Com agenda em Brasília e polos industriais, comitiva internacional prospecta parcerias e analisa ecossistema de negócios para sistemas de armazenamento em meio à expansão das renováveis.
O mercado brasileiro de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS, na sigla em inglês) entrou definitivamente no radar de atração de capital produtivo de grandes desenvolvedores globais. Como reflexo desse dinamismo, a Navvion Energy Storage Systems iniciou uma turnê institucional e técnica pelo país. O objetivo central da comitiva estrangeira é mapear o ecossistema regulatório, logístico e comercial brasileiro para avaliar a viabilidade de investimentos em manufatura local, transferência de tecnologia e estruturação de uma cadeia de suprimentos voltada a projetos de utilidade pública (utility-scale) e sistemas descentralizados.
A agenda do grupo contempla reuniões com autoridades governamentais, agências de fomento, entidades setoriais e centros de pesquisa em diversos estados. A iniciativa alinha-se ao momento de forte expansão das fontes solar e eólica na matriz elétrica nacional, fatores que demandam maior flexibilidade operativa do Sistema Interligado Nacional (SIN) e impulsionam o debate sobre novos marcos regulatórios e leilões de reserva de capacidade voltados ao armazenamento.
Prospecção começa por Brasília e foca em fomento e regulação
O roteiro estratégico da delegação internacional teve início na capital federal, Brasília, onde foram agendados encontros com representantes de ministérios e órgãos reguladores para discutir os horizontes de fomento à indústria de baterias e os incentivos à cadeia de transição energética no país. O diálogo na capital busca alinhar os planos da empresa aos programas nacionais de neoindustrialização e de desenvolvimento tecnológico sustentável.
Após as tratativas políticas, a comitiva segue para reuniões técnicas com federações de indústrias estaduais, universidades e agências de desenvolvimento regional. A proposta é analisar a infraestrutura de logística disponível e a capacidade técnica da mão de obra de diferentes polos geográficos para futuras instalações industriais da fabricante.
Ao analisar o posicionamento estratégico do mercado nacional e o potencial de consolidação de novas tecnologias de rede, o Presidente da Navvion América do Sul, Merivaldo Britto, ressaltou as vantagens competitivas do país no cenário regional: “O Brasil possui todas as características necessárias para se tornar um dos principais mercados de armazenamento de energia da América Latina. O país combina uma forte base industrial, recursos abundantes de energia renovável, demanda crescente por eletricidade e um foco cada vez maior na modernização da rede. Estamos ansiosos para trabalhar junto com instituições públicas, líderes da indústria e organizações educacionais para ajudar a apoiar o desenvolvimento contínuo deste setor.”
Parcerias de longo prazo e integração acadêmica
Um dos focos destacados pela empresa durante as visitas técnicas é a estruturação de um modelo de negócios que integre as universidades e centros de pesquisa locais. O desenvolvimento de soluções em BESS exige calibração constante para responder de forma eficiente às especificidades climáticas e operacionais da rede elétrica nacional.
Por essa razão, o grupo fabricante ressalta que a consolidação de uma planta industrial no país passa obrigatoriamente pela cooperação científica para a formação de recursos humanos especializados. O executivo Merivaldo Britto frisou a importância de conectar o avanço científico local ao mercado de capitais do setor: “Nosso objetivo é construir parcerias de longo prazo que incentivem a inovação, o desenvolvimento da força de trabalho e o avanço tecnológico, ao mesmo tempo em que apoiamos a transição energética mais ampla do Brasil. Acreditamos que a colaboração entre indústria, governo e academia será essencial para alcançar esses objetivos.”
Os resultados do diagnóstico técnico e regulatório conduzido ao longo da semana servirão de subsídio para a tomada de decisão da diretoria global da Navvion sobre o formato e a escala dos futuros aportes no mercado brasileiro. Qualquer avanço prático do projeto será conduzido em sinergia com os agentes setoriais e em estrito alinhamento com os parâmetros do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da ANEEL.



