ANEEL fixa RAG de usinas cotistas em R$ 8,1 bi; tarifa sobe 19,8% com descotização da Axia

Homologação pela ANEEL reflete etapa final da liberação de garantia física de 13 hidrelétricas; retirada de PIS/Cofins reduzirá repasse a partir de janeiro de 2027

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) homologou, por meio do Despacho nº 2.744/2026, as Receitas Anuais de Geração (RAG) para 59 usinas hidrelétricas que operam sob o Regime de Cotas da Lei nº 12.783/2013. Para o ciclo tarifário que vigora de julho de 2026 a junho de 2027, o montante total destinado à operação e manutenção (O&M) dos ativos ficou estabelecido em R$ 8,122 bilhões, uma retração de 6,34% em relação ao ciclo anterior.

A variação negativa da receita acumulada do parque cotista é impulsionada, principalmente, pela etapa final do processo de descotização das 13 usinas operadas pela Axia Energia. A transição gradual, iniciada em 2023, prevê a redução anual de 20% da garantia física de energia e de potência alocada ao ambiente regulado, liberando o lastro para negociação no mercado livre.

Efeito descotização e o impacto na tarifa das distribuidoras

Embora a receita total repassada aos geradores tenha diminuído em valores absolutos, a tarifa média das usinas de cotas registrou uma alta de 19,80%, alcançando o patamar de R$ 257,54/MWh (com incidência de PIS/Cofins). A elevação tarifária por MWh decorre de uma dinâmica proporcional: o volume de garantia física alocado obrigatoriamente às distribuidoras encolheu em ritmo mais acentuado do que o custo fixo de manutenção das usinas remanescentes no regime.

- Advertisement -

A tarifa estipulada pelo órgão regulador serve de base direta para a composição da cobertura tarifária das concessionárias de distribuição cotistas. O grupo de ativos da Axia Energia impactado pelo descontratamento inclui plantas de grande porte como o Complexo Paulo Afonso, Xingó, Furnas, Marimbondo, Luiz Gonzaga (Itaparica) e Estreito, que continuarão recebendo RAG proporcional apenas até dezembro de 2026.

Transição da Reforma Tributária projeta alívio para 2027

A estrutura de custos do regime de cotas passará por uma alteração tributária relevante na virada do ano. A partir de janeiro de 2027, o valor unitário da RAG deixará de embutir a cobrança do PIS e da Cofins, refletindo o cronograma de extinção dos tributos federais estabelecido pela Reforma Tributária.

Com a remoção das alíquotas da fatura, a tarifa de repasse às distribuidoras cairá para R$ 233,72/MWh. A virada metodológica busca desonerar a cobertura do serviço de O&M cobrado na conta de luz do consumidor cativo, sem comprometer a remuneração regulada fixada pela ANEEL para assegurar a higidez operacional da infraestrutura hídrica nacional.

Destaques da Semana

Setor elétrico forma frente unitária contra “jabutis” no PL 5.017 no Senado

Nove entidades de toda a cadeia do setor elétrico...

ANEEL nega efeito suspensivo e mantém desligamento da 2W Comercializadora da CCEE

Diretoria colegiada rejeita pleito de comercializadora em recuperação judicial...

CNPE convoca reunião extraordinária para votar regras dos leilões do gás da União

Conselho deliberará sobre as diretrizes para comercialização do gás...

Brasil e Coreia do Sul selam acordos estratégicos para redes inteligentes e cadeia de minerais críticos

Assinados no Palácio da Alvorada, atos bilaterais abrangem desde...

Artigos

Últimas Notícias