BNDES articula saída para Raízen e aponta ativos da Cosan como rota estratégica para a Petrobras

Presidente do banco, Aloizio Mercadante, destaca solidez de ativos como Compass e rede Shell, mas vincula eventual aquisição à governança e ao apetite de investimento da estatal.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assumiu um papel de articulador central nas negociações para a reestruturação financeira da Raízen. A instituição atua na interlocução entre credores e acionistas em um dos processos mais monitorados pelo setor de energia e biocombustíveis no Brasil, dada a relevância sistêmica da joint venture entre Shell e Cosan.

Durante a apresentação dos resultados financeiros de 2025, no Rio de Janeiro, o presidente do banco, Aloizio Mercadante, detalhou que a estratégia da instituição visa contribuir para a recuperação da companhia, mesmo sem uma participação formal no processo de recuperação extrajudicial. O movimento ocorre em um momento de reorganização que pode redefinir o controle de ativos cruciais na cadeia de combustíveis e gás natural.

Mediação e o papel sistêmico da Raízen

A companhia opera como uma das engrenagens centrais do setor sucroenergético brasileiro, com uma plataforma integrada que domina desde a base produtiva de açúcar e etanol até a distribuição em larga escala. O presidente do BNDES ressalta que o vigor operacional da empresa justifica o empenho do banco na construção de uma saída financeira sustentável:

- Advertisement -

“Acreditamos que a recuperação da Raízen é possível e estamos trabalhando nessa direção. A empresa tem resultados sólidos e um peso muito grande no setor de biocombustíveis. Embora não estejamos na recuperação extrajudicial, nosso objetivo como banco é ajudar a encontrar uma solução estruturada que preserve esses ativos importantes”, pontua o executivo.

A confiança da instituição fundamenta-se na robustez do portfólio do Grupo Cosan, que detém ativos estratégicos como a Compass (gás e energia), Moove (lubrificantes) e Rumo (logística). Essa estrutura integrada é vista como o lastro necessário para que o grupo atravesse o atual cenário de alavancagem sem comprometer a continuidade das operações.

Blindagem patrimonial e rigor no crédito

Ao tratar do risco de crédito, Mercadante sublinhou que o BNDES opera sob uma estrutura de garantias reais que o blinda de disputas judiciais diretas, mantendo a inadimplência em níveis historicamente baixos. O executivo validou o rigor da política de concessão do banco ao traçar um paralelo com outros processos de reestruturação de grande porte:

“Como nossos créditos possuem garantia real, o BNDES não integra a recuperação extrajudicial. Embora nossa natureza de banco público favoreça essa posição, o fato é que recebemos integralmente nossos recursos em casos como Americanas, Oi e Light. É esse modelo que assegura os baixos índices de inadimplência que registramos hoje.”

- Advertisement -

Sinergias com a Petrobras e integração vertical

O ponto de maior atenção para o mercado envolve o apetite da Petrobras por ativos que acelerem seu retorno ao segmento de distribuição e transição energética. Nesse cenário, a capilaridade da rede Shell e a infraestrutura de gás da Compass surgem como alvos naturais de integração. Ao avaliar essa convergência industrial, Mercadante ressalta que a viabilidade de qualquer aquisição submete-se rigorosamente à governança da estatal:

“O Grupo Cosan detém ativos de alto valor, como a maior distribuidora de gás do país, que são e continuarão sendo fundamentais para o setor. Somado a isso, há uma rede centenária com 8 mil postos sob a marca Shell. Embora exista um potencial interesse nesses ativos, essa é uma análise que cabe exclusivamente à Petrobras, e não ao BNDES.”

A possível incursão da Petrobras sobre ativos da Raízen está condicionada à aderência estrita ao plano de negócios da petroleira. Mercadante pondera que, embora a complementaridade industrial seja evidente, o movimento depende do alinhamento com a atual estratégia de alocação de capital da companhia:

“Existe uma sinergia clara com a Petrobras, mas é necessário avaliar o apetite e o interesse real da companhia. A decisão precisa estar integrada ao seu plano de investimentos e à estratégia de aquisição de ativos, inclusive no segmento de biocombustíveis, onde ela já possui participação”, conclui.

Destaques da Semana

Cemig troca comando e elege Marco Aurélio Vasconcelos para presidência

Alexandre Ramos Peixoto assume o Conselho de Administração; mudanças...

Redata é sancionado, mas definição sobre gás natural trava regras para data centers

Regime tributário prevê R$ 5,2 bilhões em renúncia fiscal...

ONS propõe sandbox com cinco distribuidoras para testar modelo DSO no SIN

Projeto prevê despacho em tempo real de recursos energéticos...

CCEE aprova Elisa Bastos para nova Diretoria de Tecnologia

Ex-diretora do ONS foi indicada pelo MME e ainda...

Thymos projeta PLD médio de R$ 170/MWh na primavera

Consultoria atribui perspectiva de preços moderados aos níveis dos...

Artigos

Últimas Notícias