Motiva fecha contrato com a Prime Energy e avança na descarbonização das rodovias Dutra, Rio-Santos e Castello Branco

Acordo prevê fornecimento anual de 2,1 GWh de energia solar e redução de até 26% nos custos de eletricidade das concessionárias RioSP e SPVias

A Motiva, maior empresa de infraestrutura de mobilidade do Brasil, deu um passo decisivo na estratégia de reduzir sua pegada de carbono e consolidar uma matriz 100% renovável em todas as concessões sob sua gestão. A companhia assinou um contrato de cinco anos com a Prime Energy, fornecedora das soluções de energia renovável da Shell Energy no país, para abastecer com energia solar as rodovias Presidente Dutra, Rio-Santos, Castello Branco e demais trechos administrados pela SPVias.

O acordo utiliza o modelo de geração distribuída (GD) e prevê o fornecimento anual de 2.115,6 MWh de energia renovável para 120 unidades consumidoras, incluindo praças de pedágio, sistemas de iluminação, centros operacionais, bases administrativas, câmeras de monitoramento e balanças. A energia será proveniente de usinas localizadas em áreas de concessão da CPFL Paulista e Elektro, garantindo rastreabilidade por meio de certificados I-RECs.

Segundo a Motiva, a contratação permitirá reduzir em 26% os custos de energia dessas unidades e evitar a emissão de 90,33 tCO₂e por ano, consolidando o avanço da empresa rumo à eliminação total das emissões de escopo 2.

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Energia solar como nova alavanca da mobilidade sustentável

Ao detalhar o acordo, o vice-presidente de Inovação, Tecnologia, Risco e Sustentabilidade da Motiva, Pedro Sutter, comentou o acordo, enfatizando que a energia renovável desempenha uma função central na estratégia corporativa de sustentabilidade e descarbonização.

“Atualmente, estamos entre os 50 maiores consumidores de energia elétrica do país e encaramos os investimentos em fontes renováveis como um pilar essencial na estratégia de redução da nossa pegada de carbono. Como uma das principais agentes do setor de mobilidade, a Motiva tem como prioridade a gestão responsável de sua matriz energética. Expandir o uso de energia limpa reforça a solidez do nosso plano de descarbonização e garante que nossas operações avancem em consonância com as metas climáticas da Companhia. A parceria com a Prime Energy representa mais um passo consistente nessa direção e fortalece a posição da Motiva como referência em sustentabilidade e eficiência no uso de recursos.”

A declaração reforça que o acordo não se limita a gerar economia, mas integra um plano mais amplo de reposicionamento estratégico da empresa na transição energética.

Prime Energy amplia presença no setor rodoviário

Para a Prime Energy, o contrato recém-firmado representa a expansão estratégica de sua atuação no segmento de concessões rodoviárias, um setor crucial da infraestrutura nacional. A CEO da companhia, Ana Lia Ferrero, destacou a relevância do movimento.

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“Com esta parceria, ampliamos nossa presença no setor de concessões rodoviárias e reforçamos o compromisso da Prime Energy em oferecer soluções de energia por assinatura com alta performance, previsibilidade e economia consistente. Atender as unidades consumidoras da Motiva, incluindo praças de pedágio e bases administrativas, demonstra a confiança na nossa capacidade de entregar eficiência e segurança operacional em larga escala.”

O modelo de GD solar assegura previsibilidade tarifária e permite à Motiva antecipar etapas de seu plano de gestão energética, alinhado às tendências de descarbonização do setor de mobilidade.

Estratégia integrada: autoprodução, mercado livre e I-RECs

A contratação com a Prime Energy reforça um mosaico de iniciativas que a Motiva vem desenvolvendo para ampliar sua matriz renovável. Atualmente, a empresa combina diferentes mecanismos de suprimento:

  • autoprodução por equiparação,
  • contratos no mercado livre de energia,
  • geração distribuída solar,
  • uso de certificados I-RECs.

Essa diversificação é fundamental para o objetivo de manter emissões de escopo 2 zeradas, pilar estratégico do plano de transição climática assumido junto ao Science Based Targets initiative (SBTi).

No final de 2024, a Motiva tornou-se sócia de três usinas eólicas no Piauí, que já abastecem as linhas 4 e 5 (ViaQuatro e ViaMobilidade) do metrô de São Paulo e as linhas 8 e 9 dos trens metropolitanos, um dos maiores movimentos de autoprodução do setor nacional de mobilidade.

Mobilidade de baixo carbono: da eletrificação da frota ao uso de biocombustíveis

Além dos projetos elétricos, a Motiva tem ampliado o uso de biocombustíveis. Em 2024, 92,4% da frota leve própria já utilizava etanol, com meta de chegar a 100% até 2025.

A companhia também trabalha na eletrificação da frota operacional (como guinchos leves e ambulâncias) e na modernização dos sistemas de refrigeração de estações e trens, reduzindo consumo e emissões de escopo 1.

Essas ações fazem parte do eixo “Redução do Risco Climático e da Pegada Ambiental” da Ambição 2035, estratégia de longo prazo conduzida por um Comitê Estratégico de Sustentabilidade com participação direta da diretoria-executiva.

Meta climática: 55% de redução até 2025 e alinhamento ao SBTi

A Motiva já projetava encerrar 2025 com redução de 55% nas emissões totais, restando apenas quatro pontos percentuais para alcançar a meta completa de descarbonização estabelecida junto ao SBTi, com prazo até 2033.

Os dois principais desafios daqui em diante são:

  1. manter as emissões de escopo 2 zeradas (dependem diretamente da expansão da energia renovável consumida);
  2. avançar na redução de escopo 1 (principalmente frota operacional e sistemas térmicos).

Nesse contexto, contratos como o firmado com a Prime Energy são instrumentos essenciais para dar previsibilidade ao plano climático da empresa e cumprir métricas internacionais de sustentabilidade.

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