Evento promovido pela federação bancária reúne mercado financeiro e segurador para preparar o setor rumo às metas climáticas da COP30 em Belém
Com o objetivo de consolidar o protagonismo do Brasil nas discussões climáticas globais, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) deu início, no último dia 3 de abril, à iniciativa “Jornada rumo à COP30”. A ação — promovida em parceria com a ANBIMA (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) e a CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras) — propõe uma agenda estratégica de mobilização e capacitação do setor financeiro frente aos desafios e oportunidades gerados pelas mudanças climáticas.
A iniciativa integra os preparativos nacionais para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que ocorrerá em novembro de 2025, em Belém (PA). O evento inaugural da jornada aconteceu em São Paulo e coincidiu com a Mesa Redonda Regional da América Latina e Caribe sobre Finanças Sustentáveis, promovida pela Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP-FI), entre os dias 1º e 3 de abril.
Ao reunir representantes de bancos, seguradoras e mercado de capitais, a Febraban reforça seu compromisso com o desenvolvimento de soluções estruturadas para ampliar o financiamento climático no Brasil, com foco em sustentabilidade, governança e mitigação de riscos.
Protagonismo do setor financeiro na transição verde
Durante o evento, Amaury Oliva, diretor de Sustentabilidade da Febraban, destacou que a atuação das instituições financeiras vai além da gestão de riscos. “Os bancos reconhecem sua responsabilidade em direcionar investimentos para atividades com impacto positivo no meio ambiente e na sociedade”, afirmou. Para Oliva, a COP30 não deve ser encarada apenas como uma conferência, mas como um processo contínuo, que exige planejamento, articulação e entrega de resultados concretos.
A Jornada rumo à COP30 nasce com essa visão. Seu objetivo é engajar o setor financeiro de forma contínua, criando espaços de debate, formação e compartilhamento de boas práticas, além de traçar planos estratégicos para ampliar o investimento em projetos sustentáveis e de baixo carbono.
Destaques e temas abordados na jornada
O encontro contou com a presença de importantes organizações internacionais, como a Aliança Financeira de Glasgow para Emissões Líquidas Zero (GFANZ), os Princípios para o Investimento Responsável (PRI) e o Pacto Global da ONU. A proposta é transformar o setor financeiro brasileiro em referência global de atuação responsável.
Foram discutidas soluções como financiamento misto (blended finance), mecanismos de redução de riscos financeiros, capital catalítico para acelerar projetos verdes e parcerias público-privadas para destravar investimentos sustentáveis.
Essas soluções visam ampliar a disponibilidade de recursos financeiros para projetos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas, essenciais para o cumprimento dos compromissos assumidos no Acordo de Paris e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Workshop sobre os Princípios para Responsabilidade Bancária (PRB)
Outro destaque da jornada foi a realização do workshop sobre os Princípios para a Responsabilidade Bancária (PRB), promovido pela ONU. As diretrizes visam alinhar as estratégias dos bancos às metas climáticas e sociais, estabelecendo uma base comum para incorporação da sustentabilidade em todos os níveis das operações bancárias.
Durante o evento, foi também anunciado o início de treinamentos presenciais para instituições financeiras, previsto para agosto de 2025. O objetivo é capacitar os profissionais do setor sobre temas como riscos climáticos, crédito sustentável, inovação em produtos financeiros verdes e transparência na divulgação de informações ambientais.
Caminho para a COP30
A jornada representa um importante passo rumo à estruturação de políticas financeiras sustentáveis no Brasil. Nos três dias de discussões, representantes de diversas instituições compartilharam perspectivas sobre o papel da América Latina no enfrentamento da crise climática. Debates sobre a regulamentação das finanças sustentáveis, seguros climáticos, riscos à biodiversidade e impactos sociais pavimentaram o caminho para uma atuação mais robusta do setor na COP30.
Com eventos programados ao longo do ano, a Jornada visa não apenas preparar o setor, mas também evidenciar ao mundo o potencial do Brasil como líder em finanças sustentáveis, inovação climática e governança ambiental.



