Iniciativa oferece recursos não reembolsáveis para projetos socioambientais no semiárido e reforça potencial da região na geração de energia solar e eólica
O Banco do Nordeste (BNB) deu um passo decisivo em direção à sustentabilidade e ao desenvolvimento ambiental do semiárido brasileiro com o lançamento, na última sexta-feira (4), do primeiro edital do seu recém-criado Fundo Sustentabilidade. Com recursos não reembolsáveis que somam R$ 15 milhões, a iniciativa pretende estimular projetos voltados à recuperação, preservação e uso sustentável do bioma caatinga, único exclusivamente brasileiro e um dos mais afetados pela mudança climática e pela desertificação.
O anúncio ocorreu no cineteatro da Universidade Federal do Piauí (UFPI), em Teresina, e reuniu representantes do Governo Federal, instituições acadêmicas, organizações ambientais e gestores locais. O edital representa um marco na estratégia do banco em fomentar soluções sustentáveis e estruturantes para o semiárido, promovendo sinergia entre ciência, comunidade e políticas públicas.
Apoio a entidades sem fins lucrativos com foco em sustentabilidade
Poderão concorrer aos recursos entidades públicas ou privadas sem fins lucrativos com sede ou filiais nos nove estados do Nordeste, além de áreas do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo. As propostas precisam estar alinhadas aos objetivos do edital e serão contempladas com valores que variam de R$ 1 milhão a R$ 2,5 milhões por projeto.
Além disso, iniciativas que forem implantadas em municípios com clima árido ou inseridos em núcleos de desertificação receberão pontuação adicional, reconhecendo a vulnerabilidade ambiental dessas áreas e estimulando a atuação onde a degradação ambiental é mais severa.
Os recursos disponibilizados poderão ser aplicados em despesas diversas, como contratação de equipe técnica, aquisição de equipamentos, serviços especializados, materiais de consumo e itens permanentes. O prazo de execução dos projetos selecionados será de 24 a 36 meses.
As inscrições vão até o dia 28 de agosto, mas os interessados devem se atentar ao cronograma e às fases preliminares, disponíveis no site oficial do Banco do Nordeste, na seção de editais do Fundeci (Fundo de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).
Caatinga: desafios e potencialidades energéticas
Ao destacar a importância da iniciativa, o diretor de Planejamento do BNB, José Aldemir Freire, enfatizou as potencialidades da caatinga, especialmente no que tange à produção de energia renovável. “É preciso que a gente entenda a relevância do semiárido e da caatinga, suas vulnerabilidades, mas também suas potencialidades, como geração de energia solar e eólica. O Banco do Nordeste deposita esperanças de que esse edital será um sucesso e trará grandes projetos para a restauração sustentável de nosso bioma”, afirmou.
A caatinga, com seus mais de 800 mil km², cobre cerca de 11% do território nacional e abriga uma biodiversidade única, com centenas de espécies endêmicas. Apesar disso, dados recentes apontam que mais de 42% da vegetação nativa já foi suprimida, principalmente por práticas inadequadas de uso do solo e efeitos agravados das mudanças climáticas.
Iniciativas interinstitucionais e aporte adicional
O BNB também integra a iniciativa “Caatinga Viva”, em parceria com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que destina R$ 10 milhões a projetos ambientais focados no bioma. Esse esforço conjunto amplia a capacidade de apoio técnico e financeiro e fortalece a articulação de políticas públicas voltadas à resiliência climática da região.
Representando o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o diretor de Combate à Desertificação, Alexandre Henrique Bezerra Pires, elogiou a escolha temática do edital. “A caatinga já perdeu mais de 42% da sua cobertura vegetal nativa. É um dos biomas mais impactados pelas mudanças climáticas e que, ao mesmo tempo, carrega imensa riqueza sociocultural e ambiental. Esta ação do BNB é um passo crucial para a preservação de um patrimônio exclusivamente brasileiro”, declarou.
Já o vice-reitor da UFPI, Edmilson Miranda, ressaltou o potencial transformador da chamada pública na pesquisa aplicada. “O lançamento de um edital dessa relevância vai estimular ainda mais nossos pesquisadores a buscar soluções concretas para os desafios ambientais da região”, afirmou.
Um futuro sustentável começa agora
A cerimônia contou ainda com a presença da reitora da UFPI, Nadir Nogueira; do superintendente do BNB no Piauí, Francisco Lopes; e de representantes da Embrapa, Ibama, Governo do Estado, Prefeitura de Teresina, associações e ONGs. O evento reforçou o compromisso coletivo com um futuro mais verde e resiliente para o semiárido brasileiro.
Com o lançamento do edital, o BNB se posiciona como um ator estratégico não apenas no financiamento do desenvolvimento econômico da região, mas também na promoção de soluções sustentáveis, inovadoras e transformadoras para o meio ambiente e para as comunidades locais.



