Agência reguladora mobiliza geradores, transmissores e operadores na sede da Âmbar Amazonas após alertas de severidade climática extrema para o segundo semestre.
O avanço dos modelos meteorológicos que apontam para a consolidação de um evento climático de proporções extremas acendeu o sinal de alerta máximo na cúpula do setor elétrico nacional. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) agendou uma reunião estratégica para a próxima segunda-feira, 22 de junho, com a participação de agentes do setor, empresas e órgãos governamentais para traçar o plano de enfrentamento ao Super El Niño previsto para este ano. O encontro de emergência será realizado em Manaus, na sede da Âmbar Energia Amazonas, região considerada um dos epicentros críticos para a segurança do suprimento energético do Sistema Interligado Nacional (SIN) sob condições de estresse hidrológico.
A agenda consta em ofício enviado pelo gabinete do diretor-geral da agência ao Ministério de Minas e Energia (MME), no qual a reguladora justifica a urgência da mobilização. O documento destaca que as previsões emitidas pelos órgãos meteorológicos competentes demandam a adoção de medidas com forte antecedência, especialmente nas regiões e instalações mais suscetíveis a eventos severos de vazão e calor.
Blindagem de ativos de rede e resiliência da infraestrutura
A preocupação do regulador concentra-se na vulnerabilidade física do sistema de transmissão e na forte sensibilidade da carga diante das ondas de calor extremo e secas severas projetadas para os próximos meses. Para mitigar os riscos de bleautes isolados ou restrições severas de escoamento, a agência estabeleceu um cronograma de auditoria e prontidão operacional junto às concessionárias de serviços públicos.
O plano de ação preventiva começou a ser desenhado no início do mês, quando o órgão regulador expediu diretrizes diretas para as mesas de operação das empresas de distribuição, transmissão e geração. O foco central das notificações envolve o reforço estrutural de subestações e o planejamento rigoroso de equipes de manutenção de campo. A Aneel determinou que as concessionárias reforcem a resiliência das suas infraestruturas ao longo do segundo semestre de 2026 e início de 2027, período no qual está prevista a maior incidência de distúrbios climáticos.
Desafio logístico no subsistema Norte e a escolha estratégica de Manaus
A escolha da capital amazonense para sediar a mesa de deliberações técnicas possui um forte simbolismo operacional. Historicamente, episódios de Super El Niño impõem secas extremas às bacias hidrográficas da região Norte, resultando no rebaixamento severo dos rios. Esse cenário compromete a navegabilidade de barcaças e o transporte de insumos combustíveis para termelétricas isoladas, além de restringir severamente a capacidade de geração de grandes usinas hidrelétricas de calha regular a fio d’água, como Belo Monte, Santo Antônio e Jirau.
Ao reunir os principais players de geração, transmissão e os operadores locais em Manaus, a Aneel busca alinhar de forma preditiva as restrições logísticas de combustível para o parque térmico com a garantia de atendimento eletroenergético dos grandes centros urbanos. A articulação com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e com o MME será fundamental para modular o acionamento preventivo de usinas térmicas por ordem de mérito, assegurando a flexibilidade operativa da malha básica antes que a estiagem se estabeleça de forma definitiva.



