Projeto de R$ 24 milhões da Zurich Airport Brasil terá 11 mil módulos e geração estimada em 1 milhão de kWh por mês; operação está prevista para novembro
A Usina Solar do Aeroporto Internacional de Natal, em São Gonçalo do Amarante (RN), concluiu a instalação dos 11 mil módulos fotovoltaicos previstos no projeto e entrou na etapa final de implantação. Com potência instalada de até 5 MW e investimento de R$ 24 milhões, o empreendimento foi projetado para permitir que o aeroporto alcance a autossuficiência energética.
A conclusão da instalação dos módulos representa o avanço de uma obra iniciada em novembro de 2025. A previsão da Zurich Airport Brasil, concessionária responsável pelo aeroporto, é finalizar a implantação até o fim de outubro e inaugurar a usina no início de novembro.
Com a entrada em operação, o Aeroporto de Natal será, de acordo com a concessionária, o primeiro do Norte e Nordeste e o segundo do país a atingir a autossuficiência energética por meio de uma usina própria. O outro aeroporto citado pela empresa é o de Macaé (RJ), também administrado pela Zurich Airport Brasil.
Geração de 1 milhão de kWh por mês
A usina será destinada ao consumo próprio do aeroporto e terá capacidade estimada de geração de aproximadamente 1 milhão de kWh por mês. Para efeito de comparação, esse volume corresponde ao consumo mensal médio de cerca de 6.800 residências, considerando uma demanda de 150 kWh por unidade.
A escala do empreendimento coloca o projeto como a maior usina solar do Rio Grande do Norte voltada ao consumo próprio, segundo a Zurich Airport Brasil.
Com a conclusão da instalação dos módulos, o cronograma passa agora para uma etapa predominantemente associada à infraestrutura elétrica e à integração do parque ao sistema de consumo do aeroporto. Estão previstas a instalação de tubulações, postes e cabos aéreos, além da interligação com o sistema principal e dos testes necessários antes da entrada em operação.
Módulos bifaciais ampliam aproveitamento da radiação
Uma das características técnicas do projeto é a utilização de módulos fotovoltaicos bifaciais, capazes de captar radiação solar tanto pela superfície frontal quanto pela traseira dos painéis.
Para aumentar o aproveitamento da radiação refletida, o projeto adotou uma solução de engenharia baseada no reaproveitamento de aproximadamente 11 mil m³ de fresa de CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente). O material é proveniente da fresagem do pavimento asfáltico realizada durante a manutenção da pista do aeroporto em 2017.
O material foi utilizado em mais da metade da área da usina para melhorar as condições de nivelamento e refletância do terreno. A estratégia busca aumentar a incidência de luz difusa e refletida na parte posterior dos módulos bifaciais, contribuindo para o desempenho energético do sistema.
A solução também incorpora um componente de economia circular ao dar nova utilização a um material resultante de obras de infraestrutura aeroportuária.
Área evita supressão de vegetação
A definição do local para implantação dos módulos também levou em consideração os impactos ambientais da obra. A usina foi instalada em uma área próxima ao pátio de aeronaves que já era antropizada e não apresentava cobertura de vegetação nativa.
A escolha permitiu evitar a necessidade de supressão vegetal para implantação do parque solar, reduzindo os impactos associados à ocupação da área. Além da geração renovável, a iniciativa integra a estratégia da Zurich Airport Brasil para reduzir as emissões de suas operações aeroportuárias. A empresa estabeleceu como objetivo alcançar emissões líquidas zero (Net Zero) até 2040 nos aeroportos administrados no país.
Redução estimada de 654 toneladas de CO₂
A operação da usina deverá evitar a emissão estimada de 654 toneladas de CO₂ por ano, de acordo com as projeções do projeto.
A geração própria também reduz a dependência do aeroporto de energia adquirida externamente para atendimento de seu consumo. Em uma instalação aeroportuária, a disponibilidade de energia é um componente crítico para a continuidade de sistemas operacionais, iluminação, climatização, equipamentos de segurança e demais cargas associadas à infraestrutura.
A autossuficiência anunciada pela concessionária deve ser entendida, nesse contexto, como resultado do dimensionamento da geração solar em relação ao consumo energético do aeroporto, e não necessariamente como independência física da rede elétrica em todas as condições operacionais.
Energia para aeronaves em solo
A estratégia de descarbonização do Aeroporto de Natal inclui outras iniciativas diretamente relacionadas ao consumo de energia no sítio aeroportuário. Entre elas estão os sistemas 400 Hertz e PCA, que fornecem energia e climatização para aeronaves durante o período em solo.
A utilização desses sistemas permite reduzir a necessidade de funcionamento de equipamentos das aeronaves alimentados por combustíveis fósseis enquanto permanecem estacionadas. A medida complementa a geração fotovoltaica ao atuar sobre o consumo energético associado às operações de pátio.
Gestão de resíduos e eficiência hídrica
O programa ambiental da concessionária também contempla gestão de resíduos e uso de recursos naturais. Em 2026, mais de 97% dos resíduos gerados no aeroporto foram desviados de aterros, conforme os dados apresentados pela empresa. A operação inclui uma parceria com uma cooperativa de reciclagem, vinculando a destinação dos materiais à geração de trabalho e renda para famílias da região.
O aeroporto também mantém iniciativas de reúso de água, com foco na redução do consumo de recursos hídricos e no aumento da eficiência no uso da água. Com a usina solar entrando na fase de integração elétrica e testes, o projeto passa agora do estágio de implantação física dos módulos para a conclusão da infraestrutura necessária à operação. A expectativa é que o sistema de 5 MW entre em funcionamento em novembro e passe a integrar a matriz energética do Aeroporto de Natal.



