesta segunda-feira, no Rio de Janeiro, a entidade empossou os executivos Valter Cardeal e Hugo Dantas Silva Nascimento para compor a Diretoria Colegiada responsável pela condução estratégica do operador entre 2026 e 2030.
A movimentação ocorre em um momento decisivo para o setor elétrico nacional, marcado pelo crescimento acelerado da geração renovável intermitente, pela expansão da geração distribuída e pela necessidade crescente de flexibilidade operativa para garantir estabilidade ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
Cardeal assume a Diretoria de Operação, considerada uma das áreas mais sensíveis da estrutura do operador, responsável pela coordenação do despacho energético, gestão da confiabilidade do sistema e monitoramento em tempo real da rede elétrica brasileira. Já Hugo Dantas ficará à frente da Diretoria de Assuntos Corporativos, área estratégica para articulação institucional, relacionamento com agentes do setor e interlocução regulatória.
Nova gestão assume em cenário de transformação estrutural do setor elétrico
A recomposição da diretoria do ONS acontece em meio a uma das maiores transformações técnicas já enfrentadas pela operação do sistema elétrico brasileiro.
A forte expansão das fontes eólica e solar alterou significativamente a dinâmica do despacho energético, exigindo respostas mais rápidas do operador diante das oscilações de geração associadas às condições climáticas. Ao mesmo tempo, o crescimento da geração distribuída amplia os desafios relacionados à previsibilidade de carga, estabilidade da rede e coordenação entre os diversos recursos energéticos conectados ao sistema.
A nova gestão assume também sob pressão para avançar em temas ligados à modernização digital, segurança cibernética, integração de sistemas de armazenamento por baterias (BESS) e ampliação da capacidade de resposta operativa do SIN.
Diretor-geral do ONS, Marcio Rea destacou que a experiência técnica dos novos integrantes será determinante para enfrentar os desafios operacionais da próxima década: “A experiência técnica dos executivos contribuirá para fortalecer a segurança e a evolução do setor, em linha com os desafios futuros como a ampliação da flexibilidade operativa, a constante inserção de renováveis e a crescente demanda por inovação e tecnologia nas ações do Operador”.
Flexibilidade operativa se torna prioridade estratégica
A expansão das renováveis intermitentes vem exigindo mudanças estruturais na forma como o sistema elétrico é operado no Brasil. O aumento da participação de fontes solares e eólicas elevou a necessidade de recursos capazes de responder rapidamente às oscilações de geração, especialmente em horários de transição de carga e em períodos de menor disponibilidade hídrica.
Nesse contexto, a Diretoria de Operação passa a desempenhar papel central na coordenação de mecanismos ligados à flexibilidade do sistema, despacho de térmicas, gerenciamento de curtailment e integração de novos ativos tecnológicos.
O ONS também avança em estudos relacionados à incorporação de sistemas de armazenamento em larga escala, ferramentas preditivas baseadas em inteligência artificial e modernização dos centros de supervisão operacional. A expectativa do setor é que o próximo ciclo de gestão acelere a digitalização da operação elétrica nacional, ampliando a capacidade de monitoramento em tempo real e resposta a eventos críticos na rede.
Segurança cibernética e infraestrutura crítica entram no radar
Além dos desafios energéticos, a nova composição da diretoria assume responsabilidade crescente sobre a resiliência das infraestruturas digitais que sustentam a operação do sistema elétrico brasileiro. A expansão da conectividade e da digitalização operacional aumentou a preocupação do setor com riscos cibernéticos, proteção de dados estratégicos e continuidade operacional dos centros de controle.
A estrutura diretiva do ONS também terá papel relevante na coordenação do planejamento da transmissão elétrica e no aprimoramento das regras operativas relacionadas ao despacho hidrelétrico e termelétrico. Com a posse dos novos diretores, a composição da alta liderança do operador passa a contar com Marcio Rea na Diretoria-Geral, Alexandre Nunes Zucarato na Diretoria de Planejamento, Maurício de Souza na área de Tecnologia da Informação, Relacionamento com Agentes e Assuntos Regulatórios, além de Valter Cardeal e Hugo Dantas nas novas funções assumidas nesta semana.
Novo ciclo do ONS será decisivo para confiabilidade do SIN
A nova composição da Diretoria Colegiada chega em um período considerado estratégico para a consolidação da transição energética brasileira.
O avanço da eletrificação, a expansão da demanda por energia, o crescimento da geração distribuída e a necessidade de integração de novas tecnologias devem ampliar a complexidade operacional do sistema elétrico nos próximos anos. Nesse cenário, o ONS terá papel central para garantir equilíbrio entre segurança energética, eficiência operativa e integração das novas fontes renováveis à matriz elétrica nacional.
O desempenho da nova diretoria também será acompanhado de perto pelo mercado diante dos desafios associados ao aumento do curtailment, à expansão da transmissão e à necessidade de contratação de potência firme para dar suporte ao crescimento das fontes intermitentes.


