Levantamento do Instituto Locomotiva mostra apoio à política entre diferentes faixas de renda e relaciona acesso ao gás de cozinha à segurança alimentar e à redução da pobreza energética
Um ano após o lançamento do Gás do Povo, 93% dos brasileiros apoiam políticas públicas destinadas a ajudar famílias de baixa renda a comprar gás de cozinha, segundo pesquisa do Instituto Locomotiva encomendada pelo Sindigás. O índice chega a 95% entre os entrevistados das classes C, D e E e a 91% nas classes A e B. O levantamento ouviu 1.510 brasileiros maiores de 18 anos que utilizam gás de botijão ou encanado, entre 23 e 27 de julho de 2026.
Lançado em setembro de 2025, o programa substituiu o Auxílio Gás dos Brasileiros e passou a oferecer a recarga gratuita do botijão de 13 kg em revendas credenciadas. Em fevereiro de 2026, cerca de 4,5 milhões de famílias que recebiam o benefício anterior migraram para o Gás do Povo. A legislação que criou o novo programa é a Lei nº 15.348/2026.
GLP ganha peso na agenda de proteção social
A pesquisa mostra que o apoio não se restringe à existência do benefício. Para 88% dos entrevistados, garantir que famílias de baixa renda consigam comprar o botijão deve ser uma prioridade do governo. Outros 84% consideram o acesso ao GLP uma política de proteção social.
O levantamento também associa o gás de cozinha a aspectos relacionados à alimentação. Para 90% dos participantes, o GLP contribui para que os brasileiros tenham uma alimentação adequada, enquanto 88% consideram o produto parte da segurança alimentar do país.
A percepção sobre a substituição de combustíveis usados na cocção também aparece entre os resultados: 86% afirmam que nenhuma família deveria precisar recorrer a lenha, carvão ou materiais improvisados por falta de acesso ao gás.
Desafio é medir o efeito sobre a pobreza energética
Os resultados colocam o acesso efetivo ao GLP como uma dimensão relevante na avaliação de políticas de combate à pobreza energética. A existência do benefício, porém, não permite concluir isoladamente quanto ele reduziu o uso de combustíveis alternativos ou alterou as condições de vida das famílias atendidas.
A questão passa a ser acompanhar se a política resulta em maior utilização do GLP e em menor dependência de fontes rudimentares para cozinhar. Esse acompanhamento também permite avaliar os efeitos do programa sobre segurança, saúde e condições de vida dos beneficiários.
O presidente do Sindigás, Sergio Bandeira de Mello, defende que esses indicadores sejam incorporados à avaliação da política pública: “O maior resultado de uma política pública é aquele que efetivamente chega à vida das pessoas. Ampliar o acesso ao GLP é fundamental, mas também precisamos acompanhar se esse acesso está contribuindo para reduzir o uso da lenha e de combustíveis improvisados e proporcionando às famílias mais segurança, saúde e qualidade de vida. Esses são indicadores importantes para medir o sucesso de uma política de combate à pobreza energética.”
Programa ampliou cobertura em 2026
A implementação do Gás do Povo ocorreu de forma gradual. Em novembro de 2025, a primeira fase alcançou dez capitais. Em janeiro de 2026, o programa chegou às demais capitais e, em fevereiro, incorporou aproximadamente 4,5 milhões de famílias que recebiam o Auxílio Gás. A expansão para outras famílias elegíveis ocorreu a partir de março.
O modelo mudou a forma de entrega do benefício: em vez de receber o auxílio em dinheiro, a família elegível utiliza um vale para obter gratuitamente a recarga do botijão em uma revenda credenciada. A política tem como público prioritário famílias inscritas no Cadastro Único, com renda mensal por pessoa de até meio salário mínimo, observados os demais critérios de elegibilidade.
A pesquisa do Instituto Locomotiva, portanto, mede a percepção da população sobre o acesso ao GLP, enquanto a avaliação dos resultados do Gás do Povo exige também indicadores de cobertura, utilização efetiva do benefício e eventual redução do uso de alternativas para cocção.



