Brasil e Reino Unido estreitam cooperação regulatória para impulsionar mercado de hidrogênio de baixo carbono

Missão técnica liderada pelo MME e ANP em solo britânico foca em infraestrutura de eletrolisadores e modelos de governança para o setor; agenda integra o Brazil-UK Hydrogen Hub

A consolidação do arcabouço regulatório e tecnológico para o hidrogênio de baixa emissão de carbono no Brasil avançou mais um passo estratégico na última semana. Uma comitiva brasileira, composta por especialistas do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), encerrou uma missão técnica ao Reino Unido focada em benchmarking regulatório e prospecção de soluções para a cadeia de suprimentos do novo energético.

A agenda faz parte das ações do Brazil-UK Hydrogen Hub, iniciativa lançada originalmente na COP28. O hub funciona como um mecanismo de coordenação internacional para apoiar as metas do Programa Nacional de Hidrogênio (PNH2), facilitando a troca de inteligência técnica entre o governo brasileiro e o ecossistema britânico de transição energética.

Benchmarking regulatório com o DESNZ e Ofgem

Um dos pilares da missão foi o intercâmbio sobre modelos de governança e regulação de mercado. O Reino Unido é hoje uma das referências globais em desenhos de incentivos e estruturação de infraestrutura para gases de baixa emissão. A delegação brasileira participou de sessões de trabalho com o Department for Energy Security & Net Zero (DESNZ) e com o regulador britânico Office of Gas and Electricity Markets (Ofgem).

- Advertisement -

A presença da ANP nas discussões é considerada fundamental, dado que a agência detém a competência para regulamentar a atividade no território brasileiro. O foco das reuniões recaiu sobre como os marcos regulatórios podem conferir segurança jurídica aos investimentos em larga escala, equilibrando a inovação tecnológica com as garantias operacionais do sistema.

Imersão tecnológica: Eletrolisadores e Centros de Pesquisa

Além da frente normativa, a missão percorreu infraestruturas críticas que representam o estado da arte na produção de hidrogênio. O roteiro incluiu visitas técnicas à planta comercial da HyMarnham Power e às fábricas de eletrolisadores da ITM Power e Ceres, empresas que lideram o desenvolvimento de tecnologias de eletrólise para diferentes escalas e aplicações industriais.

O grupo também conheceu as operações do Energy Systems Catapult, centro britânico de excelência voltado à aceleração da transição energética através de modelagem de sistemas e inovação tecnológica. Representando a Secretaria Nacional de Transição Energética e Planejamento (SNTEP), a comitiva contou com a participação de Natalia Hoffmann Ramos, Coordenadora-Geral de Energias e Tecnologias de Baixo Carbono e Inovação, e Sérgio Ayrimoraes, Coordenador-Geral de Estudos Integrados.

O papel do Brazil-UK Hydrogen Hub no PNH2

Organizada pelo Departamento de Negócios e Comércio do Reino Unido (DBT), a missão reforça os laços bilaterais em um momento em que o Brasil define as bases para se tornar um dos maiores exportadores de energia limpa do mundo.

- Advertisement -

A iniciativa, estabelecida por meio de uma Declaração Conjunta de Intenções entre as duas nações, tem com propósito mobilizar e coordenar um programa direcionado de assistência bilateral e internacional para apoiar as entregas do Programa Nacional de Hidrogênio – PNH2. Com o encerramento da missão, a expectativa é que os subsídios técnicos colhidos no Reino Unido acelerem a elaboração das normas técnicas e dos editais de fomento previstos no cronograma regulatório nacional para 2026.

Destaques da Semana

CCEE enquadra Tradener em operação balanceada e reforça monitoramento no mercado de energia

Decisão amplia controle sobre contratos e exposição financeira do...

ANEEL propõe endurecer regras da geração distribuída e abrir caminho para corte remoto de MMGD

Consulta pública amplia poder das distribuidoras, prevê auditorias obrigatórias...

São Paulo mira economia de R$ 830 milhões com migração em massa para o Mercado Livre

Plano prevê levar 1,2 mil prédios públicos ao ACL...

Enel SP: Indenização por caducidade pode chegar a R$ 15 bilhões e ANEEL estuda licitação

Agência Nacional de Energia Elétrica projeta impacto bilionário com...

Artigos

Últimas Notícias