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Absolar redefine agenda do setor solar e coloca armazenamento e modernização da rede no centro da transição energética

Absolar redefine agenda do setor solar e coloca armazenamento e modernização da rede no centro da transição energética

Nova diretoria da associação assume mandato até 2030 com foco em curtailment, expansão da infraestrutura elétrica e segurança regulatória para sustentar avanço da energia solar no Brasil

A expansão acelerada da energia solar no Brasil entrou em uma nova etapa. Após consolidar a fonte fotovoltaica como a segunda maior da matriz elétrica nacional, a agenda do setor passa agora a ser dominada por desafios ligados à infraestrutura, armazenamento e integração sistêmica. É nesse contexto que a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) inicia o mandato de seu novo Conselho de Administração para o ciclo 2026-2030.

A entidade assume uma pauta mais técnica e estratégica em um momento em que o crescimento da geração renovável começa a pressionar os limites operacionais da rede elétrica. Com mais de 68 GW de capacidade instalada acumulada, o setor enfrenta gargalos relacionados ao escoamento da energia, cortes de geração renovável e restrições para conexão de novos projetos.

A prioridade da nova gestão será ampliar o debate regulatório sobre modernização tarifária, flexibilidade da rede e incorporação de tecnologias capazes de aumentar a estabilidade do sistema elétrico brasileiro.

Crescimento da energia solar pressiona infraestrutura elétrica

A velocidade da expansão fotovoltaica no país elevou a complexidade operacional do Sistema Interligado Nacional (SIN). Nos últimos anos, o aumento da geração distribuída e centralizada intensificou fenômenos como inversão de fluxo de potência, sobrecarga em redes locais e episódios de curtailment determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

A presidente do Conselho de Administração da Absolar, Bárbara Rubim, avalia que o avanço das renováveis exige uma atualização estrutural do setor elétrico brasileiro: “O Brasil ultrapassou 68 GW de capacidade instalada de energia solar, consolidando a fonte como a segunda maior da matriz elétrica nacional. O crescimento acelerado das renováveis exige atualização da infraestrutura e aperfeiçoamentos regulatórios.”

A executiva afirma que a entidade pretende aprofundar o diálogo com distribuidoras, transmissoras, agentes de mercado e órgãos reguladores para enfrentar os entraves técnicos que vêm limitando a expansão da fonte em diversas regiões do país. “A associação pretende ampliar o diálogo com agentes do setor elétrico e defender soluções para desafios como cortes de geração (curtailment), inversão de fluxo de potência e limitações na rede de transmissão e distribuição.”

A discussão ganha relevância especialmente em estados com forte concentração de usinas renováveis, onde a capacidade de transmissão não avançou na mesma velocidade dos investimentos em geração.

Armazenamento e smart grids entram no centro da estratégia

Além das questões ligadas à rede elétrica convencional, a Absolar passa a defender com mais intensidade a criação de um ambiente regulatório favorável para tecnologias complementares à expansão solar.

Entre as prioridades da entidade estão o desenvolvimento do mercado de armazenamento de energia em baterias (BESS), hidrogênio verde, mobilidade elétrica e redes inteligentes. A avaliação do setor é de que essas soluções serão fundamentais para reduzir a intermitência das renováveis e ampliar a previsibilidade operacional do sistema.

O armazenamento, em especial, tornou-se um dos principais temas do setor elétrico global diante do avanço da geração variável. No Brasil, agentes do mercado defendem que a regulamentação dos sistemas BESS pode criar uma nova dinâmica para arbitragem energética, serviços ancilares e segurança operativa.

A agenda também conversa diretamente com a abertura do mercado livre de energia, que amplia a demanda por contratos mais flexíveis, previsibilidade de preços e soluções energéticas integradas.

Segurança regulatória mantém protagonismo na atração de investimentos

Mesmo com a expansão consistente da energia solar no país, o setor ainda vê a estabilidade regulatória como elemento central para manter o fluxo de capital estrangeiro e doméstico. Nos últimos anos, discussões envolvendo revisão de regras de compensação, conexão de microgeração, curtailment e encargos setoriais ampliaram a percepção de risco regulatório entre investidores.

O vice-presidente institucional da Absolar, Ronaldo Koloszuk, reforça que a previsibilidade continuará sendo uma das principais bandeiras da entidade ao longo do novo mandato: “A associação seguirá atuando pela estabilidade regulatória e pela atração de investimentos ao setor fotovoltaico.”

A avaliação do mercado é que o próximo ciclo do setor solar dependerá menos da expansão pura de capacidade instalada e mais da capacidade do país de modernizar sua infraestrutura elétrica, integrar novas tecnologias e criar sinais econômicos adequados para armazenamento e flexibilidade da rede.

Setor entra em fase de maturidade operacional

A posse do novo conselho marca também uma mudança de perfil do setor fotovoltaico brasileiro. Se nos últimos anos o foco esteve concentrado na expansão acelerada da capacidade instalada, o desafio agora passa a ser a sustentação operacional dessa expansão em um sistema elétrico cada vez mais descentralizado.

A Absolar pretende atuar como articuladora técnica e institucional para acelerar soluções que garantam maior eficiência ao SIN sem comprometer a modicidade tarifária. A discussão sobre modernização da infraestrutura elétrica deve ganhar ainda mais espaço nos próximos anos, especialmente diante do avanço da eletrificação da economia, da digitalização industrial e da demanda crescente por energia limpa no mercado livre.

Para o setor elétrico, o novo mandato da associação ocorre em um momento decisivo: transformar o crescimento recorde da energia solar em um modelo sustentável de longo prazo, capaz de combinar expansão renovável, segurança energética e competitividade econômica.