Executiva substitui Charles Lenzi, que liderou a entidade de geração renovável por 13 anos; transição visa ampliar diálogo institucional em momento de modernização do setor elétrico.
O mercado de representação setorial de energia renovável passa por uma das mais importantes movimentações de liderança do ano. A Associação Brasileira de Geração de Energia Limpa (Abragel) anunciou oficialmente o início de um novo ciclo estratégico em sua gestão corporativa. A executiva Alessandra Torres foi nomeada para assumir a presidência-executiva da entidade, sucedendo Charles Lenzi, profissional que esteve na liderança da associação ao longo dos últimos 13 anos.
A troca de comando redesenha as articulações políticas e institucionais das fontes renováveis em Brasília. O movimento ocorre em um momento em que as pautas de modernização do setor elétrico, a reforma estrutural do modelo de contratação e as discussões sobre encargos e subsídios exigem interlocução técnica e trânsito regulatório ágil entre as associações de classe, o Ministério de Minas e Energia (MME) e o Congresso Nacional.
O novo direcionamento institucional e a bagagem regulatória
A escolha de Alessandra sinaliza o desejo do conselho da Abragel de intensificar sua representatividade junto aos agentes tomadores de decisão e ao mercado de capitais. Em nota, a associação emitiu um comunicado detalhando que a transição na presidência marca um novo momento para a entidade, destacando que contará com a experiência de Alessandra Torres “para ampliar o diálogo institucional e fortalecer a atuação da associação”.
A trajetória profissional da nova presidente-executiva reflete uma sólida formação técnica na base do setor elétrico brasileiro. Graduada em Geografia, ela iniciou sua atuação profissional diretamente na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), onde integrou o corpo técnico da área de geração entre os anos de 2000 e 2007. Após o período no órgão regulador, acumulou extensa experiência no mercado privado atuando em consultoria regulatória estratégica para grandes agentes de geração.
Dança das cadeiras e desdobramentos no setor
Até o momento do anúncio, Alessandra exercia a presidência-executiva da Associação Brasileira de Pequenas Centrais Hidrelétricas e Centrais Geradoras Hidrelétricas (AbraPCH), onde atuava desde o período de fundação, desempenhando diversos postos de liderança até ser alçada ao comando em 2022. Com a sua saída para a Abragel, o conselho da instituição de PCHs oficializou o advogado e especialista em regulação do setor elétrico, Lucas Pimentel, para liderar os pleitos das usinas de menor porte a partir deste segundo semestre.
Diante da consolidação dos novos quadros diretivos, a nova presidente-executiva da Abragel pontuou o foco de suas metas à frente da instituição que defende os interesses de ativos hidráulicos, eólicos, solares e de biomassa: “A Abragel tem uma história importante na defesa da energia limpa e renovável no Brasil. Assumo este desafio com grande senso de responsabilidade, buscando contribuir para o fortalecimento institucional da associação e para o avanço das pautas estratégicas do setor.”
A transição executiva deve se desdobrar em uma agenda intensa de reuniões de alinhamento com os comitês técnicos da associação nas próximas semanas, visando consolidar o plano de metas regulatórias para as próximas janelas de leilões de energia e para a expansão do Ambiente de Contratação Livre (ACL).


