Impulsionada pelo forte desempenho residencial e pela aceleração das migrações para o ACL, demanda nacional rompe retração do primeiro bimestre e atinge 49.591 GWh.
O mercado de energia elétrica brasileiro consolidou uma importante reversão de tendência no início do segundo trimestre de 2026. Após enfrentar um primeiro bimestre marcado por retrações consecutivas na demanda, o consumo nacional de eletricidade registrou expansão de 3,8% em abril na comparação com o mesmo mês do ano anterior, atingindo o montante de 49.591 GWh.
O resultado sinaliza uma retomada consistente na tração das principais classes de consumo e estabiliza a curva de longo prazo. No indicador acumulado dos últimos 12 meses, o volume totalizado pelo Sistema Interligado Nacional (SIN) alcançou 568.038 GWh, o que representa uma variação positiva residual de 0,2% frente ao ciclo anterior.
Mudança climática e serviços ditam ritmo na baixa tensão
A análise por segmento de consumo revela que as variáveis meteorológicas e o setor de serviços foram os grandes catalisadores da guinada de abril. A classe residencial liderou o crescimento do mês com um salto de 8,7% na demanda. Esse desempenho reflete o impacto direto de temperaturas médias elevadas sobre o carregamento dos sistemas de climatização, combinado ao crescimento orgânico da base de unidades consumidoras conectadas à rede de distribuição.
O segmento comercial manteve a tendência de forte tração observada nos trimestres anteriores e anotou expansão de 5,6%, impulsionado pelo dinamismo das atividades de comércio e serviços. Por outro lado, a classe industrial operou em patamar de estabilidade com viés de alta, registrando um incremento discreto de 1,4% em abril. O único indicador negativo do período veio da classe “outros”, que recuou 3,2%, influenciada majoritariamente pela redução do consumo no setor rural devido ao encerramento de ciclos sazonais de irrigação e colheita.
Do ponto de vista geográfico, a expansão da demanda ocorreu de forma unânime entre todos os subsistemas do país:
- Norte: +7,6%
- Nordeste: +4,9%
- Sudeste: +3,3%
- Sul: +2,9%
- Centro-Oeste: +1,6%
Mercado livre responde por quase 45% da carga nacional
A evolução das frentes de comercialização reforça a robustez da transformação estrutural em curso no setor elétrico brasileiro, acelerada pelas diretrizes regulatórias da Portaria MME nº 50/2022. O Ambiente de Contratação Livre (ACL) movimentou 22.261 GWh em abril, capturando uma fatia representativa de 44,9% de toda a carga demandada no território nacional. Em termos de volume, o ambiente livre cresceu 4,5% no mês, mas o dado mais expressivo concentra-se na expansão da base de clientes: o número de consumidores livres deu um salto de 22,5% em termos anuais na comparação com abril de 2025.
O comportamento regional do mercado livre aponta para dinâmicas distintas de expansão. Enquanto o Centro-Oeste registrou a maior taxa de crescimento de volume consumido no ACL, com alta de 6,4%, a região Norte se consolidou como o principal vetor de captação de novas empresas para o ambiente livre, apresentando uma expansão de 34,6% na sua base de agentes comerciais.
Essa capilaridade valida o fluxo histórico de migração iniciado em janeiro de 2024 para as unidades conectadas na alta tensão (Grupo A). O movimento de abertura de mercado já havia atraído mais de 25 mil consumidores ao longo de 2024 e outros 22 mil ao longo de 2025, estendendo seus efeitos econômicos para o balanço de carga do primeiro quadrimestre de 2026.
Mercado regulado mantém liderança ancorado na região Sul
Apesar do avanço contínuo do ambiente de contratação livre, o Ambiente de Contratação Regulada (ACR) ainda retém a maior parcela do mercado elétrico nacional, respondendo por 55,1% da demanda total do SIN. O consumo atendido pelas redes das concessionárias de distribuição somou 27.331 GWh em abril, apresentando elevação de 3,1% no volume físico faturado e uma expansão de 1,7% no número total de clientes cativos.
O grande destaque regulado do mês foi verificado no subsistema Sul, que anotou uma expansão expressiva de 9,2% no consumo de energia elétrica sob o guarda-chuva das distribuidoras. Já o crescimento orgânico de novos pontos de atendimento na baixa tensão seguiu liderado de forma isolada pela região Norte, que registrou incremento de 2,9% no número de consumidores residenciais e comerciais regulados.



