Criação da Nadina Minerals marca avanço na verticalização da cadeia mineral estratégica e reforça papel do país na transição energética e no setor nuclear
O Brasil dá um passo relevante na disputa global por minerais críticos ao oficializar a criação da Nadina Minerals, joint venture formada entre a NBEPar e a Uranium One Group. O acordo foi firmado nesta terça-feira (24), durante o Nuclear Summit 2026, consolidando uma estratégia que conecta mineração, energia e tecnologia em um mesmo eixo de desenvolvimento.
Com sede no Rio de Janeiro, a nova companhia nasce com foco na exploração e no processamento de minerais estratégicos, posicionando o país como potencial fornecedor relevante de insumos essenciais para a transição energética global.
Verticalização da cadeia mineral ganha protagonismo
A Nadina Minerals surge com uma proposta integrada, cobrindo desde a prospecção geológica até o desenvolvimento de rotas avançadas de beneficiamento mineral. O modelo busca capturar maior valor agregado dentro do território nacional, reduzindo a dependência de exportação de matéria-prima bruta.
A combinação entre o conhecimento geológico da NBEPar e a expertise tecnológica da Uranium One Group cria uma plataforma com potencial de escala global, especialmente em um momento de reconfiguração das cadeias de suprimentos.
Minerais críticos no centro da transição energética
A criação da joint venture ocorre em um contexto de crescente pressão internacional por segurança no fornecimento de minerais críticos. Elementos como lítio, terras raras, cobalto e urânio são fundamentais para tecnologias de baixo carbono, incluindo baterias, turbinas eólicas e sistemas nucleares.
A atuação da Uranium One Group, que possui operações consolidadas em países como Cazaquistão, Tanzânia e Namíbia, adiciona musculatura internacional ao projeto e amplia a inserção do Brasil nesse mercado estratégico.
O movimento reforça o posicionamento do país como potencial hub global de minerais críticos, com capacidade de atender à demanda crescente por insumos ligados à eletrificação e à descarbonização.
Integração com o setor nuclear e novas tecnologias
A iniciativa também dialoga diretamente com o avanço do setor nuclear brasileiro. A NBEPar, ligada ao Grupo Diamante, vem estruturando sua atuação em tecnologias de ponta, incluindo o desenvolvimento de microrreatores nucleares (SMRs) por meio da Terminus S.A.
Essa integração entre mineração e tecnologia nuclear cria sinergias importantes, especialmente no fornecimento de urânio e no desenvolvimento de soluções energéticas de base firme e baixa emissão de carbono.
Investimento estrangeiro e fortalecimento industrial
A parceria com a Rosatom, via sua subsidiária Uranium One Group, também sinaliza a retomada do interesse de capital internacional em projetos estruturantes no Brasil.
A estratégia visa ampliar a participação da iniciativa privada em setores historicamente concentrados, ao mesmo tempo em que atrai investimentos diretos para a indústria mineral e nuclear.
A Nadina Minerals nasce com o compromisso de operar sob padrões internacionais de governança e sustentabilidade, atendendo a exigências crescentes de rastreabilidade e responsabilidade socioambiental nos mercados globais.
Brasil na geopolítica dos minerais estratégicos
A criação da joint venture ocorre em um momento em que países e blocos econômicos buscam reduzir dependências externas e garantir acesso a insumos críticos para suas cadeias industriais.
Nesse cenário, o Brasil reúne vantagens competitivas relevantes, como diversidade geológica, potencial inexplorado e matriz energética relativamente limpa, fatores que aumentam sua atratividade como fornecedor confiável.
Ao estruturar uma operação que vai além da extração e incorpora etapas de processamento e tecnologia, a NBEPar e a Uranium One Group sinalizam uma mudança de paradigma: transformar recursos naturais em ativos industriais de maior valor agregado.
Nova fronteira para a economia de baixo carbono
A Nadina Minerals se insere em uma agenda mais ampla de transição energética e reindustrialização verde, na qual minerais críticos assumem papel central.
A iniciativa posiciona o Brasil não apenas como fornecedor de recursos, mas como potencial protagonista na cadeia global de tecnologias limpas, conectando mineração de precisão, inovação industrial e segurança energética.



