Bow-e aposta em modelo “AI First” para redefinir a geração distribuída e acelerar escala no mercado de energia por assinatura

Com crescimento de cinco vezes em 2025 e nova liderança, companhia coloca inteligência artificial no centro da operação para ganhar eficiência, ampliar receita e antecipar a abertura total do mercado livre de energia

Em um movimento que sinaliza uma inflexão relevante na digitalização do setor elétrico brasileiro, a Bow-e, operadora de energia renovável por assinatura do Grupo Bolt, decidiu posicionar a inteligência artificial como eixo central de sua estratégia de crescimento. A iniciativa ocorre em um ambiente de transformação regulatória e aumento da competição, especialmente com a expansão do mercado livre de energia e o avanço da geração distribuída.

A proposta da companhia é operar sob um modelo “AI First”, no qual a inteligência artificial deixa de ser um suporte operacional para se tornar geradora direta de valor, impactando receita, eficiência e experiência do cliente. Trata-se de uma mudança estrutural em um setor historicamente conservador na adoção de tecnologias disruptivas.

A estratégia ganha tração em um momento de forte expansão da empresa. Em 2025, a Bow-e registrou crescimento de cinco vezes, alcançando 15 mil clientes ativos e faturamento mensal de R$ 10 milhões. No mesmo período, os consumidores atendidos acumularam R$ 33 milhões em economia nas contas de energia, reforçando o apelo do modelo de energia por assinatura em um cenário de tarifas voláteis.

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Para 2026, a companhia projeta acelerar ainda mais esse ritmo, com a adição de 11 mil novos clientes, receita mensal superior a R$ 15 milhões e geração de R$ 57 milhões em economia anual.

Nova liderança e visão estratégica orientada por dados

A chegada de Ciro Neto à liderança da Bow-e marca o início de uma reestruturação profunda das operações, com foco em ganhos mensuráveis a partir da inteligência artificial. O executivo apresenta uma visão clara sobre o papel da tecnologia na transformação do setor energético.

“A energia sempre foi tratada como commodity. O que estamos fazendo é usar inteligência artificial para transformar eficiência operacional em vantagem competitiva real, o que será imprescindível com a abertura total do mercado livre de energia, por exemplo”, afirma Ciro. “Nossa meta não é apenas automatizar processos, mas redesenhar a forma como uma operadora atua, toma decisão e se relaciona com o cliente”, completa.

A abordagem reflete uma tendência mais ampla de digitalização no setor elétrico, mas com um diferencial importante: a Bow-e busca integrar IA em toda a cadeia de valor, e não apenas em iniciativas isoladas.

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Automação em escala e impacto direto em receita

A estratégia “AI First” prevê a implementação de múltiplos agentes de inteligência artificial operando de forma integrada, com acesso a diferentes modelos de linguagem (LLMs) e bases de dados energéticas e comportamentais.

O objetivo é ambicioso: automatizar entre 80% e 100% das tarefas manuais nas áreas de vendas, atendimento e cobrança até o segundo semestre de 2026. O cronograma já está definido, com etapas distribuídas ao longo do ano, priorizando ganhos rápidos de produtividade.

“Estamos estabelecendo prazos claros pela frente porque queremos capturar ganho de produtividade de forma estruturada. A IA precisa impactar receita, margem e experiência do cliente, caso contrário, acaba se tornando apenas um discurso”, destaca Neto.

Essa visão dialoga diretamente com a crescente pressão por eficiência no setor elétrico, especialmente entre comercializadoras e operadoras de geração distribuída que disputam margens em um ambiente cada vez mais competitivo.

“Davi”: a IA proprietária como interface central com o cliente

No centro da arquitetura tecnológica da Bow-e está o “Davi”, inteligência artificial proprietária desenvolvida para centralizar a experiência do cliente. Inicialmente concebido como ferramenta de atendimento, o sistema evoluiu para uma camada estratégica capaz de integrar dados, automatizar decisões e personalizar interações.

A proposta é oferecer uma experiência resolutiva e fluida, com capacidade de adaptação ao perfil de cada consumidor, combinando eficiência digital com um alto grau de personalização.

“A gente entende que o cliente não quer falar com um robô. Ele quer resolver o problema. O Davi nasce com esse princípio: ser resolutivo. Se a IA não aumenta a taxa de solução no primeiro contato, ela não está cumprindo seu papel”, afirma Neto.

A estrutura envolve múltiplos agentes especializados que atuam em diferentes etapas da jornada do cliente, permitindo escala sem perda de qualidade no atendimento, um dos principais gargalos das empresas que operam modelos digitais intensivos.

Energia por assinatura ganha sofisticação e escala

A adoção de inteligência artificial também reforça o posicionamento estratégico da Bow-e no mercado de energia por assinatura, segmento que cresce impulsionado pela busca por previsibilidade de custos e acesso a fontes renováveis.

A empresa pretende atuar como uma “alfaiataria energética” para grandes consumidores, oferecendo contratos customizados com alto nível de sofisticação, ao mesmo tempo em que mantém uma proposta simplificada e digital para pequenas e médias empresas.

No portfólio, já figuram clientes relevantes como Bradesco, Subway e Riachuelo, além de uma base crescente de PMEs. Essa dualidade, alta customização para grandes players e escalabilidade para PMEs, tende a se tornar um diferencial competitivo à medida que o mercado evolui para um ambiente mais aberto e orientado por dados.

Tendência estrutural no setor elétrico

A movimentação da Bow-e ocorre em paralelo a transformações estruturais no setor elétrico brasileiro, incluindo a ampliação do mercado livre de energia, o avanço da geração distribuída e a digitalização das operações.

A expectativa de abertura total do mercado para consumidores de baixa tensão nos próximos anos deve intensificar a competição e elevar o nível de exigência por eficiência operacional, experiência do cliente e inovação tecnológica.

Nesse contexto, o modelo “AI First” surge como uma possível referência para o futuro das comercializadoras e operadoras de energia, ao integrar tecnologia, dados e estratégia de forma transversal.

“O objetivo aqui não é apenas crescer. É crescer com um modelo que seja replicável, escalável e baseado em tecnologia. Queremos ser reconhecidos como a primeira operadora de geração distribuída verdadeiramente AI First do Brasil”, ressalta Ciro.

Se bem-sucedida, a iniciativa pode redefinir padrões operacionais no setor, consolidando a inteligência artificial não apenas como ferramenta de eficiência, mas como pilar central de geração de valor no mercado de energia.

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