Empreendimento do Lote 2 do leilão de 2024 é o maior projeto de transmissão já construído pela companhia no Brasil e adicionará R$ 154 milhões em Receita Anual Permitida
A EDP energizou nesta segunda-feira (14) o Lote 2 do Leilão de Transmissão nº 01/2024 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no Piauí, com 34 meses de antecipação em relação ao prazo regulatório. Com 522 quilômetros de linhas de transmissão, o empreendimento é o mais extenso e inclui a maior subestação já construída pela companhia no Brasil.
O projeto reúne as Linhas de Transmissão Curral Novo do Piauí e Ribeiro Gonçalves e a Subestação São João do Piauí 2. Com a entrada em operação do empreendimento, a EDP adicionará R$ 154 milhões em Receita Anual Permitida (RAP) à sua atividade de transmissão.
Subestação tem capacidade de 730 MVAr
A Subestação São João do Piauí 2 ocupa uma área de aproximadamente 21 hectares e possui 730 MVAr de capacidade total. A estrutura, juntamente com as novas linhas, amplia a capacidade da rede elétrica no estado e cria uma nova infraestrutura para integração da geração ao sistema.
A localização do empreendimento também é relevante para o avanço das fontes renováveis no Nordeste. A expansão da transmissão aumenta a capacidade de escoamento da energia produzida na região e contribui para reduzir restrições de rede que podem limitar a entrega da geração ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
Para a EDP, a antecipação permite que os benefícios do ativo sejam incorporados ao sistema antes do prazo originalmente estabelecido no contrato de concessão. O diretor executivo de Transmissão da EDP na América do Sul, Daniel Sarmento, destaca os efeitos econômicos e operacionais da entrega antecipada: “A entrega deste projeto cria valor em diferentes dimensões. Ao colocar essa infraestrutura em operação 34 meses antes do prazo regulatório, antecipamos para o sistema elétrico benefícios que só chegariam quase três anos depois e, somados ao deságio obtido no leilão, contribuímos também para a modicidade tarifária. Ao mesmo tempo, ampliamos a capacidade de transportar energia renovável, reduzindo gargalos da rede e ajudando a enfrentar o curtailment. Para a EDP, a entrega reforça nossa capacidade de executar projetos complexos com competitividade, disciplina e excelência”
Carteira de transmissão avança
A conclusão do Lote 2 ocorre em meio à execução de outros projetos de transmissão conquistados pela EDP nos últimos leilões. Em dezembro de 2025, a companhia colocou em operação o trecho de 230 kV do Lote 13, entre Ribeiro Gonçalves (PI) e Balsas (MA), com 95 quilômetros de extensão e 42 meses de antecipação.
O empreendimento também foi contratado no Leilão de Transmissão nº 01/2024. A segunda linha do Lote 13, em 500 kV e com 366 quilômetros, entre Ribeiro Gonçalves (PI) e Colinas (TO), permanece em construção.
A empresa também executa o Lote 7, contratado no mesmo leilão de 2024, com ativos nos estados da Bahia, Piauí e Tocantins. O projeto contempla duas linhas que somam 390 quilômetros e uma subestação de 230/138 kV. Já o Lote 5, arrematado no Leilão de Transmissão nº 04/2025, está localizado em Goiás e prevê 285 quilômetros de linhas e uma nova subestação.
EDP prevê R$ 3,7 bilhões em investimentos
A energização do empreendimento ocorre no ano em que a EDP completa 10 anos de atuação no segmento de transmissão no Brasil e 30 anos de presença no país.
Desde 2017, a companhia afirma ter destinado mais de R$ 8,5 bilhões a obras e projetos de transmissão em 12 estados. Atualmente, são 2.032 quilômetros de linhas em operação. Considerando os empreendimentos em construção, a malha chega a 3.001 quilômetros. Entre 2026 e 2028, a EDP prevê investir aproximadamente R$ 3,7 bilhões na expansão de sua carteira de transmissão.
O movimento ocorre em um cenário de necessidade crescente de reforços na rede para acompanhar a expansão da geração renovável, especialmente em regiões com elevada concentração de projetos e restrições de escoamento. Nesse contexto, novos ativos de transmissão passam a ter papel central tanto na integração de novas usinas ao SIN quanto na redução de limitações operativas que podem resultar em cortes de geração.



