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Copel e Seab avançam em estudos para uso de baterias no campo e ampliam agenda de energia rural no Paraná

Copel e Seab avançam em estudos para uso de baterias no campo e ampliam agenda de energia rural no Paraná

Tecnologia de armazenamento pode aumentar a resiliência elétrica de produtores rurais e integrar futuras fases do programa RenovaPR

A expansão do armazenamento de energia em baterias começa a ganhar escala no setor rural paranaense. Em uma reunião realizada na última sexta-feira (5/12), a Copel recebeu técnicos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab) para detalhar o funcionamento dos projetos já implantados pela companhia e avaliar caminhos de aplicação em propriedades rurais. A iniciativa abre espaço para uma agenda conjunta envolvendo segurança energética, sustentabilidade e modernização das atividades agropecuárias.

O encontro também marca um passo significativo na estratégia de longo prazo do governo estadual para avançar no Renova Paraná (RenovaPR), programa que incentiva a geração própria de energia pelos produtores por meio de financiamentos com juros subvencionados. A incorporação de sistemas de baterias é vista como a próxima evolução desse movimento, ampliando a autonomia dos agricultores e garantindo estabilidade elétrica em cadeias produtivas sensíveis.

Baterias como reforço à estabilidade elétrica no campo

Durante a visita, os representantes da Seab puderam conhecer a tecnologia utilizada pela Copel em projetos-piloto que combinam inversores híbridos e baterias de armazenamento. O diretor Comercial da Copel, Julio Omori, explicou como a solução opera em situações de indisponibilidade da rede e reforçou a importância da tecnologia para cadeias de alta criticidade.

“A bateria garante o fornecimento de energia em momentos de indisponibilidade da rede, contribuindo para a estabilidade necessária a culturas que dependem de suprimento contínuo.”

Ele destacou ainda que, ao ser integrada a inversores híbridos, a solução permite operar tanto conectada à rede quanto de forma independente, ampliando a flexibilidade operacional para atividades que não toleram interrupções, como a fumicultura, avicultura e piscicultura.

Renova Paraná deve incluir baterias em fase futura do programa

A delegação da Seab foi liderada pelo coordenador de Energias Renováveis e Conectividade Rural do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR), Herlon Almeida, que afirmou que a integração das baterias está prevista para etapas futuras do RenovaPR. Ele explicou que a tecnologia pode se somar ao incentivo à geração distribuída que já atinge 39.500 produtores no estado.

“Viemos conhecer os projetos para estabelecermos um horizonte de trabalho conjunto no apoio aos produtores.”

O coordenador lembrou ainda que o custo médio de um kit completo de armazenamento é de aproximadamente R$ 40 mil, valor que, no futuro, poderá ser mitigado por meio de parcerias público-privadas e subsídios estaduais.

“Temos hoje no Paraná 39.500 produtores que geram a própria energia. Estamos avançando no lançamento do Renova Paraná Trifásico, para dar suporte à estabilidade energética. Em uma terceira etapa, pretendemos incluir as baterias e auxiliar os interessados com a redução de custos de implantação dos equipamentos, a partir de uma parceria do Estado com a Copel.”

Setores mais sensíveis serão priorizados

De acordo com Herlon Almeida, algumas cadeias produtivas apresentam maior vulnerabilidade às oscilações e quedas de energia e, por isso, deverão ser priorizadas no desenho da política pública.

O coordenador aponta dois segmentos em particular: produtores de proteína animal e fumicultores, ambos altamente dependentes de fornecimento contínuo de energia e, portanto, potenciais beneficiários do modelo com backup em baterias.

A Copel, inclusive, já opera um projeto-piloto voltado à fumicultura na cidade de Ivaí. Lá, o sistema combina inversores híbridos e baterias para garantir o funcionamento das estufas durante o processo de secagem das folhas, etapa que não pode sofrer variações de temperatura ou paradas inesperadas.

Aplicações práticas: 60 kWh armazenados garantem até dois dias de autonomia

O diretor da Copel, Julio Omori, detalhou como funciona o sistema implementado no projeto de Ivaí. Ele ressaltou que a bateria permite direcionar a energia armazenada para cargas críticas, uma decisão essencial para manter a qualidade do produto final.

“Com o uso da bateria, o cliente pode escolher onde irá distribuir a energia armazenada em casos de interrupção do fornecimento da rede. No caso do projeto aplicado aos fumicultores, a carga é direcionada às estufas.”

As baterias utilizadas fornecem 60 kWh, garantindo até dois dias de estabilidade na operação das estufas. Os inversores híbridos convertem a energia contínua em corrente alternada, permitindo o funcionamento dos motores responsáveis pela circulação do ar quente.

Todo o sistema está integrado aos medidores inteligentes da Copel, permitindo monitoramento remoto em tempo real. O inversor se comunica diretamente com o medidor, o que possibilita à distribuidora enviar comandos à bateria, como pausar o carregamento ou interromper o funcionamento, quando necessário para a gestão da rede.

Próximos passos: expansão para outras cadeias produtivas

Omori reforçou ainda que as aplicações do armazenamento não se limitam à fumicultura. “Julio Omori ressalta que os projetos de baterias podem ser aplicados a diferentes cadeias produtivas como a do peixe, para atender a aeradores e em aviários, em que a própria planta pode ser utilizada para gerar energia e ao mesmo tempo ter um backup de armazenamento, entre outros.”

A proposta, segundo a Copel e o IDR, é desenvolver um roadmap conjunto que permita viabilizar projetos em maior escala, alinhados às demandas do agronegócio e à modernização da infraestrutura rural.