Tecnologias inéditas, como fibra óptica Optiq e Automated Lithology, marcam etapa crítica para armazenamento permanente de CO₂ e abertura de uma nova fronteira de descarbonização no Brasil
A SLB concluiu a construção do primeiro poço de injeção de carbono do projeto de Bioenergia com Captura e Armazenamento de Carbono (BECCS) desenvolvido para a FS, uma das maiores produtoras de etanol de milho do país. O marco representa um avanço estratégico não apenas para o empreendimento, mas para toda a agenda de descarbonização do setor de bioenergia no Brasil, colocando o país na rota dos projetos globais de captura e armazenamento de carbono (CCS) com pegada negativa.
O projeto da FS é o primeiro de BECCS em implantação no Hemisfério Sul e poderá armazenar até 12 milhões de toneladas de CO₂ ao longo de três décadas, eliminando emissões do processo de fermentação do milho utilizado na produção de etanol. A SLB venceu a licitação no início do ano para a construção e avaliação de dois poços, reforçando uma parceria que já dura três anos, e agora avança para a fase mais determinante: os testes de injetividade.
Perfuração introduz tecnologias inéditas no Brasil para projetos de CCS
Durante a etapa de perfuração, a SLB empregou um conjunto de tecnologias que representa um salto de qualidade para projetos de captura e armazenamento de carbono no país. Foram utilizados serviços de perfuração direcional, brocas, fluidos, controle de sólidos e avaliação de amostras de rocha, além da primeira utilização comercial do Automated Lithology no Brasil especificamente em poços destinados ao armazenamento geológico de CO₂.
A empresa também conduziu avaliação de formações a cabo e instalou sistemas de monitoramento com fibras e sensores, que permitirão análises contínuas ao longo da vida operacional do poço. Essa combinação de ferramentas integra automação, inteligência artificial e precisão geológica, reduzindo riscos e ampliando a confiabilidade do projeto.
Com a perfuração concluída, a SLB iniciou os testes de injetividade, etapa essencial para validar a viabilidade técnica da injeção de CO₂ no subsolo. Esses testes devem se estender por algumas semanas, contemplando execução, coleta e análise dos dados.
FS poderá injetar 423 mil toneladas de CO₂ por ano, com potencial de 12 milhões de toneladas em 30 anos
Com todas as etapas confirmadas, a FS terá condições de injetar no subsolo as atuais 423 mil toneladas de CO₂ geradas anualmente na planta, apenas no processo de fermentação do milho. Ao longo de 30 anos, a capacidade estimada alcança 12 milhões de toneladas, consolidando a usina como uma das primeiras do mundo a operar etanol de milho com pegada de carbono negativa.
O modelo BECCS, que integra bioenergia à captura e ao armazenamento permanente de CO₂, é considerado uma das tecnologias mais promissoras para a remoção líquida de emissões e para o cumprimento de metas globais de neutralidade climática. Para o setor sucroenergético e de etanol de milho, o projeto representa uma rota de diferenciação competitiva e de acesso a mercados internacionais exigentes, como o europeu e o norte-americano.
Tecnologias inovadoras elevam padrões de monitoramento e segurança
Dois avanços tecnológicos se destacam: a primeira instalação da fibra óptica SLB Optiq em revestimento de poço na América Latina e o uso do Automated Lithology, que incorpora inteligência artificial às análises geológicas.
A fibra óptica Optiq permitirá monitoramento contínuo, em tempo real, da integridade do poço durante toda a fase de injeção, garantindo alta precisão e transparência das operações de armazenamento. Segundo a equipe técnica da SLB, esse sistema possibilita.
“a verificação da integridade do poço em tempo real durante a fase operacional de injeção de CO₂, elimina a necessidade de intervenções recorrentes no poço, aumenta a robustez e o nível de confiança do armazenamento permanente de CO₂ frente à comunidade e junto aos certificadores, além de reduzir riscos e custos operacionais relacionados ao monitoramento de longo prazo em até 75%.”
Esse padrão eleva a confiabilidade do CCS e atende diretamente às demandas internacionais de certificação de armazenamento permanente.
IA aplicada à geologia: precisão, sustentabilidade e menor pegada operacional
Outro eixo inovador do projeto é o Automated Lithology, tecnologia que combina análise geológica e inteligência artificial para identificar formações com maior capacidade de armazenamento. O sistema opera de forma remota: amostras são fotografadas e enviadas automaticamente para a nuvem, permitindo avaliações em tempo real por especialistas em qualquer lugar do mundo.
Essa abordagem reduz a necessidade de equipes em campo, diminui riscos operacionais e reduz a pegada de carbono das operações. Ferramentas como o LithoLink garantem precisão na identificação das rochas ideais, assegurando eficiência e segurança no processo de armazenamento de CO₂. Trata-se de um avanço que redefine práticas de geologia de poço e inaugura uma nova fase de digitalização e sustentabilidade no setor.
Marco para a transição energética brasileira
O andamento do projeto BECCS da FS representa um marco para a transição energética e para a economia de baixo carbono no país. O Brasil passa a integrar, com mais força, o grupo de países que desenvolvem soluções de armazenamento permanente de carbono e tecnologias de emissões negativas, essenciais para metas de descarbonização ambiciosas.
Além disso, o projeto cria referência para outras iniciativas de captura e armazenamento no setor de bioenergia, fertilizantes, siderurgia e indústrias intensivas em carbono. A combinação entre inovação tecnológica, segurança geológica e monitoramento avançado coloca o Brasil em posição de destaque nas rotas globais de mitigação e remoção de carbono.



