EPE propõe R$ 1 bilhão em transmissão para reforçar segurança elétrica da Grande Salvador

Plano estruturante prevê novas subestações, expansão em 230 kV e modernização da malha do Recôncavo Baiano para suportar crescimento da carga até 2035

A Empresa de Pesquisa Energética deu um passo estratégico para fortalecer a confiabilidade do sistema elétrico da Bahia ao publicar o estudo “Avaliação do Controle de Tensão e Condições de Atendimento à Região Metropolitana de Salvador”. O documento técnico propõe um pacote de investimentos estimado em R$ 1,02 bilhão em obras de transmissão destinadas a ampliar a segurança operativa da Grande Salvador diante do avanço da demanda energética projetada para os próximos anos.

A iniciativa mira a expansão estrutural da Rede Básica e das instalações de fronteira que atendem o Recôncavo Baiano, região considerada crítica para o equilíbrio elétrico do Nordeste. O plano foi desenhado para mitigar riscos associados a instabilidades de tensão, restrições operacionais e crescimento acelerado da carga a partir de 2028, especialmente em áreas urbanas densamente povoadas e polos industriais da região metropolitana.

O estudo foi desenvolvido em parceria entre as superintendências de Transmissão de Energia e Meio Ambiente da EPE, com apoio técnico da TSE Consulting, da Neoenergia Coelba e da Axia Energia. O material servirá como base regulatória para que o Ministério de Minas e Energia (MME) avalie a inclusão dos empreendimentos nos próximos leilões de transmissão.

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Expansão em 230 kV busca eliminar gargalos estruturais

O diagnóstico elaborado pela EPE identificou fragilidades relevantes na configuração atual da rede elétrica que abastece Salvador e municípios vizinhos. A análise técnica avaliou seis alternativas distintas de expansão antes de consolidar a solução considerada mais eficiente sob os critérios de confiabilidade operativa, viabilidade socioambiental e modicidade tarifária.

O eixo principal da proposta envolve a construção de duas novas subestações estratégicas para o sistema baiano. A primeira delas será a SE Arembepe II, projetada em 500/230 kV, com função de reforçar o intercâmbio energético regional e ampliar a robustez do sistema em cenários de contingência. Já a SE Lauro de Freitas II operará em 230/69 kV, atendendo diretamente a expansão urbana e o crescimento da carga na Região Metropolitana de Salvador.

O plano contempla ainda a implantação de 95 quilômetros de novas linhas de transmissão em 230 kV, além do recondutoramento de outros 26 quilômetros de circuitos já existentes na mesma classe de tensão. A estratégia busca ampliar a capacidade de escoamento elétrico e fortalecer o fechamento dos anéis de transmissão que dão suporte ao sistema metropolitano.

Modernização da SE Matatu entra no radar da EPE

Além das novas estruturas, o estudo dedica atenção especial à modernização de ativos urbanos considerados críticos para a confiabilidade do sistema. Entre os principais pontos está a reconfiguração da Subestação Matatu, cuja estrutura atual em 230/11,9 kV foi classificada como insuficiente para atender aos critérios modernos de redundância e confiabilidade exigidos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico.

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A proposta prevê a substituição integral do arranjo existente por uma ampliação da transformação em 230/69 kV, combinada à implantação de uma nova subestação híbrida em 69/11,9 kV equipada com dois transformadores de 40 MVA.

Na prática, a intervenção reduz riscos operacionais em uma das áreas mais sensíveis da malha urbana de Salvador e aumenta a capacidade de resposta do sistema diante de falhas ou sobrecargas.

Desembolsos serão distribuídos até 2035

O cronograma físico-financeiro foi estruturado em quatro ciclos para sincronizar a execução das obras com a evolução prevista da demanda regional.

O primeiro ciclo, previsto para 2028, contará com aportes de R$ 61,6 milhões destinados a atividades de engenharia, licenciamento ambiental e adequações prioritárias. Na sequência, o ciclo de consolidação, em 2030, deve movimentar R$ 184,4 milhões voltados ao avanço das obras civis e implantação das novas subestações.

O maior bloco financeiro será concentrado em 2032. Batizado de “Ciclo de Expansão Firme”, ele prevê desembolsos de R$ 748,2 milhões para a montagem eletromecânica e energização dos principais troncos de transmissão em 230 kV.

Por fim, o horizonte de 2035 reserva R$ 27,4 milhões para ajustes complementares de capacidade nas instalações de fronteira.

Segurança energética e crescimento urbano pressionam expansão

A proposta da EPE reflete um movimento mais amplo de reforço da infraestrutura elétrica nas grandes regiões metropolitanas brasileiras, impulsionado pela eletrificação crescente da economia, expansão imobiliária e aumento da carga industrial e comercial.

No caso de Salvador, o crescimento populacional, o avanço do setor de serviços e a maior complexidade operacional do sistema elevam a necessidade de investimentos preventivos em transmissão para evitar degradação da qualidade do fornecimento e riscos de colapso em períodos de pico.

Ao separar os estudos em dois volumes independentes, um técnico-econômico e outro socioambiental, a EPE também busca ampliar a transparência e garantir isonomia regulatória para os agentes interessados em disputar os futuros leilões.

Com o avanço do planejamento, a expectativa do mercado é que os ativos sejam incorporados ao pipeline estratégico de expansão da transmissão no Nordeste, região que já concentra parte relevante do crescimento da geração renovável do país e exige redes mais robustas para assegurar estabilidade sistêmica de longo prazo.

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