Na abertura da ROG.e 2026, Magda Chambriard antecipou que o Plano de Negócios 2027-2031 poderá elevar a participação da estatal no abastecimento e apontou necessidade de ampliar a oferta de fontes renováveis
A Petrobras estuda elevar sua participação no abastecimento brasileiro de diesel para alcançar a autossuficiência nacional no combustível. A possibilidade foi apresentada pela presidente da companhia, Magda Chambriard, nesta segunda-feira (21), durante a abertura da ROG.e 2026, no Riocentro, no Rio de Janeiro, e deverá ser avaliada no Plano de Negócios 2027-2031, previsto para novembro.
Atualmente, a Petrobras responde por mais de 70% do abastecimento de diesel no país. A companhia trabalha inicialmente com a possibilidade de ampliar essa participação para cerca de 90%, mas passou a avaliar um avanço adicional diante das mudanças no cenário geopolítico internacional.
A estratégia combina expansão do refino e continuidade das atividades de exploração e produção de petróleo e gás no Brasil e no exterior. No horizonte de longo prazo, a companhia também projeta ampliar sua participação em fontes renováveis para acompanhar o crescimento da demanda energética.
Expansão do refino mira abastecimento de diesel
A busca por maior participação no mercado de diesel ocorre em um cenário no qual o Brasil ainda recorre às importações para complementar a oferta doméstica. Para a Petrobras, o aumento da produção de derivados ganha relevância diante das oscilações do mercado internacional e das condições geopolíticas que afetam o comércio global de combustíveis.
A meta de autossuficiência, porém, ainda não está formalizada. A decisão deverá ser incorporada ao próximo Plano de Negócios, que estabelecerá as diretrizes de investimentos da companhia para o período de 2027 a 2031.
A sinalização representa uma ampliação da ambição anteriormente associada à Petrobras, que trabalhava com o objetivo de elevar sua participação no atendimento da demanda brasileira de diesel para a faixa de 85% a 90%.
Petrobras defende segurança regulatória
Durante a abertura da ROG.e, Chambriard também destacou a necessidade de previsibilidade regulatória para sustentar investimentos de longo prazo no setor de petróleo e gás. A presidente defendeu a manutenção dos contratos e a estabilidade do ambiente institucional brasileiro.
A avaliação é especialmente relevante para projetos de exploração e produção, que exigem ciclos prolongados de investimento e retorno. A executiva associou a segurança regulatória à continuidade dos negócios e à capacidade do país de atrair capital para novos projetos.
Reposição de reservas amplia fronteiras
Na exploração e produção, a Petrobras pretende manter a reposição de reservas por meio de novas fronteiras no Brasil e de oportunidades internacionais. Entre as áreas prioritárias estão a Margem Equatorial e a Bacia de Pelotas, no Sul do país.
A companhia também mantém frentes exploratórias no exterior, incluindo atividades na Colômbia e na costa atlântica da África. Na Costa do Marfim, foram assinados recentemente oito contratos de exploração e produção. Chambriard citou ainda a produção de 5,6 milhões de barris de óleo equivalente em agosto e afirmou que a companhia trabalha com a perspectiva de manter níveis elevados de produção até meados da próxima década.
A frente internacional também ganhou destaque durante o evento. A presidente informou que a Petrobras deverá anunciar descobertas relevantes de gás na Colômbia, onde atua em parceria com a estatal Ecopetrol.
Renováveis entram na estratégia de longo prazo
A transição energética foi outro eixo do discurso de abertura da ROG.e 2026. A Petrobras projeta que a economia brasileira será 80% maior em 2050 e que o consumo de energia crescerá aproximadamente 50% em relação aos níveis atuais. Nesse cenário, a companhia pretende manter participação equivalente a cerca de um terço da energia consumida no país. Para sustentar essa posição, a estratégia prevê a incorporação de novas fontes ao portfólio, incluindo geração renovável.
Chambriard estimou que o Brasil precisará adicionar, nas próximas duas décadas e meia, capacidade de fontes renováveis equivalente a pelo menos duas vezes a capacidade atual da Axia Energia, antiga Eletrobras. A comparação foi apresentada pela executiva como uma dimensão do esforço necessário para acompanhar a expansão da demanda energética.
A Petrobras não deverá responder sozinha por esse crescimento. Na avaliação apresentada pela presidente, os demais dois terços da oferta energética projetada dependerão de investimentos, financiamento e coordenação entre os diferentes segmentos do setor. A combinação entre expansão do refino, reposição de reservas e diversificação do portfólio energético deverá ganhar definição com o Plano de Negócios 2027-2031, cuja divulgação está prevista para novembro.



