Parceria combina tecnologia da Jinko Solar com capacidade industrial da UCB Power e busca atender exigências de conteúdo local e financiamento do BNDES
A UCB Power e a Jinko ESS, divisão de sistemas de armazenamento da Jinko Solar, firmaram um memorando de entendimento (MoU) para estruturar a fabricação de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) no Brasil. O acordo tem como principal objetivo atender à demanda associada ao LRCAP 2026 e criar uma oferta com conteúdo local compatível com as regras do primeiro leilão brasileiro de grande porte voltado à tecnologia.
Pelo entendimento, as empresas vão avaliar a montagem e a fabricação dos equipamentos nas plantas industriais da UCB Power. A proposta é adaptar a arquitetura tecnológica desenvolvida pela Jinko ESS às exigências técnicas e regulatórias brasileiras, aproveitando a estrutura fabril já instalada no país.
O movimento ocorre antes dos dois leilões de armazenamento previstos para dezembro. O LRCAP Armazenamento Nacional, marcado para 2 de dezembro, será destinado a projetos que cumpram os requisitos de conteúdo local ou fabricação nacional, enquanto o LRCAP Armazenamento, previsto para 4 de dezembro, terá abrangência mais ampla.
Conteúdo nacional mira financiamento
A estratégia industrial também está relacionada à estruturação financeira dos projetos. O enquadramento dos equipamentos nos critérios de nacionalização pode permitir aos desenvolvedores o acesso a linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), incluindo o Finame.
Na prática, a fabricação local pode ampliar as alternativas de financiamento para empreendimentos de armazenamento e reduzir uma das barreiras à implantação de projetos de maior escala.
O diretor-executivo Comercial e de Novos Negócios da UCB Power, Vinicius Berná, avalia que a combinação entre produção nacional, tecnologia internacional e mecanismos de fomento pode aproximar as soluções BESS das condições específicas de investimento do mercado brasileiro.
Demanda por baterias cresce
O interesse pelos sistemas de armazenamento já aparece no volume de projetos apresentados para os certames de 2026. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) registrou 6.091 projetos, que somam 296,8 GW, nos processos de cadastramento dos leilões.
Os números ainda representam propostas em fase de análise e não correspondem ao volume que será efetivamente habilitado ou contratado. Ainda assim, evidenciam o potencial de demanda criado pela entrada do armazenamento de grande porte no planejamento do sistema elétrico brasileiro.
Os empreendimentos selecionados terão papel na oferta de potência e flexibilidade ao Sistema Interligado Nacional (SIN), em um momento de expansão da geração renovável variável e de necessidade crescente de recursos capazes de responder às condições de operação da rede.
Mercado privado amplia oportunidades
A fabricação nacional também poderá atender aplicações fora dos leilões. UCB Power e Jinko ESS avaliam o uso dos sistemas em projetos privados relacionados à infraestrutura de transmissão e distribuição, à redução de curtailment em usinas eólicas e solares e à gestão de demanda de consumidores eletrointensivos.
Nesses casos, o armazenamento pode ser empregado de acordo com a necessidade do projeto, desde o deslocamento do consumo para horários mais favoráveis até o fornecimento de potência em momentos de restrição da rede. A estratégia amplia o mercado potencial para os equipamentos e permite que a mesma cadeia de fornecimento seja utilizada em diferentes modelos de contratação.
Cadeia nacional entra na disputa
A parceria ocorre em uma etapa de formação do mercado brasileiro de armazenamento, que passa a contar com regras específicas para a contratação de sistemas de grande porte.
Além dos requisitos de conteúdo local, os projetos precisam atender parâmetros técnicos para integração ao SIN e às condições de conexão definidas pelos órgãos do setor. A disponibilidade de equipamentos compatíveis com essas exigências será, portanto, um dos elementos da estruturação dos empreendimentos.
Para as fabricantes, o desafio é combinar escala industrial, competitividade e adequação regulatória. Para os desenvolvedores, a oferta de equipamentos produzidos no país e potencialmente financiáveis pelo BNDES acrescenta uma alternativa à composição dos investimentos. O acordo entre UCB Power e Jinko ESS posiciona a fabricação brasileira de sistemas BESS como parte da preparação da cadeia para a nova fase do armazenamento de energia no país, tendo o LRCAP 2026 como primeiro grande mercado de referência.


